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Pré-natal de qualidade|Colunistas

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Índice

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1. Introdução

Pré-natal é o período antecedente a extração completa do recém-nascido (RN) da cavidade uterina, admitido entre a confirmação da gravidez e o pós parto imediato. Objetiva assegurar um desenvolvimento saudável da gestação, prevenir ou ao menos minimizar possíveis fatores de risco influenciáveis em cada caso (exibidos no tópico a seguir) e oportunizar saúde e bem-estar materno e fetal.

Faz parte do processo e é de necessário enfoque para um pré-natal qualificado a propagação de práticas educacionais e preventivas, seja de atuação profissional, de manutenção autônoma da gestante ou contributiva do entorno social, além da abordagem de aspectos psicossociais que eventualmente podem refletir em reações, comportamentos e impactos na saúde da gestação.

Tais atividades incluem: oferecer à gestante e aos acompanhantes orientações e informações do processo gestacional, precavendo complicações e potenciais riscos; acolher e proporcionar a escuta ativa dos integrantes; abordar as modificações biopsicossociais da gravidez; estimular adesão ao pré-natal e consultas; orientar os hábitos de saúde, higiene e nutrição; dar assistência psicologicamente à gestante; instruí-la de seus direitos e sobre o parto, a maternidade e a amamentação; evitar práticas potencialmente prejudiciais ao feto; socializar experiências e esclarecer dúvidas; e tratar distúrbios da gravidez, englobando prevenção, diagnóstico e tratamentos.

2. Fatores de risco

Fatores de risco indicam probabilidade de complicações e a adequada investigação dessas adversidades objetiva ampliar o acesso de um acolhimento integral, evitar agravamentos e reduzir a morbimortalidade. Logo, torna-se necessária a análise dos fatores de risco gestacionais o mais precocemente possível, promovendo assim um atendimento qualificado. Ademais, é preciso uma avaliação contínua do risco durante todo período gestacional.

2.1  Fatores de risco que permitem a realização do pré-natal pela equipe de atenção básica

Relacionados às características individuais e às condições sociodemográficas desfavoráveis:

Relacionados à história reprodutiva anterior:

Fatores relacionados à gravidez atual:

2.2  Fatores de risco que podem indicar encaminhamento ao pré-natal de alto risco

Contemplam riscos que influenciam de forma significativa a probabilidade de intercorrências e óbito materno e/ou fetal.

Fatores relacionados às condições prévias:

Fatores relacionados à história reprodutiva anterior:

Fatores relacionados à gravidez atual:

2.3 Fatores de risco que indicam encaminhamento à urgência/emergência obstétrica

3. 10 Passos para o pré-natal de qualidade na atenção básica

Os 10 passos para o pré-natal de qualidade na atenção básica, preconizados pelo Ministério da Saúde, são:

1° PASSO: Iniciar o pré-natal na Atenção Primária à Saúde até a 12ª semana de gestação (captação precoce).

2° PASSO: Garantir os recursos humanos, físicos, materiais e técnicos necessários à atenção pré-natal.

3° PASSO: Toda gestante deve ter assegurado a solicitação, realização e avaliação em termo oportuno do resultado dos exames preconizados no atendimento pré-natal.

4° PASSO: Promover a escuta ativa da gestante e de seus (suas) acompanhantes, considerando aspectos intelectuais, emocionais, sociais e culturais e não somente um cuidado biológico: “rodas de gestantes”.

5° PASSO: Garantir o transporte público gratuito da gestante para o atendimento pré-natal, quando necessário.

6° PASSO: É direito do(a) parceiro(a) ser cuidado (realização de consultas, exames e ter acesso a informações) antes, durante e depois da gestação: “pré-natal do(a) parceiro(a)”.

7° PASSO: Garantir o acesso à unidade de referência especializada, caso seja necessário.

8° PASSO: Estimular e informar sobre os benefícios do parto fisiológico, incluindo a elaboração do “Plano de Parto”.

9° PASSO: Toda gestante tem direito de conhecer e visitar previamente o serviço de saúde no qual irá dar à luz (vinculação).

10° PASSO: As mulheres devem conhecer e exercer os direitos garantidos por lei no período gravídico-puerperal.

Para tanto, objetivando a viabilização do processo descrito acima e, até mesmo, servindo de estimulo para um pré-natal efetivo, torna-se necessário o acolhimento e ofício humanizado dos profissionais que arcam com o compromisso de proporcionar saúde.

4. Captação precoce

A captação precoce da assistência pré-natal na Atenção Primária à Saúde contempla o período de até a 12ª semana de gestação.

Esse período é ideal para que a captação do pré-natal contemple desde o primeiro trimestre de gestação até o pós-parto imediato, diante de um contexto de diagnóstico de gravidez precoce. O motivo posto isso é sintetizado, consequentemente, pela oferta prévia dos cuidados necessários, identificação de adversidades passíveis de controle e/ou cura, redução de potenciais fatores de risco e realização de intervenções oportunas em todo o período gestacional.

Ademais a importância do início precoce, tem-se o acompanhamento frequente e a adesão à periodicidade adequada, ambos inclusos como fatores de qualificação assistencial, para garantia do atendimento necessário durante a gravidez.

O Ministério da Saúde recomenda, no mínimo, 6 consultas de pré-natal para uma assistência bem estruturada, sendo organizadas da seguinte forma:

  • Até a 28ª semana: consultas mensais;
  • Da 28ª a 36ª semana: consultas quinzenais;
  • Da 37ª a 40ª/41ª semana: consultas semanais.

5. Acolhimento

O acolhimento da gestante e dos acompanhantes, adjunto a uma atuação humanística, propicia o vínculo de uma relação de confiança e favorece o comprometimento nas ações de assistência da gestante ao setor de saúde. Essas práticas estão fundamentadas na promoção da ética, do respeito e da solidariedade, por meio da escuta qualificada e do diálogo, da recepção empática e da integridade do cuidado e assistência.

Para um acolhimento completo, ações como as contempladas nos tópicos a seguir exemplificam posturas práticas, como a exemplo de:

– Preservação da privacidade;

– Respeito a autonomia;

– Estabelecimento da escuta aberta, desprovida de preconceitos e julgamentos;

– Abordagem de temas ditos tabus, contemplando o esclarecimento do assunto e possíveis dúvidas;

– Recepção integral de histórias e queixas;

– Compartilhamento de experiências;

– Assistência nas preocupações da gestante e familiares;

– Obtenção de ajuda complementar, seja de outro profissional ou do próprio entorno social, caso necessário.

Mais especificamente aplicado cotidianamente no ato de acolher, compreendem iniciativas:

– Apresentar-se devidamente ao paciente e aos acompanhantes;

– Chamar as usuárias do serviço de saúde pelo nome, mostrando interesse também no conhecimento dos nomes de seus acompanhantes;

– Empoderar os pacientes a respeito de conhecimentos e informações sobre condutas e procedimentos realizados, visando a explicação do passo a passo;

– Valorização do que é dito pelos pacientes e acompanhantes;

– Exposição oral e garantia da confidencialidade das informações compartilhadas nos atendimentos;

– Atenção à postura profissional competente.

6. Rede de apoio

O atendimento pré-natal de qualidade inclui ainda a articulação entre os serviços de saúde que compõem a equipe, sendo ela composta por:

  • Médico
  • Enfermeiro
  • Nutricionista
  • Dentista
  • Fisioterapeuta
  • Psicólogo
  • Assistente Social

O atendimento multidisciplinar é preconizado desde 1984, pelo Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM), visando a promoção da qualidade de vida à gestante, ao bebê e à família. Ademais, deve ser considerado também a contribuição do grupo social em que aquela gestante participa, já que está intrinsecamente relacionado com aspectos de saúde-doença da mulher. Nessa perspectiva, é evidente a importância e necessidade de uma equipe multidisciplinar e rede de apoio para a consolidação integral da saúde.

Referências:

  1. PARANÁ. SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE. Caderno De Atenção ao Pré-Natal – Risco habitual. 2012;44p.
  2. Atenção ao pré-natal de baixo risco / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012.
  3. Rezende: obstetrícia fundamental / Carlos Antonio Barbosa Montenegro, Jorge de Rezende Filho. – 14. ed. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
  4. O papel da Atenção Básica no pré-natal, parto e puerpério. Departamento de Atenção Básica Ministério da Saúde. Fonte: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/apresentacoes/pre_natal_dab.pdf
  5. Pré-Natal. Governo do Estado de Goiás. Fonte: https://www.saude.go.gov.br/biblioteca/7637-pr%C3%A9-natal 

Autora: Gabriela Malta Coutinho

Instagram: @gabriela_malta



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


 

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