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Melasma gestacional: Uma abordagem súmula | Colunistas

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A gestação é um processo fisiológico, seu progresso se dá́, na maioria das vezes, sem intercorrências¹, todavia, mudanças durante esse período torna comum o aparecimento de melanodermias. Tais modificações cutâneas alteram a produção de melanina devido à estimulação de estrogênio e níveis acima do normal de hormônio estimulador de melanócitos durante o período gravídico.² Conquanto, o cloasma na gravidez tem maior probabilidade de estar associado aos hormônios femininos circulantes; no terceiro trimestre, os índices hormonais, como placentário, dos ovários e hipofisários, estão elevados e potencializam a melanogênese.³ Complementa-se à teoria a exposição ao sol e os fatores genéticos como etiologias que predispõe ao melasma.⁴

Mediante o contexto global epidemiológico, percebe-se que, 14,5% a 56% das mulheres em período gestacional desenvolvem a hiperpigmentação melanocítica.³  Um estudo realizado no Brasil demonstrou que, cerca de 29,2% de mulheres grávidas investigadas tiveram a primeira lesão de cloasma durante esse período.⁵ No decorrer de outro estudo transversal, pesquisadores encontraram que 52% dos relatos das pacientes estavam associados a indução do melasma durante a gravidez.⁶ Hexsel et al.⁵ deslindaram que, algumas áreas específicas da face foram mais acometidas pelo melasma, sendo a região malar correspondente a cerca de 90,1% dos casos e a frontal associada a 53,3% das hipercromias.⁵

D’Elia et. al.⁶ demonstrou que nenhuma paciente com cloasma tinha fototipo de pele I ou VI. Outrossim, esses pesquisadores analisaram a ascendência africana associada à hiperpigmentação da pele e ressaltaram que o melasma é menos prevalente em europeus e mais frequente em asiáticos e latino-americanos, que têm uma origem filogenética comum em migrações humanas da África.⁶ É de referir que a quantidade de melanócitos não varia no tocante às raças, assim, as diferenças de pigmentação não dependem do número, mas sim da capacidade funcional dos melanócitos.⁷ Logo, o número de melanócitos varia em diferentes áreas da pele, de acordo com a idade do indivíduo e o seu fototipo de pele.⁴

A semiologia dermatológica é crucial para o diagnóstico de melanodermias durante a gravidez, já que o reconhecimento é relativamente simples ⁸, porém, os atrasos no diagnóstico podem ser responsáveis pelo aumento da extensão do cloasma quando comparados com controles compatíveis em não grávidas. Ademais, alterações de nevos na gestação devem ser monitorados cuidadosamente usando critérios de diagnóstico convencionais para melanoma.² O uso da lâmpada de Wood é referenciado para a confirmação de melasma de padrão dermo-epidérmico.³

O tratamento precisa ser estratégico para obter resultados positivos ante o risco de cronicidade. Opções de clareamento mostram-se pouco eficientes e com custo elevado, a fotoproteção é a conduta indiscutível para a prevenção do quadro e tratamento.⁸ A terapia convencional conta com a hidroquinona tópica, porém, uma combinação tripla contendo tretinoína e esteroide é preferida. O ácido tranexâmico surge como promissor para o cloasma, mas ambos devem ser usados com cautela em gestantes.⁹ O fundamental é a fotoproteção, considerando os aspectos psicológicos, pode-se indicar sempre uma base corretora cosmética. ⁷  

REFERÊNCIAS

1 Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Nota técnica para organização da rede de atenção à saúde com foco na atenção primária à saúde e na atenção ambulatorial especializada – saúde da mulher na gestação, parto e puerpério. [livro online]. Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. São Paulo: Hospital Israelita Albert Einstein: Ministério da Saúde, 2019.56 p.: il.  Brasília: MCT; 2000. [citado em 20 mar 2021]. Disponível em: https://atencaobasica.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202001/03091259-nt-gestante-planificasus.pdf.

2 Friedman EB, Scolyer RA, Thompson JF. Management of pigmented skin lesions during pregnancy. Aust J Gen Pract [Internet].  setembro de 2019 [citado em 20 mar 2021];48(9):621-624. Disponível em: https://www1.racgp.org.au/ajgp/2019/september/management-of-pigmented-skin-lesions-during-pregna/ doi: 10.31128/AJGP-04-19-48952.

3 Filoni A, Mariano M, Cameli N. Melasma: How hormones can modulate skin pigmentation. J Cosmet Dermatol [internet]. abril de 2019 [citado em 20 mar 2021];18(2):458-463. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/jocd.12877 doi: 10.1111/jocd.12877.

4 Fernandez-Flores A, Barja JM, Vilas-Sueiro A, Alija A. Histopathological findings in pregnancy associated cutaneous hyperpigmentation. J Cutan Pathol [internet]. abril de 2018 [citado em 20 mar 2021];45(4):286-289. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/cup.13108 doi: 10.1111/cup.13108.

5 Hexsel D, Lacerda DA, Cavalcante AS, Machado Filho CA, Kalil CL, Ayres EL, Azulay-Abulafia L, Weber MB, Serra MS, Lopes NF, Cestari TF. Epidemiology of melasma in Brazilian patients: a multicenter study. Int J Dermatol [internet]. abril de 2014 [citado em 20 mar 2021];53(4):440-4. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/j.1365-4632.2012.05748.x doi: 10.1111/j.1365-4632.2012.05748.x.

6 D’Elia MP, Brandão MC, de Andrade Ramos BR, da Silva MG, Miot LD, Dos Santos SE, Miot HA. African ancestry is associated with facial melasma in women: a cross-sectional study. BMC Med Genet [internet]. fevereiro de 2017 [citado em 20 mar 2021];18(1):17. Disponível em: https://bmcmedgenet.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12881-017-0378-7  oi: 10.1186/s12881-017-0378-7.

7 Rivitti, Evandro A. Manual de dermatologia clínica de Sampaio e Rivitti. 1. Ed. São Paulo: Artes Médicas, 2014. 748 p.

8 Belletti MUM. Conhecimento, atitude e prática da equipe de saúde sobre melasma na gravidez. av.enferm.  [internet]. abril de 2018 [citado em 20 mar 2021]; 36(1): 40-49. Disponível em: http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0121-45002018000100040&lng=en.  https://doi.org/10.15446/av.enferm.v36n1.58896.

9 Saki N, Darayesh M, Heiran A. Comparing the efficacy of topical hydroquinone 2% versus intradermal tranexamic acid microinjections in treating melasma: a split-face controlled trial. J Dermatolog Treat. junho de 2018 2018 [citado em 20 mar 2021]; 29(4):405-410. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/09546634.2017.1392476?journalCode=ijdt20 doi: 10.1080/09546634.2017.1392476.

Autor: Danilo Gustavo

Instagram: @dgdanilog

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