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Pinça Kocher: Entendendo sua função na instrumentação cirúrgica| Colunistas

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Introdução

Existem várias classificações para o instrumental cirúrgico, cada uma delas com suas vantagens e desvantagens. Há quem os divida em instrumentos comuns e instrumentos especiais, por exemplo. O que é comum e o que é especial? E difícil responder. O que é comum para um cirurgião cardiovascular não o é para o neurocirurgião, e vice-versa, para citar apenas um entre dezenas de exemplos. O comum e o especial, em uma classificação, só fazem sentido dentro da mesma especialidade cirúrgica e o cirurgião que a exerce necessitará, principalmente em situações imprevistas, lançar mão de instrumentos especiais, uma vez que eles não são comuns ao seu dia-a-dia no centro cirúrgico. Digressões à parte, os autores vêm adotando com relativo sucesso, no meio acadêmico, há cerca de três décadas, a classificação de todo o instrumental cirúrgico, de acordo com sua função no ato cirúrgico, em instrumentos de: diérese, hemostasia, síntese, preensão, auxiliares e especiais.

A pinça Kocher está classificada como um material hemostático. A hemostasia é uma manobra cirúrgica para impedir ou coibir uma hemorragia. Ela pode ser temporária, com a manobra de pinçamento ou definitiva, com a realização da ligadura. Além disso, a hemostasia pode ser classificada como preventiva, que ocorre antes do sangramento ou corretiva, para pausar o sangramento.

As pinças na instrumentação

A pinça é um dos instrumentos essenciais para a realização de intervenções cirúrgicas, destacando-se como uma ferramenta médica que auxilia na remoção de pontos, realização de exames e execução de curativos e procedimentos variados.

Há diferentes tipos de pinças cirúrgicas, cada qual indicada para diversos tipos de abordagens. O que determina qual o material instrumental a ser utilizado é o tipo de tecido em que será feita a intervenção, e cabe aos profissionais de saúde escolher o instrumento adequado para cada tipo de cirurgia.

Pinça Kocher

Emili Theodore Kocher foi um cirurgião suíço do século IX que revolucionou os métodos cirúrgicos da sua época, deixando um legado até hoje utilizado. Kocher modificou as pinças de Péan utilizadas na época, colocando um dente na extremidade da pinça que, faz com que o instrumento, depois de fechado – prendendo um vaso no meio do tecido fibroso ou gorduroso – não escorregasse.

Com essa modificação, eventos hemorrágicos foram contidos em inúmeros procedimentos cirúrgicos, salvando muitos pacientes. Tal alteração, rendeu ao cirurgião o prêmio Nobel de medicina de 1912.

Assim, a característica principal da pinça Kocher é sua maior capacidade de reter tecidos, devido ao formato com um par de dentes em sua extremidade. Ela pode ser reta ou curva, em tamanhos variados,  mas só deve ser utilizada em casos em que as outras pinças realmente não funcionem, uma vez que o risco de causar traumas ao tecido é maior.

A pinça Kocher hemostática, é atualmente utilizada como pegadora e de suspensão de aponeuroses, graças à presença e segurança de seus “dentes-de-rato”. O que a diferencia do restante é o desenho e ranhuras na parte interna de seus ramos, responsáveis pela preensão.

Figura 1. Pinça de Kocher Reta. SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica moderna. 19.ed. Saunders. Elsevier, 2014.

 

Figura 2. Pinça de Kocher Curva. SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica moderna. 19.ed. Saunders. Elsevier, 2014.

Sua porção prensara possui hastes que não se tocam, com exceção das extremidades, curvadas uma em direção à outra e com múltiplos dentículos em suas pontas têm poder de preensão por denteamento fino nas superfícies de contato. E, por conta disso, faz uma apreensão traumática, usada em cirurgia gastrointestinal. Pelo fato de fazer um denteamento fino, podendo ser utilizada para o tecido do trato gastrointestinal, há que seu formato facilita o pinçamento e a ligadura de vasos com menor risco de lesão de tecidos adjacentes.

Conclusão

A vista disso, entende-se que a evolução nos estudos e técnicas de instrumentação cirúrgica, proporcionou uma sobrevida maior dos pacientes que necessitam de algum procedimento cirúrgico. A diferenciação nos processos operatórios, facilita o manuseio e a comunicação da equipe médica. Tornando o ambiente cirúrgico mais integral. Ademais, sabe-se que todo e qualquer procedimento cirúrgico traz riscos para o paciente, com isso, saber a utilização correta de cada instrumento, auxilia no melhor resultado das cirurgias. Com isso, conforme bem salientou Emili Kocher: “cirurgiões que assumem riscos desnecessários e operam apostando corrida contra o relógio, parecem excitantes sob o ponto de vista de um observador incauto; contudo, eles não são necessariamente aqueles em cujas mãos você preferiria se colocar.”

Autora: Laís Postingher

Instagram: @postingherlais

Referências Bibliográficas

GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis. Cecil Medicina Interna. 24. ed. Saunders-Elsevier, 2012.

SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica moderna. 19.ed. Saunders. Elsevier, 2014.



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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