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O que levou o Uruguai a perder o controle da pandemia? | Colunitas

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Com abordagens corretas no início da pandemia, o Uruguai ficou conhecido como um sucesso contra a COVID-19 durante um bom tempo em 2020. Porém, em abril de 2021 o país viveu o seu pior cenário durante a pandemia e teve a maior taxa de contágios diários no mundo, deixando de ser a exceção da América do Sul em relação ao combate a COVID-19.

O início próspero

O sucesso inicial ao controle da pandemia no Uruguai foi atribuído ao governo que seguiu os conselhos de uma equipe composta por 55 especialistas, Honorary Scientific Advisory Group (GACH). Entre as recomendações aceitas pelo governo estavam isolamento das pessoas infectadas, testagem em massa e rastreamento de contatos, fechamento do comércio e de escolas, e restrição da entrada no país.

Por uma constatação feita de que não teria como o país confiar nos testes feitos por outros países, os próprios cientistas do Uruguai desenvolveram seus testes para serem usados. Essa medida foi tão efetiva, que por um bom tempo durante 2020, o Uruguai não teve caso novo notificado da COVID-19.

Casos de COVID-19 no Uruguai no período de 2020.
Fonte: JHU CSSE COVID-19 DATA. Retirada no Google.

Declínio no controle da pandemia  

O Uruguai viveu um momento de integração quase perfeita em várias esferas, como saúde, ciência, governo e a sociedade em si, o que culminou no sucesso inicial ao combate ao SARS-CoV-2.

Porém, em dezembro de 2020, o número de casos começou a aumentar, e novamente o GACH recomendou as mesmas restrições que foram feitas no início da pandemia, mas dessa vez o governo decidiu não implementar todas elas. Com a justificativa que afetaria a economia do país, o governo decidiu não fechar os restaurantes e bem como não fechar as fronteiras.

Com o aumento dos casos da COVID-19, a capacidade de testagem, rastreamento e isolamento de forma eficiente colapsou, e foi ultrapassada. Com isso, uma porcentagem de novos infectados não foi identificada, culminando na perda do controle da transmissão do vírus.

Casos de COVID-19 no Uruguai entre junho de 2020 e junho de 2021.
Fonte: JHU CSSE COVID-19 DATA. Retirada do Google.

Além da questão das recomendações aceitas parcialmente pelo governo, a questão geográfica também é um ponto importante para o retrocesso do sucesso do Uruguai contra o vírus. A América do Sul causa bastante preocupação no mundo por relatar as maiores taxas semanais de mortalidade pelo vírus no mundo. Pela fronteira com o Rio Grande do Sul, o trânsito entre os dois países se faz livremente, o que culminou na chegada da variante Gama no Uruguai, que ocorreu especificamente durante as férias de verão no início de 2021.

O país que começou sendo uma exceção na América Latina por um controle excepcional do vírus, registrou o mais alto número de mortes per capita pela COVID-19 em 2021. Até o momento, 341 000 infecções pelo vírus, com mais de 5100 mortes em menos de seis meses.

Mas a “culpa´´ é de quem?

Cientistas Uruguaios acreditam que o sucesso em 2020 acabou garantindo uma certa confiança ao governo, que optou por não ser mais as recomendações que foram bem-sucedidas anteriormente para privilegiar a economia. Além disso, a população tem sua parcela de culpa também, pois a mesma confiança no ocorrido em 2020 gerou um relaxamento por parte da sociedade em seguir as medidas de isolamento social. Os cientistas também pontuam que parte desse relaxamento dos cidadãos também veio da chegada das vacinas em março de 2021.

Conclusão

Para o enfrentamento a COVID-19 é de extrema importância que os governantes dos países adotem medidas efetivas contra o vírus, e que fiquem ao lado da ciência. Dentre as medidas efetivas, pode-se citar fechamento de repartições públicas (com exceção os serviços essenciais), fechamento de academias e clubes, proibição da realização de esportes em público, isolamento das pessoas infectadas, testagem em massa e rastreamento de contatos, fechamento do comércio e de escolas, e restrição da entrada de estrangeiros no país.

O Uruguai seguiu à risca as recomendações no início da pandemia, o que culminou no seu sucesso contra a expansão do vírus no país. No momento em que o governo começou a deixar de aceitar certas medidas em nome da saúde econômica do país, o que também combinou com entrada de estrangeiros e a chegada de outra variante do vírus no Uruguai, e no momento em que a própria população começou a relaxar com as medidas de isolamento social, o sucesso no enfrentamento a pandemia no país ficou para trás.

A perda do controle da COVID-19 no Uruguai é um pelo exemplo, principalmente para seus vizinhos da América do Sul, que uma parceria entre ciência, população, governo e saúde podem sim gerar efeitos positivos contra o vírus. Além disso, mostra também, que a justificativa de priorização econômica, relaxamento por já existir vacinas, ou até mesmo a sensação de que por estar a mais de um ano em pandemia, ela já está acabando, pode e vai aumentar os casos e mortes, podendo levar até a um colapso na saúde do país.

A pandemia ainda não acabou, e por isso que, principalmente os países que estão sofrendo muito ainda com a COVID-19 devem sim manter o maior número de medidas para minimizar cada vez mais os danos causados pelo vírus, e assim estar cada vez mais perto do fim da pandemia.

Autora: Camila Figueira

Instagram: @camiifigueira


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

  1. Taylor L. Why Uruguay lost control of COVID. Nature, 25 de junho de 2021. (Disponível em https://www.nature.com/articles/d41586-021-01714-4).
  2. Moreno P et al. An effective COVID-19 response in South America: the Uruguayan conundrum. medRxiv preprint 2020. doi: https://doi.org/10.1101/2020.07.24.20161802 (Postado em 27 de julho de 2020).
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Universidade aberta do Sistema Único de Saúde. 2021. Acesso em: https://www.unasus.gov.br/especial/covid19/markdown/423

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