Atualmente, vivenciamos uma época em que o médico trata apenas a doença e esquece do paciente, época esta em que a relação médico-paciente não existe mais. Notoriamente, há cada vez menos profissionais que se preocupam de fato com o paciente de forma individual. E o conceito de humanização do atendimento pressupõe justamente a visão do ser humano por trás da doença. Portanto, a medicina humanizada busca valorizar o contato médico-paciente, o olho no olho e o diálogo aberto mais simplificado durante a consulta.
Devemos entender que quando os pacientes nos procuram, significa que, ou ele padece de alguma doença ou suspeita estar com algum problema de saúde. Esse cenário nos indica que o paciente, em certos casos, encontra-se em um momento de fragilidade, insegurança, ansiedade, preocupação e de melancolia, necessitando, além da ajuda técnica, de um amparo e motivação para conseguir vencer a indisposição conduzida pela doença. Requisitos também indispensáveis para ultrapassar as barreiras emocionais do paciente. Consequentemente, a maneira como ele é atendido pelo médico faz toda a diferença no decorrer da consulta médica e durante o tratamento.
Se pensarmos bem, para o paciente, acreditar que existe uma pessoa que pode ajudá-lo nesse momento é de fundamental importância, pois confere uma sensação de tranquilidade e alívio, o que por conseguinte aumenta a possibilidade de um resultado mais eficiente na cura do paciente.
Nós, médicos, sempre devemos pensar: quem é ele ou ela? Em que contexto socioeconômico, cultural e religioso esse paciente vive? Será que seus familiares, amigos estão envolvidos no tratamento, o apoiam ou ele está sozinho? Estar interessado na pessoa por trás da doença é parte fundamental de um atendimento humanista.
E não só isso, vale salientar, também, a importância de uma linguagem mais simples com nossos pacientes. Por isso, devemos deixar de lado as terminologias médicas e as palavras difíceis, porque a consulta não é momento para demonstrar suas habilidades com um vocabulário médico e sim para solucionar as dúvidas do seu paciente de maneira leve e compreensível.
Deste modo, simplificarmos a linguagem de maneira que o Sr. Zé ou a Dona Maria realmente entenda o que você está falando é essencial, e ouvir seu paciente também. Em alguns casos, ele está ali desejando ouvir que está tudo bem, portanto, sejamos especialistas em gente. Transbordemos empatia.
Por fim, lembrem-se: primeiro o paciente, segundo o paciente, terceiro o paciente, e talvez, a seguir, possa vir a ciência. Estabelecer uma relação de confiança com seu paciente, falar sobre seu verdadeiro estado emocional e psicológico é de extrema importância dentro do contexto geral. Veja seu paciente como um todo, analise, observe além da doença, porque o bom médico trata a doença, já o grande médico trata o paciente que tem uma doença.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
REFERÊNCIAS:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302007000300003
https://medilab.net.br/2020/11/24/medicina-humanizada-o-que-e-e-como-aplica-la-no-dia-dia/