Alguma
vez você já passou pela situação de não conseguir intubar um paciente ou a
mesma não ser eficaz? Pois é, esse cenário pode virar um pesadelo e certamente
o desespero irá aparecer e atrapalhar a sua conduta médica.
Por
isso, é necessário conhecer o termo via aérea falha e como atuar imediatamente
nesse momento, que é aterrorizante até mesmo para os mais experientes.
1. Definição
A via aérea falha consiste na necessidade de uma técnica de resgate imediata pois a estratégia inicial utilizada falhou. Muitas vezes, essa situação pode ser o resultado de uma avaliação inapropriada da via aérea. Além disso, embora muitos utilizem erroneamente o termo via aérea falha como sinônimo de uma via aérea difícil (são questões anatômicas que dificultam a técnica), é necessário reconhecer que são conceitos diferentes mas que grande
parte das vezes estão sobrepostos, com relação de causa e consequência. A incidência de uma falha total é relativamente baixa e corresponde a menos de 1% das intubações. A falha é definida basicamente pela presença de qualquer uma dessas situações abaixo:
- Três tentativas de intubação orotraqueal sem sucesso;
- Dificuldade na manutenção de uma saturação de O2 acima de
93%, considerada aceitável, durante ou após a tentativa da laringoscopia.
2. Manejo
Imediato
Como
manejar essa situação?
É
simples… basta definir a urgência do quadro e ter em mente as duas seguintes maneiras
clínicas de apresentação:
- Não intuba, porém ventila: é uma situação menos grave, ou
seja, não há motivo para pânico pois já que o paciente está oxigenado por
métodos alternativos como bolsa válvula-máscara ou dispositivo extra-glótico, é
possível ter tempo adequado para avaliar a técnica, corrigi-la e pedir ajuda
aos mais experientes. - Não intuba e não ventila: é a situação mais grave e que
devemos temer, pois não há tempo suficiente para avaliar métodos alternativos,
necessitando assegurar uma via aérea avançada pela terapia de resgate, e muitas
vezes necessitando da ajuda de outras pessoas para separar os materiais do
procedimento. Essa apresentação é também conhecida entre os médicos como “NINO”.
2.1. Técnica
de Resgate
Diante da situação “NINO”, é possível tentar ventilar com dispositivos extraglóticos (DEG) desde que estejam prontamente disponíveis e ao mesmo tempo seja preparado o material da cricotireoidostomia, que deverá ser mandatória e imediata, caso não seja possível ventilar com os DEG. Nesse caso, as tentativas a partir de outros métodos irão prolongar a falta de oxigênio e gerar dano tecidual e lesão cerebral, que pode chegar ao óbito.
A cricotireoidostomia de resgate é um procedimento que pode ser realizado das seguintes formas: cirúrgica, técnica de Seldinger e por punção, sendo uma forma eficaz e rápida de garantir uma via aérea avançada. A técnica cirúrgica exige experiência no procedimento, e por isso, a técnica de Seldinger é muito utilizada pelos emergencistas, visto que a técnica é similar ao do acesso venoso profundo, procedimento rotineiro nas emergências. Logo, cabe a você optar por uma técnica ideal que respeite sua experiência e não gere danos ao paciente. E lembre-se: seja rápido nessa situação!
3. Prevenção
Antes mesmo de saber reconhecer e intervir nesses casos,
é importante saber prevenir através do reconhecimento prévio de uma via área
difícil (saiba mais em: https://www.sanarmed.com/identificacao-da-via-aerea-dificil-colunistas), na história clínica e no exame
físico durante a avaliação pré-intubação, para assim seguir as diretrizes de um
manejo adequado e por fim reduzir o risco de falha no procedimento.
E agora?
Se sente mais preparado para lidar com uma situação dessas? Conte aqui para
gente nos comentários!