Introdução
Nas últimas semanas o Reino Unido viu uma grande queda no número de infecções por COVID – 19, sendo que, essa redução ocorreu após a Inglaterra suspender, praticamente, todas as restrições, incluindo uso de máscara, distanciamento social e levantado as restrições para receber visitantes dos EUA e Europa sem precisar realizar um período de quarentena anteriormente, no último dia 19 de julho de 2021, dia esse que foi apelidado pela imprensa inglesa de “Freedom Day” (Dia da liberdade).
Histórico
Importante ressaltar que apesar de o governo britânico ter permitido a entrada de imigrantes vindos do EUA e Europa sem a realização de quarentena prévia o contrário não aconteceu, inclusive os Estados Unido reforçaram sua recomendação para que sua população evite viagens ao Reino Unido.
Nesse tempo de “liberdade” as praias da ilha da Grã-Bretanha já se encheram de pessoas, os pubs estavam lotados e vendendo bastante cerveja, as casas noturnas também lotadas, e em todos os locais as pessoas aglomeradas e sem o uso de máscara, além de diversas festas que explodiram por todo canto. Diante desse cenário muitos especialistas acreditavam que ocorreria um aumento exponencial no número de novos casos de COVID diários, alguns especialistas chegaram a projetar que chegariam a 100 mil novos casos diários durante o período do verão, podendo chegar até mesmo a 200 mil novos casos no mês de agosto.
Contudo apesar do histórico com muitas mortes por COVID no Reino Unido, um dos locais que mais foi atingido pela pandemia passando do número de 130 mil mortos e mais de 6 milhões de casos no total, e das expectativas de piora da pandemia por partes dos especialistas o Reino Unido vem apresentando bons números no pós abertura, chegando mesmo a ter uma diminuição progressiva das infecções diárias por COVID-19.
Essa experiência de abertura leva a algumas suposições de qual pode ser a causa da quedo no número de casos, suposições estas que podem ser desde um bom sinal de que as vacinas são efetivas, o que leva a uma esperança de que a vacinação em massa é eficaz para gerar uma “imunidade de rebanho”, até que pessoas podem estar evitando fazer testes de detecção para a doença.
Possíveis causas
Férias escolares
Um dos acontecimentos que pode ser a causa da não proliferação da enfermidade é o fato das escolas estarem fechadas em decorrência das férias de verão, e por esse motivo as crianças estão em casa o que diminui a velocidade com que o vírus se espalha. Muitos acreditam que as escolas em funcionamento são focos de contágio de COVID tanto por existir uma grande interação entre os alunos da escola quanto por os pais se encontrarem na porta da escola quando vão levar os filhos.
Contudo algumas conclusões recentes da reabertura das escolas, desde o dia 8 de março, e um relatório da Universidade de Oxford demonstraram que as escolas não foram um ambiente de contágio como se imaginava e, utilizando métodos de controle, muitas crianças que estavam em ambiente escolar e foram expostas ao vírus da COVID-19 não se contagiaram.
Mudança no tempo
Outra teoria é que uma onda de calor que atingiu o Reino Unido por pelo menos uma semana possa ter ajudado na luta contra o vírus, contudo essa teoria é muito simplista e não oferece uma boa resposta ao que aconteceu. Até mesmo porque o ambiente mais quente de muitos países não barrou a disseminação do vírus (a exemplo de países como o Brasil, que é um país de clima quente que apresentou uma grande disseminação do vírus).
Menos testes
Também se supõem que muitas pessoas estão evitando fazer o teste de COVID-19, pois mesmo que muitas restrições tenham sido retiradas, ainda existe a obrigatoriedade de se realizar uma quarentena de 10 dias caso o teste dê positivo, isso mesmo que a pessoa já tenha sido vacinada com uma ou duas doses.
Vacinação
Por fim, existe a hipótese que fala sobre o estágio avançado da vacinação no Reino Unido, que já tem mais de 55% da população geral totalmente imunizada sendo que 70% dos adultos já estão totalmente imunizados e 88% já recebeu ao menos uma dose da vacina. A hipótese diz que a vacinação avançada está garantindo a não proliferação da doença, e que o país, talvez, tenha finalmente chegado na tão sonhada imunidade de rebanho.
O governo da Inglaterra, após um início conturbado de pandemia, decidiu apostar em grande escala na vacinação, além de vários outros fatores como quarentenas e testagem, e foi isso que garantiu os altos índices de vacinação que serviram como base da justificativa do primeiro ministro de acabar com as restrições.
Conclusão
A maior probabilidade é que essa queda venha de uma mistura dos fatores ditos anteriormente, ressaltando especialmente a vacinação que garante não apenas que as pessoas não peguem a doença, mas também que quando sejam infectadas não desenvolvam sintomas, o que pode ser encarado tanto de uma forma boa já que significa que são pessoas que não irão ter um quadro mais grave da enfermidade, como também encarada de uma forma ruim já que são pessoas que podem continuar transmitindo COVID sem nem ao menos saber que estão doentes.
De qualquer forma ainda é cedo para cravar uma justificativa do porque houve essa queda do número de casos. O próprio primeiro-ministro, Boris Johnson, disse em entrevista que reparou nos “números melhores” da COVID em seu país, contudo manteve a prudência e ressaltou que não é interessante tentar conclusões precipitadas sobre o caso e que continua recomendando que as pessoas sejam cautelosas no dia a dia, buscando se manter protegidas.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
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