Introdução
É de extrema importância que ocorra o contato pele a pele do recém-nascido com a mãe, sendo assim, a ideia do alojamento conjunto é fornecer condições para que essa interação ocorra imediatamente após o parto. De uma maneira geral, o alojamento conjunto é um sistema hospitalar que permite, após a finalização dos procedimentos da sala de parto que não podem ser adiados, o binômio mãe-filho ficarem juntos 24 horas por dia até a alta hospitalar. Vale ressaltar que só é possível realizar esse sistema quando o recém-nascido é sadio.
Vantagens
Esse sistema é utilizado desde 1970, sendo recomendado mundialmente devido ao benefício ofertado tanto ao binômio mãe-filho, quanto à família e a própria instituição hospitalar.
O Alojamento Conjunto permite um atendimento humanizado, facilitando o conhecimento mútuo do binômio, permitindo que as necessidades físicas e emocionais do recém-nascido sejam satisfeitas, além de ajudar a estabelecer um vínculo afetivo da mãe para com a sua criança de maneira mais precoce. Foi-se percebido que os pais se envolvem mais significativamente no cuidado da criança, reduzindo os casos de abuso, negligência e abandono.
Um dos melhores benefícios é a promoção do aleitamento materno, de forma que sua descida ocorre mais rapidamente, existe uma melhor aceitação quanto a importância do aleitamento, consequentemente ele acontece por um período maior.
Existe uma troca de experiências entre as mães presentes no quarto, em que as mais experientes são capazes de transmitir o conhecimento adquirido ao cuidar dos seus filhos mais velhos.
As mães, principalmente as primigestas, são capazes de aprender tanto com as enfermeiras e os médicos quanto com as outras mães presentes quais são os cuidados básicos dos seus filhos, melhorando a sua autoconfiança, permitindo que ela se sinta cada vez mais capaz de proporcionar o seu melhor para o seu filho.
Normas Básicas
Existem algumas normas básicas a serem seguidas para que possa ocorrer o alojamento conjunto, como, por exemplo, a mãe não deve ter nenhuma condição contraindicada ou que a impossibilite de ter contato com seu filho, além disso, ele deve estar com boa vitalidade, ser capaz de realizar a sucção e ter um controle térmico.
A equipe de saúde responsável pelo alojamento, deve incentivar o aleitamento materno de livre demanda, não permitindo que o recém-nascido tenha contato com qualquer outro tipo de alimento ou bicos artificiais. Além disso, ela deve orientas as mães presentes no alojamento que não devem amamentar outras crianças a não ser a delas mesmo, e não permitir que outra pessoa amamente o seu filho.
É importante que a equipe realize visitas diárias, para conseguir sanar qualquer possível dúvida que as mães tenham, transmitindo assim segurança as mesmas.
Boas Práticas
Os profissionais de saúde designados para o alojamento materno devem realizar um atendimento humanizado, acolhendo toda a família presente, ouvindo as possíveis queixas e preocupações, valorizando suas experiências pregressas e seus costumes. É importante a existência de uma comunicação eficiente e empática, em que o profissional seja capaz de transmitir todas as informações de uma maneira que a mãe e os acompanhantes sejam capazes de compreender, pois assim irão construir um laço de confiança e possivelmente será mais fácil da mãe dar continuidade ao plano de comportamento.
A equipe de saúde deve orientar sobre a importância da amamentação, que o recém-nascido não precisa de suplementação ao leite materno até os 6 meses, que é desaconselhado o uso de chupeta e mamadeira, explicar qual é o comportamento normal do bebê (por exemplo, elas costumam chorar quando estão com fome ou com cólica), que o melhor momento para que ocorra interação com o bebê é quando ele está no estado quieto-alerta (nessa hora ele consegue manter contato visual, determinar direção do som, seguir e alcançar objetos, reconhecer e mostrar interesse nas cores primárias, reconhecer a face materna nas primeiras 4 horas de vida), ensinar que a melhor posição para ele dormir é em decúbito dorsal e principalmente, ensinar a importância do acompanhamento médico da criança (o ideal seria que todos os recém-nascidos saíssem do hospital com a primeira consulta agendada), sendo de extrema necessidade que a caderneta da criança já seja preenchida com os dados do parto e as condições de nascimento.
Identificação de risco
Faz parte dos objetivos da equipe de saúde o reconhecimento de algumas características dos recém-nascidos que aumentam o risco de eles adoecerem e morrerem. Ela deve identificar já na maternidade, pois assim será capaz de priorizar o seu acompanhamento.
São considerados fatores de risco:
- Residência em área de risco
- Baixo peso ao nascer (> 2.500 gramas)
- Prematuridade (idade gestacional menor que 37 semanas)
- Asfixia grave (Apgar menor que 5 no quinto minuto)
- Necessidade de internação ou intercorrências na maternidade ou em unidade de assistência ao recém-nascido
- Necessidade de orientações especiais no momento da alta da maternidade
- Mãe adolescente
- Mãe com baixa instrução (menos de 8 anos de estudo)
- Historio de morte de criança com menos de 5 anos na família
Considerações finais
De uma maneira geral, sempre que for possível a mãe deve permanecer junto ao seu filho, os profissionais de saúdes devem ser capazes de recepcionar com empatia todos os envolvidos, desde os pais até os acompanhantes, de maneira que seja possível criar um laço de confiança entre a equipe e a família, pois assim será possível realizar um aconselhamento que de fato será seguido pelos parentes envolvidos.
Autora: Alice Loiz
Instragram: @aliceloiz
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
REFERÊNCIAS
Atenção à Saúde do Recém-Nascido, Guia para os profissionais de saúde. Cuidados gerais. 2ª edição atualizada.
Normas básicas para o alojamento conjunto. Ministério da saúde – grupo de defesa da saúde da criança