Neste post falaremos sobre orientações para os pacientes com dermatite atópica e COVID-19. As orientações foram retiradas do documento publicado pelo departamento científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Em Nota de Alerta sobre manifestações cutâneas da COVID-19 em crianças, a SBP recomendou as condutas específicas a serem tomadas dentro do contexto da pandemia pelo novo coronavírus. Confira:
A Dermatite Atópica (DA) é considerada uma doença cutânea crônica, cujo tratamento pode envolver medicações sistêmicas imunossupressoras. Além disso, a DA pode estar associada a outras doenças respiratórias.
Sabemos que a COVID-19 possui maior chance de gerar doença grave naqueles pacientes do grupo de risco. Isto é, nos idosos, imunocomprometidos e pacientes com alguma comorbidade.
Portanto, pacientes com DA grave que estejam fazendo uso de drogas imunossupressoras, podem se enquadrar no grupo de risco. Por esse motivo, a nota de alerta foi emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
A grande questão levantada é se estes pacientes devem continuar o tratamento com o imunomodulador nesse momento. O documento portanto apresenta uma revisão das diretrizes publicadas sobre o tema em forma de perguntas e respostas:
O que fazer com o tratamento de pacientes com Dermatite atópica em uso de drogas imunomoduladoras durante a pandemia de COVID-19?
Manter o uso da medicação nos pacientes em que a retirada da droga pode ter impacto ainda maior sobre a piora da DA e consequente impacto negativo na imunidade do paciente.
Intensificar os cuidados de higiene, procurando sabonetes hipoalergênicos para a lavagem frequente das mãos e hidratação da pele logo após.
Qual a conduta das comorbidades da DA e a interrupção da terapia sistêmica em pacientes com COVID-19?
A interrupção abrupta das medicações sistêmicas pode exacerbar a DA e suas comorbidades, como asma, esofagite eosinofílica e outras alergias graves.
Caso seja necessário parar o tratamento sistêmico, o tratamento tópico deve ser intensificado para evitar piora clínica da DA, até que o tratamento sistêmico seja reinstituído.
Reforçar o monitoramento das comorbidades como a asma.
É possível prever interações da Dermatite atópica e das terapias imunomoduladoras e imunossupressoras e a COVID-19?
É sabido que as crises de DA grave e a falta de controle clínico da doença propiciam a disseminação de doenças virais cutâneas, como por exemplo, o eczema herpético e o eczema Coksakium.
Por outro lado, os agentes imunomoduladores, como a ciclosporina, reduzem a capacidade de defesa contra o vírus.
No presente momento não existem dados de literatura que permitam afirmar como a COVID-19 afetará os pacientes com DA, sobretudo aqueles com doença grave e em uso de tratamento imunomodulador.
O dupilumabe é um medicamento que interfere seletivamente nas interleucinas implicadas na inflamação da DA, e não aumenta o risco de infecções virais, podendo ter preferência neste momento, em comparação com terapias que aumentem o risco das infecções virais, como a ciclosporina. Entretanto, esta afirmação ainda precisa ser confirmada por estudos clínicos.
É de extrema importância, neste momento de tantas incertezas, que as crianças com DA mantenham a rotina do tratamento, intensificando os cuidados com os fatores de risco e a hidratação da pele.
Confira aqui um caso clínico sobre manifestação dermatológica de COVID-19 em adolescente.