Procedimentos endoscópicos: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
O endoscópio é utilizado para visualizar órgãos internos, além de realizar intervenções minimamente invasivas, quando necessário.
Esses procedimentos são frequentemente realizados para diagnosticar, tratar ou monitorar condições médicas de múltiplas complexidades. Vale lembrar que são utilizados diferentes tipos de endoscópios conforme a parte do corpo que será acessada.
Existem múltiplos procedimentos, mas iremos destacar os mais comuns: gastroscopia, colonoscopia, broncoscopia, cistoscopia e a histeroscopia.
Com a incorporação da tecnologia à medicina e o avanço dos procedimentos endoscópios, o tempo de procedimento, a qualidade da técnica e a capacidade de recuperação do paciente são potencializados, sendo essencial que médicos conheçam esses procedimentos.
Devido a relevância desse tema, preparamos esse guia sobre os principais procedimentos endoscópios que você encontra na prática médica.
Tipos de endoscopia
Gastroscopia
A gastroscopia, ou endoscopia, consiste na visualização do estômago por via endoscópica. Para realização dessa técnica, o exame de endoscopia digestiva alta é realizado.
Por meio desse procedimento é possível diagnosticar e avaliar uma série de condições clínica. Além de ser um instrumento para verificação do sucesso de procedimentos e até mesmo para a realização desses.
Esse tipo de endoscopia permite a visualização direta da mucosa colônica, intestinal e gastroduodenal. Portanto, é um método de escolha para auxílio diagnóstico e tratamento.
A introdução de nutrição enteral, por exemplo, é um procedimento que pode utilizar a endoscopia como método para auxiliar a inserção e confirmar se a sonda foi introduzida adequadamente nas modalidades nasoduodenal ou gastrostomia, por exemplo.
Diante de episódios de sangramento gastrointestinal pós-operatório, a endoscopia é geralmente capaz de identificar e tratar a fonte do sangramento. Isso também é possível de realizar em outros contextos clínicos/cirúrgicos.
Colonoscopia
A colonoscopia é um exame que pode ser utilizado em múltiplos contextos, principalmente como estudo diagnóstico de condições em que o paciente necessita de transplante de intestino e estudo de tumorações para diferenciar neoplasias benignas de malignas, quando realizada com biopsia.
Esse é ainda um exame adequado para casos de sangramento mínimo ou moderado que envolva hemorragias digestivas. No caso de hemorragias de grande porte, a colonoscopia perde sua acurácia.
Em caso de doença diverticular, a colonoscopia é o melhor método de diagnóstico e tratamento para hemorragias de baixo ou médio volume. Em pós cirúrgicos de apendicite, esse método pode ser recomendado como segmento de rotina.
Além desses cenários, a colonoscopia pode ser indicada para fazer a exclusão de lesões síncronas em pacientes que serão submetidos a procedimentos que envolvem o cólon e/ou reto.
Broncoscopia
A broncoscopia é um exame realizado com o broncoscópio, uma ferramenta inserida via nasal ou via laringe para visualização das seguintes estruturas:
- Brônquios
- Traqueia
- E alguns lobos pulmonares.
Existem duas formas de realizar a broncoscopia: com o tubo rígido e de metal (chamada de broncoscopia rígida) ou a flexível (chamada também de fibrobroncoscopia). A primeira pode necessitar de anestesia geral e a segunda pode requer apenas uma sedação.
A opção por sedar ou anestesiar o paciente depende da finalidade do procedimento e das características clínicas do contexto. Por isso, é comum que seja realizado em contexto ambulatorial ou no centro cirúrgico.
O procedimento pode ser realizado por um pneumologista ou pelo cirurgião torácico e as finalidades desse exame incluem:
- Diagnóstico de patologias respiratórias como neoplasias, infecções pulmonares, doenças intersticiais pulmonares, tuberculose e outras que necessitam de avaliação do parênquima;
- Remoção de corpos estranhos;
- Coletas de amostras (biopsia) de fluidos ou secreções pulmonares;
- Avaliação de lesões locais como úlceras ou outras;
- Tratamentos locais, como a remoção de pólipos, tumores, inserção de stents ou cauterização de lesões.
Além disso, a realização de uma broncoscopia é recomendada como uma etapa preliminar antes de qualquer ressecção pulmonar planejada.
O cirurgião conduzirá uma avaliação independente da anatomia endobrônquica por meio da broncoscopia, com o intuito de excluir a presença de um lesões ou tumorações. Essa abordagem visa assegurar que todos os cânceres conhecidos estejam abrangidos pela ressecção pulmonar planejada.
Eventuais secreções podem ser removidas através de aspiração e irrigação delicada.
Quando uma ressecção que envolve pneumectomia ou broncoplastia está programada para um tumor central, a avaliação minuciosa do cirurgião por meio da broncoscopia torna-se crucial para determinar a viabilidade da obtenção de uma ressecção completa.
Cistoscopia
Por meio da cistoscopia é possível visualizar a bexiga e a uretra por meio do citoscópio. Condições do trato urinário como tumorações, litíase e doenças que comprometem a uretra podem ser diagnosticadas e tratadas por meio desse exame.
Assim como a broncoscopia, a cistoscopia pode ter duas abordagens: a flexível ou a rígida.
- Cistoscopia Flexível: Utiliza um cistoscópio mais fino e flexível, sendo geralmente realizada no consultório médico. Pode ser menos desconfortável para o paciente.
- Cistoscopia Rígida: Utiliza um cistoscópio mais rígido e é geralmente realizada em ambiente hospitalar. Pode ser necessária em casos mais complexos.
O paciente geralmente é instruído a esvaziar a bexiga e pode receber uma solução anestésica local para minimizar o desconforto durante o procedimento.
É possível extrair amostras para análise histopatológica para avaliação, assim como na broncoscopia e na endoscopia.
Histeroscopia
A histeroscopia é um exame que possibilita a visualização do útero e serve também para tratar condições relacionadas à cavidade uterina. O ginecologista é o médico que realiza esse procedimento.
É necessário realizar a dilatação do colo do útero para ter uma melhor visualização da imagem quando o histeroscópio é introduzido e a necessidade de anestesia ou sedação depende de cada caso.
A dilatação da cavidade uterina é feita com a injeção de solução salina ou gás carbônico, assim como nas outras técnicas endoscópicas citadas anteriormente nesse artigo e é preciso que o aparelho seja inserido com movimentos leves e suaves em direção à cavidade uterina para evitar lesões e outras complicações.
Indicações e preparação dos pacientes
A preparação do paciente para procedimentos endoscópicos é variável, dependendo do tipo específico de exame a ser realizado – que são muitos, como vimos acima.
Contudo, reunimos as principais orientações gerais que são aplicáveis a maioria desses procedimentos:
Informação e Consentimento
Todo paciente deve ser esclarecido sobre o procedimento, incluindo benefícios, riscos e alternativas possíveis, caso necessário.
Nesse momento, é superimportante solicitar a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) antes do procedimento.
Essa etapa inclui ainda um cuidado especial na retirada de dúvidas que possam ocorrer e compartilhar com o paciente o prognóstico esperado após o procedimento.
Jejum
Geralmente, instrui-se o paciente a fazer jejum por um período específico (de acordo com o procedimento) para assegurar o esvaziamento gástrico, proporcionando uma visualização clara durante a endoscopia.
Medicações
Conforme o contexto clínico, o paciente pode ter a suspensão temporária de medicamentos que possam interferir no procedimento, tais como anticoagulantes, anti-inflamatórios ou fármacos que afetam diretamente a coagulação.
Higiene
O paciente pode receber instruções específicas sobre higiene, como realizar um banho antes do procedimento, visando reduzir o risco de infecções.
Anestesia ou sedação
Determinados procedimentos endoscópicos podem requer a anestesia local ou sedação.
Para isso, a consulta pré-anestésica se torna indispensável e deve incluir instruções específicas, como restrições alimentares antes do procedimento.
Outros exames
Em algumas circunstâncias, pode ser exigida uma avaliação prévia, como hemograma, para assegurar que o paciente esteja em condições adequadas para o procedimento.
Essas são diretrizes gerais para procedimentos endoscópicos. Mas vale lembrar que as instruções específicas podem variar conforme o tipo de procedimento e com as necessidades individuais do paciente. Portanto, é que essas informações sejam fornecidas ao paciente e que toda a equipe médica esteja ciente.
Técnicas e como é a realização dos procedimentos endoscópicos
As técnicas endoscópicas consistem na manipulação de instrumentos fora do paciente enquanto uma câmera acoplada na extremidade do aparelho permite a visualização do tecido alvo.
Enquanto a câmera possibilita a visualização, essas estruturas devem ser idealmente dilatadas para que o exame seja mais assertivo. Essa dilatação ocorre geralmente com solução salina ou com a injeção de gás.
Existem algumas vias pelos quais os endoscópios podem ser inseridos e isso depende da finalidade do exame escolhido. As vias mais comuns são a transoral ou transanal.
Todos os tipos de endoscópios recebem um nome diferente conforme a finalidade e estruturas que são analisadas durante o procedimento, mas todas tem em comum o objetivo de visualizar em tempo real essas estruturas e realizar as intervenções como biópsias.
O endoscópio é um tubo fino e flexível equipado com uma luz e uma câmera na extremidade, permitindo a visualização do interior de órgãos e estruturas sem a necessidade de realizar cirurgias invasivas.
Como vemos na imagem, os componentes do endoscópio são: lentes objetivas (câmera) e lentes de iluminação (lanternas), conduto para insuflação de ar, gás ou sucção e corpo.
Procedimentos endoscópicos: discussão sobre complicações e gerenciamento dos procedimentos
Saber lidar com as possíveis complicações desses procedimentos é crucial para garantir a segurança do paciente, a efetividade do procedimento e sua eficácia. Para isso, as principais condições que são riscos possíveis inerentes aos procedimentos endoscópicos são:
- Perfuração
- Hemorragia
- Infecção
Para cada uma dela, uma medida deve ser tomada com urgência para evitar complicações sistêmicas ou alterações do estado hemodinâmico do paciente.
Diante de perfurações, o reparo pode ser realizado de forma cirúrgica para ser mais efetivo. Essa é uma das causas pela qual esses procedimentos devem ocorrer em um ambiente que possa oferecer suporte para lidar com as complicações. Como entro cirúrgico ou ambulatórios.
Quando ocorrem hemorragias, o controle dessas também pode ser realizado de forma endoscópica. Isso é feito com o uso de clips ou substâncias hemostáticas.
Diante de infecções, o tratamento deve conter o uso de antibióticos. Dentre as todas as condições citadas, essa é a que mais tem chances de ser evitada a partir da realização dos protocolos de assepsia e antissepsia comum a todo procedimento.
Existem outras condições que podem ocorrer diante desses procedimentos. Essas condições dizem respeito a resposta individual de cada paciente à intervenção realizada ou como problemas referentes à operação dos aparelhos. São elas:
- Estenose ou perfuração de órgãos tubulares;
- Complicações respiratórias como aspiração de conteúdo gástrico;
- Trauma inadvertido em órgãos adjacentes;
- Reações adversas à anestesia ou à sedação.
Interpretação de resultados e relatórios
Considerando que esses procedimentos têm o potencial diagnóstico e de tratamento, é comum que sejam realizadas coletas de amostras para auxiliar a elucidar o diagnóstico esperado de lesões, traumas ou de quaisquer outros achados encontrados.
Dessa forma, a interpretação adequada dos resultados desses procedimentos deve ser avaliada em conjunto com o quadro clínico do paciente. Isso requer conhecimentos que reúnem a anatomia, patologia e a clínica ao histórico médico do paciente.
Procedimentos endoscópicos no atendimento de pacientes obesos: o que preciso saber?
Devido às características anatômicas e clínicas desse grupo, é preciso verificar alguns aspectos inerentes aos procedimentos endoscópicos que podem estar associados a um maior risco de complicações possíveis.
- Acesso e visualização das estruturas: devido a presença de tecido adiposo abdominal, é possível que seja necessário realizar esses procedimentos utilizando endoscópios mais longos ou que apresentem uma maior capacidade de insuflação para garantir o acesso e visualização adequada;
- Via de acesso: em alguns casos, pode ser preferível utilizar uma abordagem transgástrica ao invés da transoral. Isso ocorre para evitar obstruções, aspirações e facilitar a visualização;
- Riscos de complicações gerais e hemodinâmicas: como sabemos a obesidade se relaciona a um risco aumentado de complicações intraoperatórias como repercussões cardiovasculares e respiratórias;
- Sedação e anestesia: esse aspecto precisa ser cuidadosamente considerado. Tendo em vista que pacientes com obesidade podem apresentar respostas diferentes à sedação ou anestesia no tocante a dose administrada.
É preciso que esses pacientes estejam constantemente monitorados. Isso deve ocorrer devido os riscos citados. Além disso, deve ocorrer avaliação das condições clínicas, histórico médico e os objetivos do procedimento. Em situações em que o risco suplanta os benefícios, uma abordagem alternativa deve ser avaliada.
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Referência bibliográfica
- TOWNSEND, C. et al. Sabiston – Tratado de Cirurgia. 20ª ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2019. 3278p.
- GOLDMAN, L; AUSIELLO, D. Cecil Medicina. 23 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
- ZUGAIB, Marcelo e FRANCISCO, Rossana Pulcineli Vieira. Zugaib obstetrícia. Barueri, SP: Manole, 2020.