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Planejamento familiar: Anticoncepcionais e as perspectivas atuais | Colunistas

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A prevenção da gravidez continua sendo uma parte importante da prática médica. A contracepção pode ocorrer em vários pontos no processo biológico reprodutivo e por meio de uma série de opções de métodos anticoncepcionais. 

A prática do controle de natalidade existe há séculos e a sociedade está em constante busca de mecanismos para se evitar a gravidez. Documentos datados de 1850 a.C. referem técnicas para se evitar a gravidez, como o uso de substâncias como mel, massa fermentada, entre outros que criam um ambiente hostil para o esperma na vagina. Relata-se que, durante o início do segundo século, em Roma, utilizava-se uma solução ácida resultante da cocção de frutas, nozes e lãs que ao serem introduzias no canal vaginal propiciavam um ambiente altamente ácido, funcionando como um tipo de barreira espermicida. Hoje, com o avanço tecnológico e cientifico, estão disponíveis uma série de métodos contraceptivos, que variam conforme o mecanismo de ação, eficácia e acessibilidade.

O planejamento familiar

Segundo o Ministério da Saúde, “planejamento familiar é o direito que toda pessoa tem a informação, a assistência especializada e ao acesso aos recursos que permitam optar livre e conscientemente por ter ou não ter filhos, o número, o espaçamento entre eles e a escolha do método anticoncepcional mais adequado são opções que toda mulher deve ter o direito de escolher de forma livre e por meio da informação, sem discriminação, coerção ou violência”. Portanto, o planejamento familiar é o ato consciente de planejar o nascimento dos filhos, tanto em relação ao número desejado, quanto à ocasião mais apropriada de tê-los. Isto pode ser conseguido através de técnicas e métodos anticoncepcionais e de procedimentos para obter a gravidez em casais inférteis. Para isso deve-se considerar, além da vontade pessoal, as circunstâncias sociais, culturais e econômicas a que o casal está inserido.

O conhecimento sobre métodos anticoncepcionais pode contribuir para que os indivíduos escolham o método mais adequado ao seu comportamento sexual e às suas condições de saúde, bem como, utilizem o método escolhido de forma correta. Assim, esse conhecimento deve estar relacionado à prevenção da gravidez indesejada, do aborto provocado, da mortalidade materna e de outros agravos à saúde relacionados à morbimortalidade reprodutiva

Anticoncepcionais hormonais

Vários tipos de produtos anticoncepcionais exercem seus efeitos nos níveis dos hormônios produzidos pelo ovário, estrogênio e progesterona. Esses produtos incluem pílulas anticoncepcionais orais (ACO), injeções de ação prolongada, implantes, adesivos tópicos e dispositivos intrauterinos (DIU). Esses métodos são selecionados de acordo com a avaliação do prescritor, histórico do paciente, ciclo menstrual e adesão da paciente.

As pílulas anticoncepcionais orais, método mais utilizados atualmente, consistem em formulações sintéticas apenas de progesterona ou de estrogênio e progesterona em combinação e quando usados corretamente podem chegar a uma eficácia próxima a 99%. Os anticoncepcionais combinados orais (AHCO) podem ter formulações monofásicas, bifásicas ou trifásicas. Os monofásicos apresentam a mesma dosagem de estrógeno e progesterona em todas as pílulas da cartela. O bifásico e o trifásico podem mudar a quantidade e o tipo de hormônio nos diferentes momentos do ciclo de ingestão das pílulas. Os AHCO estão disponíveis em formulações de 21, 22, 24 (com pausa de 7, 6, 4 dias entre as cartelas, respectivamente, independentemente, do dia de início do fluxo menstrual), 28, 30 e 84 pílulas (de utilização estendida, ou seja, para uso de uma cartela na sequência da outra sem pausa).

Há uma série de benefícios, além da prevenção da gravidez, para mulheres que tomam anticoncepcionais hormonais orais. Dentre eles, observa-se a redução do risco de câncer de ovário do desenvolvimento de câncer de endométrio, além, também, dos benefícios protetores com relação a mama, reduzindo significativamente as chances de alterações fibrocísticas e no desenvolvimento de fibroadenoma.

Com o avanço dos novos medicamentos, os efeitos colaterais dos anticoncepcionais hormonais têm sido reduzidos. Contudo, os malefícios dos anticoncepcionais hormonais podem ser desde efeitos simples como náuseas e distensão abdominal provocados pelo estrogênio, ou alteração de humor e pequenas hemorragias causadas pela progesterona, como problemas mais sérios de acidente vascular, infarto do miocárdio e câncer que podem levar a morte. Os estrogênios aumentam a síntese de diversas proteínas hepáticas e tem um efeito pró-trombóticos bem estabelecido, podendo elevar o risco de tromboembolismo em duas a quatro vezes, mas o tromboembolismo fatal entre as mulheres jovens é extremamente raro (1% dos casos) e este aumento do risco deve ser equilibrado com o risco de 5 a 10 vezes maior associado com a gravidez normal.

Anticoncepcional em gel: uma nova perspectiva

A Food and Drug Administration (FDA), órgão norte-americano que regula alimentos e medicamentos, aprovou em 2020 um gel anticoncepcional sem a presença de hormônios. A novidade vem para suprir a demanda de um grande grupo de mulheres por métodos contraceptivos mais naturais e sem os conhecidos efeitos colaterais dos anticoncepcionais atuais.

O medicamento com o nome comercial de Phexxi da farmacêutica Evofem Biosciences, apresenta uma combinação de ácido láctico, ácido cítrico e bitartarato de potássio que evita a gravidez alterando temporariamente o pH da vagina. O pH da vagina é naturalmente ácido, entre 3,5 e 4,5, e o medicamento impossibilita que esses valores subam depois da ejaculação. Para permitir que os espermatozoides passem pelo canal e alcancem o óvulo, a ejaculação eleva o pH da vagina para cerca de 7 a 8. Assim, ao garantir que o pH do órgão continue ácido, o gel inviabiliza os espermatozoides.

O laboratório garante uma eficácia de 93% quando usado corretamente. Contudo, assim como outros métodos contraceptivos, a eficácia é ainda maior quando combinado a outros métodos de controle de natalidade, seja de barreira, químico, medicamentoso ou comportamental.

Os efeitos colaterais (experimentados por aproximadamente 2% das participantes dos ensaios clínicos) incluíram sensação de queimação vulvovaginal, coceira, infecção por fungos, vaginose bacteriana e corrimento vaginal, desconforto genital e disúria. Os efeitos colaterais mais graves (experimentados por 0,36% das participantes) foram cistite, pielonefrite ou outras infecções do trato urinário superior (ITU). 

Anticoncepcional masculino

O desenvolvimento de novos métodos de contracepção masculina atenderia a uma necessidade ainda não atendida dos homens em controlar a sua fertilidade e poderia ainda aumentar as opções anticoncepcionais para as mulheres, garantindo não só uma maior independência feminina, como uma maior responsabilidade aos homens com relação a concepção.

Desde o final dos anos 1960, há tentativas de produção de um contraceptivo masculino reversível com eficácia equivalente à da pílula anticoncepcional. Até hoje, esse produto não foi lançado, e as justificativas para tal baseiam-se em entraves de ordem política, econômica, cultural e biológica e, assim, continuam disponíveis para os homens somente o preservativo e a vasectomia.

Embora alguns produtos naturais não hormonais tenham ido para a clínica, alguns agentes anticoncepcionais masculinos encontram-se em ensaios clínicos nos últimos anos. Esses agentes afetam a produção ou a função dos espermatozoides, seja pela via do ácido retinoide, por meio de proteínas extraterminais ou vias que alteram a motilidade espermática.

Os estudos mais promissores envolvem o anticoncepcional em gel, conhecido como Vasalgel e a pílula anticoncepcional masculina. O Valsagel é aplicado nos canais deferentes e atua bloqueando a passagem dos espermatozoides por até 10 anos, podendo ser revertido nesse tempo. Já a pílula anticoncepcional masculina, também chamada de DMAU, é constituída por derivados dos hormônios femininos e atua diminuindo a quantidade de testosterona, o que diminui a produção de espermatozoides e a sua motilidade, interferindo na fertilidade do homem temporariamente, mas apesar dos seus resultados promissores, ainda não está disponível pelos efeitos colaterais relatados pelos homens como diminuição da libido, alterações de humor e aumento da acne, por exemplo.

Conclusão

A ampliação do acesso de mulheres e homens à informação e aos métodos contraceptivos é uma das ações imprescindíveis para que possamos garantir o exercício dos direitos reprodutivos no país. Para que isto se efetive, é preciso manter a oferta de métodos anticoncepcionais na rede pública de saúde e contar com profissionais capacitados para que a contracepção seja adequada em cada momento da vida.

Espera-se que surjam métodos cada vez mais eficientes e com poucos efeitos colaterais. O anticoncepcional em gel, apesar de ainda ser menos eficaz que os métodos mais utilizados, já apresenta uma grande evolução por permitirem mais uma opção às mulheres, garantindo-as uma maior liberdade sexual. Ainda que haja disponíveis diversos métodos anticoncepcionais femininos, os masculinos, basicamente se restringem aos métodos cirúrgicos e de barreira, e apesar da busca atual por novos métodos, a ciência ainda se encontra inerte. Resta-nos aguardar cada vez mais a evolução científica e abraçar as opções disponíveis no mercado.

Autor: Pedro Pascoal

Instagram: @pedrohrpascoal


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referencias:

COLQUITT, C. W.; MARTIN, T. S. Contraceptive Methods: A Review of Nonbarrier and Barrier Products. Journal of Pharmacy Practice, v. 30, n. 1, p. 130–135, 2016. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2021.

CRAVIOTO M. D. New recommendations from the World Health Organization (WHO) for the use of contraceptive methods. Gaceta medica de Mexico, v. 152, n. 5, 2016. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2021.

FOOD AND DRUG ADMINISTRATION (US). FDA. PHEXXI (lactic acid, citric acid, and potassium bitartrate) vaginal gel, [S. l.], 2020. Disponível em: https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2020/208352s000lbl.pdf. Acesso em: 14 maio 2021

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Planejamento familiar: Um manual global para profissionais e serviços de saúde. 1. ed. [S. l.s. n.], 2007. 388 p.

PEREIRA, G. M. C.; AZIZE, R. L. “O problema é a enorme produção de espermatozoides”: concepções de corpo no campo da contracepção masculina. Saúde e Sociedade, v. 28, n. 2, p. 147–159, 2019. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2021.

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