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Procedimento de curetagem do molusco contagioso

pele com presença de molusco contagioso

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Confira explicações sobre características, diagnóstico e o processo de curetagem de molusco contagioso e potencialize sua prática médica!

Molusco contagioso é o nome dado a um poxivírus que provoca o surgimento de pápulas arredondadas na pele resultante de uma infecção localizada e crônica. Os formatos dessas lesões podem se confundir com verrugas, então é importante saber diferenciá-las.

A infecção sucede principalmente através do contato direto com pessoas contaminadas e costuma a ocorrer principalmente na infância. Adolescentes e adultos também podem ser infectados, mas em menor número. Essas lesões precisam ser removidas por meio de uma raspagem utilizando um instrumento chamado cureta. Por isso, o procedimento chama-se curetagem.

O objetivo deste artigo é apresentar um breve resumo sobre o vírus molusco contagioso. Além disso, traremos orientações sobre como realizar a curetagem e o tratamento dessa condição clínica de forma adequada.

Conceito de molusco contagioso

O molusco contagioso é um vírus com cadeia dupla de DNA e que se replica no citoplasma das células de forma semelhante à varíola. O vírus possui uma série de genes altamente específicos para proteínas que são responsáveis pelo desenvolvimento de mecanismos de defesas imunológicas. Esse fator inibe a resposta inflamatória do hospedeiro, além da resposta imunológica ao processo infeccioso.

Epidemiologia

Casos de molusco contagioso tem sido reportados por todo mundo e, na maioria dos casos, as crianças são o grupo mais atingido pela infecção.

Antigamente, existia uma tendência crescente de casos em pacientes com HIV/AIDS, mas após a introdução da terapia antiretroviral, esse número decresceu substancialmente.

Fatores de risco

A transmissão do molusco contagioso ocorre principalmente através da participação em esportes de contato nas crianças e por meio de relações sexuais em adultos. Essa infecção está altamente associada a estados de imunodeficiências genéticas ou adquiridas como o HIV/AIDS ou ocorre em sequência a algum tratamento com drogas imunossupressoras.

Existem relatos que correlacionam a dermatite atópica como fator de risco para essa infecção, mas ainda existem muitos questionamentos e necessidade de evidência para estabelecer se existe realmente uma relação direta entre essas duas condições.

Identificação de molusco contagioso e suas causas

As lesões causadas pelo molusco contagioso se caracterizam como pápulas firmes de formato cupular, com cerca de 2 a 5 mm de diâmetro, superfície com aspecto brilhante e reumbilicação ou reentrância central, como vemos na imagem a seguir.

Em pacientes imunossuprimidos, as lesões podem ser maiores e atingir até 15 mm, embora não seja uma regra. Essas lesões podem crescer em qualquer região do corpo, exceto nas palmas das mãos ou nas solas dos pés; podem cursar com prurido e ainda ter um aspecto inflamado em alguns casos.

Lesões papulares característica da infecção por molusco contagioso na região da orelha e da face de uma criança. Fonte: Uptodate, 2024.

 

Há ainda achados clínicos que podem se relacionar a presença da infecção por molusco contagioso, os quais incluem:

  • Dermatite tópica;
  • Regiões inflamadas com eritema ou edema;
  • Síndrome de Gianotti-Crosti (acredermatite papular)

Em relação às causas, destacar alguns comportamentos que podem facilitar a infecção por molusco contagioso como:

  • Compartilhar roupas, esponjas ou qualquer objeto que fique num ambiente mais úmido;
  • Contato com pessoas infectados – seja por esporte de contato ou relação sexual, por exemplo;
  • Contato indireto com objetos tocados por pessoas com a infecção.

Conforme o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, os locais com maior chance de contágio são escolas, piscinas e o ambiente de trabalho.

Diagnóstico

O diagnóstico deve considerar a aparência das lesões e, se necessário, a confirmação histológica da lesão. O teste histológico utiliza de hematoxilina e eosina como corante para visualização e determinação da lesão. Para tanto, é preciso dominar a semiologia dermatológica como um todo, considerando os aspectos importantes da anamnese e do exame físico.

A dermatoscopia é um método que também auxilia no diagnóstico. Alguns achados nesse exame incluem a visualização do centro da lesão com umbilicação polilobular branca ou amarelada.

Diagnósticos diferenciais

  • Criptococose;
  • Histoplasmose;
  • Monkeypox;
  • Granuloma piogênico.

Abordagens de tratamento

Para o tratamento, existem algumas possíveis abordagens sugeridas para remoção das lesões, embora não haja consenso na literatura em relação a qual deles deve ser considerado o tratamento de escolha. São elas:

  • Curetagem
  • Crioterapia com nitrogênio líquido
  • Uso da cantaridina – um agente tópico que só deve ser aplicada por um profissional.
  • Podofilotoxina
  • Ácido tricloroacético – 25 a 40%
  • Tretinoína

Dentre esses métodos de remoção física, a curetagem é o que apresenta menos efeitos colaterais e possui uma resolução imediata das lesões. A curetagem é o tratamento preferencial para as lesões da infecção por molusco contagioso.

É possível adotar um tratamento que utilize combinações dessas terapêuticas.

É preciso ter atenção especial ao uso dos medicamentos, principalmente em relação a efeitos adversos possíveis como irritação ou alergias. Dessa forma, um teste alérgico pode ser realizado antes da aplicação de qualquer uma dessas substâncias.

O tratamento com retinóides no contexto domiciliar ou com a crioterapia em ambiente ambulatorial pode durar até 2 meses em alguns pacientes.

Prognóstico

As lesões causadas pelo molusco contagioso são, em gerais, benignas e se resolvem sem problemas de cicatrização. Porém, é necessário solicitar ao paciente que evite coçar com as mãos ou usar objetos para esse fim para evitar cicatrizes.

Em pacientes com imunodepressão, é preciso que o tratamento da condição primária que eles possuam não seja suspenso em momento algum.

Curetagem de molusco contagioso: indicações e orientações prévias

A curetagem consiste na remoção física das lesões por meio do uso de uma cureta. Pelo resultado estético e rápido, esse é o método mais utilizado. O procedimento apresenta baixos níveis de desconforto e de sangramento, embora precise ser realizado com maior cuidado em crianças devido a agitação que elas podem sentir durante o procedimento.

Por isso, nesses casos, é indicado a realização de anestesia tópica anterior à curetagem para diminuir o desconforto e facilitar o procedimento.

Esse é um procedimento que pode ser feito rapidamente, mas depende do tamanho da lesão e se elas estão dispostas com proximidade de outras ou isoladas.

O consentimento do paciente deve ser sempre solicitado, embora a curetagem não seja considerada um procedimento invasivo. O paciente deve ainda estar esclarecido sobre o uso de anestesia e cuidados que precisa ter com o curativo.

Além disso, especialmente em relação às crianças, deve-se indicar que as lesões sejam devidamente cobertas para reduzir o risco de transmissão para outras pessoas.

É necessário ressaltar ao paciente que é possível que as lesões retornem em algum momento, mesmo após a remoção por curetagem ou qualquer outro método. No entanto, elas podem regredir em cerca de 2 anos.

Como realizar a curetagem de molusco contagioso?

A curetagem é um procedimento relativamente simples de ser realizado, contudo é indicado que seja realizado com cuidado tanto pelo resultado estético final como para evitar sangramentos. Antes de iniciar o procedimento, é necessário realizar a antissepsia da pele do paciente no local da lesão que será removida. É preciso também garantir que estejam adequadamente reservados os materiais que serão utilizados no procedimento, os quais são:

  • Gazes ou compressa;
  • Cureta;
  • Pinça;
  • Lâmina de vidro ou frasco para coleta.

Certifique-se de realizar a antissepsia das suas mãos e utilizar luvas para evitar o contato com qualquer secreção, fluido ou sangue.

O primeiro passo é realizar a antissepsia do local onde a lesão está e então, caso necessário, introduzir o anestésico tópico a ser utilizado. O creme de lidocaína a 4% ou o creme EMLA (lidocaína e prilocaína) a 5% são os mais recomendados.

Porém, é importante ressaltar que crianças podem apresentar reação ao creme EMLA pela toxicidade que alguns possuem. Adultos, no entanto, podem tolerar a curetagem sem a necessidade de anestesia, mas a anestesia é indicada para evitar desconfortos.

Após esses passos, deve-se passar a cureta numa posição de concha sobre a lesão na tentativa de removê-la. Dependendo do tamanho e localização da pápula, esse movimento se repetirá algumas vezes até que seja possível removê-la completamente.

A gaze ou a compressa deve ser colocada sobre o local, em pressão, para evitar o sangramento – que deve cessar rapidamente. Após isso, pode-se utilizar um eletrocautério para cauterizar o local.

O procedimento finaliza com a aplicação de um curativo e o paciente pode ser liberado em seguida.

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Referências

  • ISAACS, S. N. et al. Molluscum contagiosum. Uptodate, 2024.
  • Chen X, Anstey AV, Bugert JJ. Molluscum contagiosum virus infection. Lancet Infect Dis 2013; 13:877.
  • CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Molluscum Contagiosum. Disponível em: https://www.cdc.gov/poxvirus/molluscum-contagiosum/index.html. May, 2015.

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