O que explica a paixão? É possível se apaixonar mais de uma vez na vida? Leia o texto e conheça as respostas!
O que é a paixão? De Platão à Caetano Veloso, essa pergunta serviu como motivação para filósofos, pintores, sociólogos, biólogos e, é claro, médicos! Até o Fantástico do último domingo (15) abordou as relações amorosas, mais especificamente o primeiro amor.
A introdução já deixa claro o tema do texto, não é mesmo? Falaremos sobre o que é a paixão, abordando suas relações com a saúde, ciência e alterações em cada um de nós.
O que é se apaixonar?
Você já ouviu a expressão “a pergunta de um milhão de doláres”? Nenhuma outra poderia definir esta pergunta. O que uma série de cientistas têm feito, entretanto, é tentar definir possíveis compreensões do que é a paixão.
Em entrevista para o GaúchaZH, a médica Cibele Xavier definiu a paixão como “um estado fisiológico em que há uma intensa atividade cerebral e hormonal muito semelhante à do vício por uma droga”.
Há, por outro lado, uma indefinição sobre a definição real da paixão: ela é ou não é uma emoção?
Ainda que a paixão envolva uma série de hormônios sexuais e circuitos de motivação cerebral, ele também está ligado às áreas corticais de ordem superior, responsáveis pela cognição social.
Como saber se estou apaixonado?
Distante do que possa parecer, identificar a paixão pode não ser tão fácil assim. Segundo Cibele, o amor é dividido em três fases:
- Desejo – comandada por hormônios sexuais, é a fase em que a luxúria impera;
- Paixão – atração física e sexual, com a liberação da serotonina;
- Amor – liberação de hormônios de vínculo (vasopressina para homens e oxitocina para mulheres.
Identificar esses sinais, por sua vez, não é uma tarefa simples. A sinestesia é um dos principais indicadores da paixão.
Através do tato, visão, audição e os outros sentidos, o indíviduo pode passar a perceber mudanças em seu comportamento.
O que muda no organismo quando estamos apaixonados?
A liberação de hormônios na fase da paixão é um fenômeno estudado há anos por diversas correntes científicas.
O amor vicia? Bom, quando estamos apaixonados, as áreas responsáveis pelos circuitos de recompensa cerebrais são ativadas de maneira específica.
Essas regiões entram em movimento quando recebemos um prêmio, quando somos recompensados, agraciados, com aquilo que almejamos.
Para o El País, Larry Young, pesquisador de neurociência do comportamento estadunidense, destacou que o aumento de dopamina é uma das principais características dessa fase.
Esse caráter viciante, para alguns estudiosos, pode ser comparado ao causado por drogas como cocaína e heroína. Ao aumentar a endorfina, a adrenalina e outros hormônios, surgem mudanças no organismo dos apaixonados.
Quantas vezes posso me apaixonar na vida? Há um limite?
Cibele destaca que, segundo correntes de estudo europeias, a paixão tem prazo limitado: entre 1 e 4 anos de duração.
O que pode soar como um ultimato para os casais possui explicação científica. É que, além da paixão por si só, características externas à relação podem influenciar nesse prazo:
- Relacionamentos prévios;
- Distinções culturais;
- Quebras de expectativa.
Não existem estudos que determinem, com precisão, quantas vezes é possível se apaixonar em uma mesma vida.
Sugestões de leitura
É verdade que o primeiro amor é inesquecível?
Quantas vezes você já assistiu “Meu Primeiro Amor” e pensou sobre como seria impossível esquecer aquela primeira experiência amorosa?
O que é tema comum na ficção encontra raízes científicas. Amar pela primeira vez significa encontrar, também pela primeira vez, uma série de sensações novas. Há, neste momento, a abertura de um mundo de possibilidades desconhecidas até então.
Essa mistura de medo das novidades e excitação pelo desconhecido faz com que essas experiências se tornem inesquecíveis.
Outra explicação possível é a de que, como os primeiros amores tendem a acontecer na adolescência, fase em que nossa memória está em plena forma, é mais difícil que esqueçamos deles.
Fase da adolescência e o primeiro amor
A adolescência é a fase em que estamos vivenciando o desenvolvimento de nossas funções neurais e exercitando o desenvolvimento de nossa identidade. É nessa fase que determinamos nossos gostos, o que não nos agrada…
Mesmo que tais traços não façam mais parte de sua personalidade, você com certeza lembra da banda que gostava ou da peça de roupa que não vivia sem quando era adolescente, não é mesmo?
Com o primeiro amor acontece a mesma coisa: pegando o embalo hormonal característico da adolescência, ele vai ficar marcado em seu cérebro.
Fontes: GaúchaZH, Bustle, BBC, El País