A obesidade é uma síndrome crônica, que possui
etiologias diversas e atualmente pode ser considerada como uma epidemia,
principalmente nos países desenvolvidos. O século atual é demarcado por
condições que desencorajam a atividade física e por uma mídia que estimula o
consumo exacerbado de alimentos com alta densidade energética. Isso vem
crescendo tanto que a obesidade na faixa etária infantil está aumentando mais
que a dos adultos, levando a péssimos desfechos e ao desenvolvimento de outras
comorbidades. Pelo fato de ser uma patologia crônica, a obesidade necessita de
um tratamento prolongado e justamente por isso é responsável por parte
significativa dos custos da área de saúde.
A obesidade se caracteriza pelo excesso de
reservas corporais de gordura e, segundo a OMS, a obesidade é classificada de
acordo com o IMC, que é o resultado da divisão do peso corporal (kg) pela
altura ao quadrado (m2). O IMC quando acima de 25 é considerado
sobrepeso, e nessa classificação já se faz necessário um olhar mais atencioso,
visto que o risco de doenças é elevado, podendo já apresentar comorbidades
significativas. Vale ressaltar que
quando o IMC chega a ser maior que 40g/m2 a obesidade passa a ser
considerada como grau 3 e por conta disso se torna a maior indicação de
cirurgia bariátrica quando os tratamentos clínicos falham.
ETIOLOGIA
Quando a ingestão de energia excede o gasto
energético, o excedente calórico se armazena no corpo. As causas principais de
obesidade são genéticas, ambientais, endócrinas, metabólicas, comportamentais e
sociais, porém nos últimos anos há grande influência por parte dos fatores
genéticos e ambientais, que são responsáveis pelo progressivo aumento dessa
doença.
COMPLICAÇÕES METABÓLICAS DA OBESIDADE
- Resistência
à insulina: a capacidade da
insulina em estimular o aproveitamento, a oxidação e o armazenamento de glicose
nos músculos e suprimir as concentrações de ácidos graxos livres é reduzida nos
casos de obesidade, por consequência as altas taxas de ácidos graxos no plasma
levam a um estado de resistência à insulina, tanto nos músculos como no fígado,
o que pode resultar numa hiperinsulinemia e no desenvolvimento de diabetes
melito tipo 2. - Hipertensão: o paciente obeso desenvolve um volume
circulatório aumentado, vasoconstricção anormal, relaxamento valvular diminuído
e aumento do débito cardíaco, tudo isso aumenta o risco para hipertensão. - Dislipidemia: obesidade da parte central mais diabete
melito tipo 2 estão altamente associados ao aumento de triglicerídeos, decréscimo
de lipoproteínas de alta densidade (HDL) e alta concentração de lipoproteínas
de baixa densidade (LDL), isso resulta em hipertrigliceridemia que pode cursar
com aterosclerose e, consequentemente, patologias cardiovasculares.
DIANÓSTICO
É preciso determinar o nível de risco para a
saúde do paciente obeso e isso pode ser coletado através da avaliação clínica,
enfatizando os antecedentes pessoais e familiares da anamnese:
- Idade e início da
obesidade; - Curso da
obesidade ao longo do tempo; - Fatores
desencadeantes e de manutenção; - Hábitos
alimentares; - Atividade física;
- Estilo de vida;
- Aspectos
psicológicos: sintomas sugestivos de doenças endócrinas e uso de fármacos.
EXAMES COMPLEMENTARES
- Exames de imagem:
- USG: além da avaliação do tecido adiposo, também
avalia tecidos mais profundos nas diferentes regiões corporais. - TC: preciso e confiável para quantificar o tecido
adiposo subcutâneo e, em especial, o intra-abdominal. - RNM: diagnóstico e acompanhamento da gordura
visceral em indivíduos com alto risco e que estejam em tratamento para perder
peso. - Exames
bioquímicos que identificam alterações endócrino-metabólicas e outros fatores
de risco como DM, hipotireoidismo, DLP ou hiperuricemia.
TRATAMENTO NUTRICIONAL
- Consiste na
correlação entre orientação dietética, mudança de conduta/estilo de vida,
cuidados médicos (medicamentos, cirurgia) e prática de atividade física. - É importante que o
paciente participe da escolha da dietoterapia, pois isso facilita adesão e
manutenção do tratamento.
TRATAMENTO CIRÚRGICO
Indicações:
- Pacientes com
obesidade grau 3 (IMC maior ou igual a 40kg/m2), mesmo sem
comorbidades e que não responderam ao tratamento conservador (dieta, exercícios
físicos, psicoterapia) durante pelo menos 2 anos sob orientação adequada; - Portadores de
obesidade grau 2 (IMC entre 35 e 39,9kg/m2) com comorbidades e que
não responderam ao tratamento conservador realizado por pelo menos 2 anos.
Contraindicações:
- Causas endócrinas tratáveis de obesidade;
- Transtornos psicóticos graves;
- Transtornos do comportamento alimentar;
- Dependência química (álcool e/ou drogas);
- Insuficiência orgânica grave.
Autoria: Andreza Cunha