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O que é escabiose nodular? | Colunistas

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A escabiose é uma dermatozoonose endêmica no Brasil, causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. O parasita é específico para seres humanos e sobrevive poucos dias fora do hospedeiro. Sua transmissão é feita principalmente pelo contato direto entre pessoas sadias e portadores da doença. A escabiose nodular é caracterizada como uma reação de hipersensibilidade a proteínas dos ácaros, que ocorre depois de semanas ou meses do aparecimento das primeiras lesões, mesmo após um tratamento eficaz para escabiose.

Definição 

Como dito anteriormente, a escabiose nodular ocorre como uma reação de hipersensibilidade, ou seja, é uma resposta imune excessiva contra um antígeno (no caso, as proteínas dos ácaros). Como essas lesões não contém organismos vivos, acredita-se que não ocorra a transmissão para outras pessoas nesse período. A escabiose nodular ocorre principalmente em homens adultos, neonatos e em crianças. As lesões se localizam na maioria dos casos em região genital (glande do pênis, haste peniana e escroto). Podem também ser encontradas lesões na região púbica, virilhas, nádegas e axilas. O motivo para estas localizações específicas ainda é desconhecida.

A infestação inicia-se com a fêmea que penetra na pele do hospedeiro, criando túneis (principalmente durante a noite) na camada córnea e depositando seus ovos. Após eclodirem, as larvas se deslocam para a superfície da pele, transformando-se em adultos e copulando. As fêmeas prenhas voltam a penetrar em túneis e os machos desprendem-se da pele, por esse motivo é possível ocorrer a transmissão da doença tanto por contato direto com a pele quanto por fômites (os ácaros podem sobreviver por mais de 48 horas em roupas pessoais e de cama).

Quadro clínico  

A escabiose tem como principal manifestação o prurido intenso, principalmente durante o período noturno, interferindo no sono do paciente. Os sintomas geralmente iniciam de 4 semanas até 4 meses após a aquisição do ácaro, já que dependem da sensibilização do hospedeiro ao ácaro, fezes e ovos. Lesões presentes em mãos (nos espaços interdigitais), túneis e lesões nodulares são bastante patognomônicas quando evidenciadas principalmente em bebês e crianças pequenas. As lesões de escabiose nodular são caracterizadas como pápulas e/ou nódulos eritematosos ou castanho-eritematosos com 5 a 20 mm de diâmetro. Essas lesões geralmente se apresentam em órgãos genitais (principalmente no sexo masculino), nas dobras cutâneas das axilas, cintura, nádegas e aréolas. O couro cabeludo e o rosto geralmente são poupados em pacientes com mais de dois anos de idade, a menos que seja imunossuprimido ou acamado. 

Figura 1. Lesões nodulares eritematosas principalmente em pênis e escroto, características da escabiose nodular.
Fonte: https://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1131-57682002000700004

Podem ser encontradas também erosões na superfície de algumas lesões por conta da escoriação. Por esse motivo que lesões secundárias (tais como eczemas e piodermites) são frequentes, já que pode ocorrer a infecção das lesões escoriadas com S. aureus. O aumento da sensibilidade dolorosa das lesões sugere a ocorrência da infecção bacteriana secundária.

Diagnóstico 

O diagnóstico definitivo da escabiose nodular é feito pelo quadro clínico e pela distribuição típica das lesões características. Além disso, deve-se investigar se o paciente tem histórico de sintomas e sinais de infestação passada, assim como em outros membros da família. Já que na escabiose nodular as lesões são causadas por uma reação de hipersensibilidade, o raspado das lesões vistos microscopicamente em óleo mineral não terá grande utilidade, já que não serão evidenciados ácaros, ovos e fezes, os quais são geralmente identificados na escabiose. 

A biópsia pode fornecer mais informações, demonstrando intensa inflamação com histiócitos e linfócitos atípicos nas lesões nodulares. Os achados da biópsia podem ser confundidos com histiocitose de células de Langerhans ou linfoma em crianças. Outros diagnósticos diferenciais possíveis incluem dermatoses eczematosas, como a dermatite seborreica e a dermatite atópica. 

Tratamento 

A primeira medida para o tratamento da escabiose seria a higiene e corte das unhas. Já as principais opções de tratamento medicamentoso seriam duas doses de permetrina 5% creme ou o uso de ivermectina por via oral (200 μg/kg) com intervalo de 1 a 2 semanas. No caso do creme de permetrina, deve-se cobrir todas as áreas do corpo, deixando o creme agir durante a noite. Não recomenda-se tomar banho antes da aplicação, já que pode aumentar a absorção percutânea da substância. 

Após a terapia específica, o prurido ainda persiste, já que é ocasionado por uma reação imunológica e os ácaros mortos ainda permanecerão na pele. O uso de esteroides tópicos de alta potência pode auxiliar na diminuição do prurido. O uso intralesional de acetonida de triancinolona 10 mg/mL (0,1mL em cada lesão) é uma opção muito utilizada. Em crianças também pode ser usado, após um tratamento inicial com anestésico tópico potente (como creme de lidocaína). Apesar do prurido diminuir com a aplicação tópica de corticosteróide, pode ocorrer o seu agravamento gradual e ressurgimento com a retirada dessa droga.

Conclusão

A escabiose nodular é uma reação de hipersensibilidade aos ácaros, mais comum em neonatos e crianças. Ela se apresenta com pequenos nódulos geralmente eritematosos que envolvem a região genital, axilas e glúteos. Por serem reações imunológicas, as lesões podem persistir por meses após a erradicação dos ácaros.

Autora: Giovanna di Cola

Instagram: @giodicola

Referências:

EDWARDS, Libby. Doença Genital Pediátrica. In: EDWARDS, LIBBY; LYNCH, PETER J. Manual e Atlas de Dermatologia Genital. 3. ed. 2021. cap. 14.

Escabiose- http://www.fiocruz.br/bibmang/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=91&sid=106#:~:text=O%20Brasil%20%C3%A9%20um%20dos,freq%C3%BC%C3%AAncia%2C%20durante%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es%20sexuais.

LYNCH, Peter J. Pápulas e nódulos vermelhos. In: EDWARDS, LIBBY; LYNCH, PETER J. Manual e Atlas de Dermatologia Genital. 3. ed. 2021. cap. 7.

NETO, Cyro Festa et al. Dermatoses infecciosas – Zooparasitárias – Escabiose. In: NETO, Cyro Festa et al. Manual de dermatologia. 4. ed. rev. Barueri, SP. 2015.

WOLFF, KLAUS et al. DOENÇAS CAUSADAS POR AGENTES MICROBIANOS E POR ANIMAIS INVERTEBRADOS: Escabiose. In: WOLFF, KLAUS; JOHNSON, RICHARD A.; SAAVEDRA, ARTURO P. Dermatologia de Fitzpatrick: Atlas e texto. 7. ed. 2015. cap. 28.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

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