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O que todo estudante de medicina precisa saber sobre o atendimento pré-hospitalar | Colunistas

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O atendimento pré-hospitalar, em muitas vezes, determina vida ou morte do paciente. Acerca disso, não deve ser negligenciado tampouco negado a vítima no local de ocorrência.

Assim, este artigo tem por finalidade abordar as principais condutas e avaliações a serem realizadas à nível de suporte básico de vida.

Atendimento pré-hospitalar em caso de OVACE

Obstrução das vias aéreas por corpo estranho é a condição que mata mais rápido, portanto, seu manejo deve ser rápido e efetivo. Uma das maneiras de identificar o engasgo é mediante a apresentação do sinal universal do engasgo (levar mãos ao pescoço). 

A partir de então, em oclusão total da via aérea, o protocolo sugere ligar imediatamente ao SAMU (192), se apresentar à vítima consciente e iniciar a manobra de desengasgo (Heimlich) em adultos e crianças acima de 2 anos.

Fique por trás da vítima, posicione uma mão fechada entre a cicatriz umbilical e processo xifoide do osso esterno, sobreponha a mão aberta sobre a mão em punho, realize compressões em J (para dentro e para cima). Repita esse movimento até a vítima expelir o objeto ou ficar desacordada.

Pacientes que evoluem com perda de consciência são considerados vítimas de PCR e, então, é iniciada a RCP.

Atendimento pré-hospitalar em caso de PCR

Parada cardiorrespiratória, a maior causa de morte em trauma, é identificada enquanto a ausência de pulso central à palpação, em geral se analisa o carotídeo em adultos.

Nesse sentido, o protocolo utilizado para a realização da RCP segue a “cadeia de elos de sobrevivência”, que são: vigilância e prevenção; reconhecimento do quadro e acionamento do serviço médico de emergência; início imediato da RCP de alta qualidade; rápida desfibrilação; serviços médicos básicos e avançados de emergência; reabilitação e cuidados pós-PCR.

Antes de tudo e mais importante, é fundamental que se solicite apoio, cabe delegar a função de ligar para o SAMU 192 para requerer o suporte avançado.

Adiante, deverá ser iniciada as compressões torácicas em um ritmo de 100 a 120 compressões por minuto em adultos e crianças. Para adultos, serão feitos 5 ciclos de 30 compressões para duas ventilações, após encerrados revezam os socorristas.

Em crianças e vítimas de afogamento serão 10 ciclos de 15 compressões para duas ventilações. Ou, ainda, são feitas 100 compressões por socorrista nos casos em que as ventilações não forem feitas, haja vista que a ventilação do paciente no APH é por conta e risco do socorrista.

Por fim, importante salientar que em casos de o socorrista estra sozinho, é priorizado os 5 ciclos de 30 compressões para 2 ventilações em todos os casos (independente de faixa etária ou afogamento).

Em caso de DEA no local, este será priorizado e devem ser seguidas as instruções do dispositivo. Após o choque as compressões devem ser reiniciadas. Dentro desse contexto, os ritmos chocáveis são a taquicardia ventricular e fibrilação ventricular.

Escala de coma de Glasgow

A Escala de Coma de Glasgow (ECG), publicada pela primeira vez em 1974, é utilizada até então como parâmetro clínico para se estabelecer a gravidade do dano neurológico em pacientes, incluindo os politraumatizados.

É baseado em pontuações onde são avaliados abertura ocular (4 pontos), resposta verbal (5 pontos) e a resposta motora (6 pontos). Nesse sentido, uma abertura ocular dita espontânea soma 4 pontos, abertura ocular ao estímulo verbal totaliza 3 pontos, à pressão são 2 pontos e nenhum, 1 ponto.

Quanto a resposta verbal, o paciente pode estar orientado (recebendo 5 pontos), confuso (4 pontos), palavras (3 pontos), sons (2 pontos), nenhuma (1 ponto).

Por fim, em relação à resposta motora, a vítima que obedece a comandos totaliza 6 pontos, localizando (5 pontos), flexão normal (4 pontos), flexão anormal (3 pontos), extensão (2 pontos), nenhuma (1 ponto).

Os parâmetros que não forem possíveis ser testados não assinalados com NT (não testável).

Assim, uma pontuação de 8 ou menos na ECG configura uma definição geralmente aceita de coma ou lesão cerebral grave. Pacientes com lesão cerebral que tenham uma pontuação ECG de 9 a 12 são categorizados como tendo “Lesão moderada” e indivíduos com escore ECG de 13 a 15 são designados como tendo “lesão leve”. Pacientem com Glasgow inferior a 7 devem ser submetidos a IOT.

Atendimento pré-hospitalar e a abordagem ao trauma (XABCDE)

A abordagem ao paciente traumatizado deve levar em consideração a segurança da cena em há a ocorrência para ser realizada (não devendo o socorrista se colocar em risco para abordar uma vítima), além disso, o uso correto dos EPIs é também condição sine qua non.

Deve-se então traçar a cinemática e mecanismo do acidente, sinalizá-lo e avaliar a necessidade de chamar apoio avançado ao local.

Passos para abordagem eficiente

Os passos para uma abordagem eficiente são 6 e relacionam-se ao mnemônico XABCDE, são eles:

  • manejo de possível Hemorragia exsanguinolenta (X);
  • Abertura das vias aéreas e controle da coluna cervical (A);
  • Boa ventilação (B);
  • Circulação e controle de pequenas hemorragias (C);
  • avaliação do Déficit neurológico mediante ECG (D),
  • Exposição da vítima para análise da extensão das lesões e controle da temperatura (E)

Conclusão sobre o atendimento pré-hospitalar

O atendimento pré-hospitalar é vasto, seu estudo não se esgota neste artigo e a experiência prática pratica é soberana.

No entanto, noções teóricas iniciais são de enorme peso para a preservação da vida do paciente. Estar ciente das atualizações do APH ATLS é fundamental à qualquer socorrista. 

Autora: Cássia Bassetto Lorenzoni

Instagram: @cassialorenzoni


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

Escala de Coma de Glasgow: confira o que mudou a partir do ATLS 10 – PEBMED

O XABCDE do Trauma: A Atualização na PHTLS 9ª edição – Enfermagem Ilustrada

ATLS 10: confira mudanças no manejo da via aérea – PEBMED

cartilha-ovace-novo.pdf (ufpb.br)

Atualizações das diretrizes de RCP: descubra o que diz a última versão (cmosdrake.com.br)

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