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Polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica: complexa e autoexplicativa | Colunistas

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CONCEITOS INICIAIS:

Podemos nos abstrair mediante ao nome tão complexo de uma patologia ou fixar em entende-la simples e puramente a partir do próprio nome da doença. Eis aqui um exemplo clássico dentro da literatura médica de uma patologia de nome complexo, entretanto, autoexplicativo: a polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica (PDIC). 

A PDIC é uma neuropatia periférica, progressiva e de caráter autoimune, da qual, ocorre um acometimento da mielina ao longo do trajeto das fibras nervosas. Todo esse processo diminui a velocidade da transmissão e/ou bloqueia a condução do sinal elétrico, o que leva a clínica característica da doença. Neste texto, apresento-lhes a doença da maneira mais sistemática e simples possível para que o entendimento seja fluido.

EPIDEMIOLOGIA:

Múltiplos estudos apresentam variáveis índices de prevalência no contexto da PDIC. Atualmente, acredita-se que sua prevalência esteja entre 2-3 pessoas a cada 100.000, possuindo uma ampla variação entre os estudos (0,15-5). 

É uma patologia da qual há um predomínio ao acometimento no sexo masculino chegando em uma proporção 2:1. Sua incidência é maior em adultos e cresce exponencialmente com o avançar da idade. 

Embora não tenhamos uma literatura sustentada para fatores de risco, acredita-se que a associação de comorbidades (DM e HAS principalmente) possa sustentar um risco elevado para a sua patogenia.

FISIOPATOLOGIA:

Todo o processo fisiopatológico da PDIC envolve vários mecanismos sinérgicos de agressão a principalmente a bainha de mielina, sendo que a inflamação imunomediada parece ser a protagonista neste cenário, principalmente através dos linfócitos T que são acionadas através de IL-4, IL-6 e IL-10, assim como uma importante atuação dos macrófagos.

A cronicidade da inflamação leva à um ciclo de desmielinização e remielinização, que pode levar a degeneração direta dos axônios. A patologia em questão afeta de maneira direta e/ou indireta as células de Schwann e bainha de mielina. Sendo que os acometimentos predominantes são em neurônios com maior disponibilidade das bainhas de mielina, ou seja, fibras grandes (fibras motoras e proprioceptivas).

QUADRO CLÍNICO:

Clinicamente, de um modo geral, a doença se manifesta semelhantemente a Síndrome de Guillain – Barré, diferenciando entre elas principalmente o tempo de duração da apresentação (maior que 2 meses na DPIC) e em sua recidiva. Manifesta-se principalmente por parestesia seguida por fraqueza em músculos proximais e distais, dificuldade de locomoção, quedas e até mesmo dor neuropática, embora esta menos frequente.  

No exame físico, além da constatação da fraqueza muscular, geralmente simétricos e nos movimentos de pegada, também se nota reflexos tendíneos profundos diminuídos ou ausentes.

De maneira sistemática, trago-lhes os principais achados do quadro clínico na PDIC:

  • Parestesia simétrica bilateral progressiva
  • Fraqueza
  • Dificuldade para caminhar
  • Dificuldade em controles finos
  • Ataxia sensorial (alteração de propriocepção)
  • Dor (sugestivo de acometimento axonal)
  • Reflexo tendíneo profundo ausente
  • Sintomas motores e sensitivos
  • Clínica variável – múltiplos subtipos (PDIC clássica, multifocal, recorrente e remitente)

* A polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica clássica representa cerca de 50-60% de todos os casos. Seguida da variante da PDIC conhecida como multifocal assimétrica – Síndrome de Lewis-Summer – com cerca de 5 – 10% dos casos.

DIAGNÓSTICO:

A chave do diagnóstico da PDIC se dá através da combinação clássica entre história (persistente e maior que 2 meses) e exame físico minucioso somados a precisão dos exames histológicos – principalmente para afastar diagnósticos diferenciais de processos infiltrativos como linfoma, sarcoidose e amiloidose –, assim como o auxílio da eletrofisiologia.

De maneira simples, sistematizei os principais achados e suas imagens nos seguintes tópicos:

  • Líquido cefalorraquidiano: pleocitose e proteína aumentada.
  • Biópsia do nervo: lesão em bulbo de cebola. (FIGURA 1)
  • Eletrofisiologia: atraso ou bloqueio na condução do estímulo elétrico. (FIGURA 2)
Figura 1: Lesão em bulbo de cebola, com infiltrado monocitário; Referência: DYCCK, P. J. B.; TRACY, J. A. History, Diagnosis and Management of Chronic Inflammatory Demyelinating Polyradiculoneuropathy. Mayo Clin Proc.
Figura 2: Condução elétrica normal / condução elétrica bloqueada. Referência: Köller, H., Kieseier, B. C., Jander, S., & Hartung, H.-P. (2005). Chronic Inflammatory Demyelinating Polyneuropathy. New England Journal of Medicine.

TRATAMENTO:

O tratamento de primeira linha nos casos da PDIC clássica são os corticoesteróides, plasmaférese e imunoglobulina intravenosa (IgIV) preferencialmente elencadas da seguinte maneira:

  • Corticoterapia: Prednisolona 60mg/dia. (Nível de evidência – IIa)
  • Plasmaférese: 2-3 sessões/semana durante 6 semanas. (Nível de evidência – Ia)
  • IgIV: 2,0 g/kg fracionada ao longo de 2 a 5 dias. (Nível de evidência – Ia)

Em pacientes refratários ao tratamento de primeira linha, recomenda-se o uso de imunossupressores (azatioprina, metotrexato, ciclosporina e ciclosfosfamida). 

Alguns estudos atualmente sugerem como terapia promissora o Anti-CD20 (Rituximabe), entretanto, essas novas alternativas terapêuticas necessitam de mais estudos robustos.

CONCLUSÃO:

De um modo geral, a PDIC apresenta um prognóstico razoavelmente bom, necessitando de avaliações periódicas e acompanhamento a fim de estabelecer a melhoria de qualidade de vida do paciente, assim como ajustes nas doses para que contornem possíveis efeitos colaterais.

A principal busca atualmente na literatura são novas alternativas de tratamentos, entretanto, até o momento, seguem sem grandes estudos que possam comprovar em um nível de evidência alto para as novas medidas terapêuticas. 

Nome: José Héracles Rodrigues Ribeiro de Almeida

Instagram: @joseheracles


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS:

  • DYCCK, P. J. B.; TRACY, J. A. History, Diagnosis and Management of Chronic Inflammatory Demyelinating Polyradiculoneuropathy. Mayo Clin Proc.  June 2018;93(6):777-793
  • OAKLANDER, A. L.; LUNN, M. P. T.; HUGHES, R. A. C.; VAN SCHAIK, I. N.; FROST, C.; CHALK, C. H. Treatments for Chronic Inflammatory demyelinating polyradiculoneuropathy (CIDP): An Overview of Systematic Reviews (Review). Cochrane Database of Systematic Reviews 2017, Issue 1. Art. No.: CD010369.
  • SANTOS, P. L.; ALMEIDA-RIBEIRO, G. A. N.; SILVA, D. M. D.; JUNIOR, W. M.; BARREIRA, A. A. Chronic inflammatory demyelinating polyneuropathy: quality of life, sociodemographic profile and physical complaints. Arq. Neuro-Psiquiatr.,  São Paulo ,  v. 72, n. 3, p. 179-183,  Mar.  2014 .   Available from . access on  04  Sept.  2019.
  • BERGH, P. Y. K. V.; HADDEN, R. D. M.; BOUCHE, P.; CORNBLATH, D. R.; HAHN, A.; ILLA, I. KOSKI, C. L.; LÉGER, J. M.; NOBILE-ORAZIO, E.; POLLARD, J.; SOMMER, C.; VAN DOORN, P. A.; VAN SCHAIK, I. N. European Federation of Neurological Societies/Peripheral Nerve Society Guideline on management of chronic inflammatory demyelinating polyradiculoneuropathy: Report of a joint task force of the European Federation of Neurological Societies and the Peripheral Nerve Society — First Revision. European Journal of Neurology, 17: 356-363

LONGO, Dan L. et al. Medicina interna de Harrison. 18.ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. 2 v

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