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Manejo de síndromes de gastrite incomum

pessoa com dores por gastrite

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Existem uma série de doenças gastroduodenais, mas, no que diz respeito à prevalência, as doenças ácido-péptica e a doença ulcerosa péptica, estão entre os distúrbios gastrointestinais que precisam ser reconhecidos com brevidade visando um bom prognóstico.Dentre essas condições, uma que apresenta alta prevalência e varia em relação ao prognóstico conforme a etiologia, está a gastrite. O artigo objetiva apresentar os tipos incomuns de gastrite e como você pode conduzir esses quadros.

Contextualização sobre gastrite

O termo gastrite se refere a inflamação que ocorre em uma área de mucosa que envolve o estômago, o esôfago e/ou o duodeno. Essa condição clínica é classificada a partir de critérios endoscópicos e histológicos que contribuem também para o seu diagnóstico.

Os sinais endoscópicos mais comuns na gastrite são o edema e o eritema localizado na mucosa, mas a histologia é indispensável para confirmar o diagnóstico.

Como agentes etiológicos mais comuns que provocam a gastrite, a infecção pela bactéria Helicobacter Pylori (H. pylori) possui uma maior prevalência, embora o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINES), o estresse e o consumo de álcool também sejam causas importantes. Independente do fator etiológico, o resultado da inflamação que gera a gastrite tende a ser ocasionada pela liberação de citocinas, prostaglandinas e outras substâncias químicas que atuam em resposta ao agente estressor.

A liberação de mediadores químicos provoca o aumento da permeabilidade vascular e o recrutamento de mais células inflamatórias que promovem danos teciduais à mucosa gástrica. A cronificação desses estímulos pode causar a atrofia da mucosa e gerar repercussões mais graves. Contudo, existem ainda outras formas de gastrite e é importante conhecê-las para conseguir diferenciá-las e tratá-las adequadamente.

Síndrome de gastrite eosinofílica: sintomas, diagnóstico e tratamento

A gastrite eosinofílica, também chamada de doença gastrointestinal eosinofílica, diz respeito a uma síndrome crônica e imunomediada caracterizada por uma inflamação patológica crescente provocada por eosinófilos.

Nessa síndrome, os sintomas são clinicamente semelhantes aos das gastrites comuns, ou seja: dor epigástrica ou no quadrante superior esquerdo, com possível irradiação, vômitos, sensação de saciedade precoce e náuseas.

Cerca de 70% dos pacientes que possuem essa síndrome tem o histórico de doenças alérgicas como asma, eczema ou rinite. Na coleta do histórico do paciente, é importante ainda interrogar sobre dieta e uso de suplementos naturais para descartar outras causas.

Para realizar o diagnóstico, é preciso solicitar uma biópsia para analisar a histologia do tecido. Como achados desse exame, a presença de infiltrados extensos de eosinófilos atingindo a mucosa, a submucosa e a camada muscular.

O tratamento deve utilizar corticoides como a prednisona quando o caso for de origem idiopática. Se for identificado qualquer processo obstrutivo, principalmente do piloro, cirurgia pode ser recomendada.

Como diagnósticos diferenciais para essa doença, você deve pensar em infecções intestinais, síndrome hipereosinofílica, poliarterite nodosa e câncer gástrico, pensando sempre em correlacionar os achados com a história clínica.

Gastrite autoimune: sintomas, diagnóstico e tratamento

A gastrite autoimune é uma forma de metaplasia crônica de gastrite atrófica que resulta da substituição da mucosa gástrica por um tecido atrófico e metaplásico. Ela está associada a produção de autoanticorpos que promovem a destruição da mucosa.

Essa alteração da mucosa provoca gradualmente a redução ou destruição do ácido gástrico e da produção de pepsina, além da perda do fator intrínseco – o que leva a anemia perniciosa, que é uma forma severa de deficiência da vitamina B12.

A gastrite autoimune, assim como grande parte das gastrites, pode permanecer assintomática durante longos períodos até começar a manifestar sintomas devido a gravidade progressiva do quadro sem tratamento.

Contudo, os pacientes com esse tipo de gastrite podem apresentar dispepsia com estresse pós-prandial.

A investigação do quadro requer a avaliação dos níveis séricos da vitamina b12 (geralmente baixos nesse quadro), a presença de anemia por deficiência de ferro, os níveis séricos de gastrina (elevados nesse contexto) e a diminuição de pepsinogênio.

Além desses exames laboratoriais, deve-se solicitar a endoscopia e biópsia como métodos diagnósticos.

O tratamento para essa doença é basicamente uma série de medidas para controlar os sintomas gastrointestinais e a anemia, pois não existe cura conhecida para essa condição. Em caso de infecção, pode-se utilizar antibióticos.

A gastrite autoimune apresenta um risco aumentado para câncer, especialmente para tumores neuroendócrinos gástricos (carcinóide) ou adenocarcinomas gástricos, por isso é importante tratar e manter os pacientes em vigilância constante.

Gastrite granulomatosa: sintomas, diagnóstico e tratamento

Um granuloma é um agregado de infiltrados inflamatórios composto por componentes histiocítico, linfocítico e plasmocitário. Quando esse conjunto é encontrado no estômago, nos referimos a ele como gastrite granulomatosa.

Essa é uma condição muito rara e que pode ser subclassificada baseada em sua etiologia: infecciosa, não infecciosa e idiopática.

As causas mais comuns de gastrite granulomatosa foram a doença de Crohn, sarcoidose, infecção crônica por H. Pylori e complicações de úlcera péptica.

Como sintomas, além da dor abdominal, náusea e vômitos, o paciente pode apresentar uma perda progressiva de peso. Diante da presença de doença de Crohn, o paciente também pode sofrer com diarreia devido ao envolvimento intestinal provocado pelo Crohn.

O diagnóstico depende de endoscopia e biopsia.

Na endoscopia, são alguns possíveis achados:

  • Eritema
  • Erosões da mucosa
  • Hipertrofia rugal
  • Obstrução luminal

Caso nenhum desses sinais sejam encontrados na endoscopia, ainda assim deve-se solicitar a biopsia, já que alguns granulomas não são perceptíveis na endoscopia. A colonoscopia também pode ser solicitada como exame complementar.

O tratamento depende exclusivamente da determinação do agente etiológico identificado pela biopsia, mas podem ser ofertadas medicações para tratar os sintomas até a determinação da causa.

Síndrome de Ménétrier: sintomas, diagnóstico e tratamento

A Síndrome de Ménétrier é o transtorno gástrico mais comumente associado a perda de proteína. Por conta disso, ela também é chamada de gastropatia hipertrófica perdedora de proteína.

Essa é uma doença rara, mas com potencial maligno significativo se não tratada com brevidade. Ocorre principalmente na faixa etária dos 40 a 60 anos, em homens e mulheres.

A tríade que caracteriza essa doença envolve:

  1. Pregas gástricas gigantes no corpo e no fundo gástrico;
  2. Hipoalbunemia;
  3. Hiperplasia foveolar.

As causas etiológicas para essa síndrome podem variar entre doenças gastrointestinais erosivas como doença de Crohn ou colite ulcerativa; doenças gastrointestinais não erosivas como a amiloidose; ou doenças com alterações do fluxo linfático.

Além dos sintomas gastrointestinais, o paciente pode apresentar edema periférico. Porém, em geral, os sintomas estão mais associados a causa etiológica.

Deve-se realizar a suspeita em pacientes com edema e hipoalbunemia que não tenham outra razão identificável para perda de proteína, porém é o aumento do clearance de alfa-1-antitripsina que determina o diagnóstico.

Como em todas as gastrites, a endoscopia e a biópsia são indispensáveis. Em pacientes com algum histórico de doença cardíaca, deve-se ainda solicitar ecocardiograma.

O tratamento para essa síndrome é medicamentoso e envolve o uso de cetuximabe, octerotide e bloqueadores de H2 como a Cimetidina. Além disso, deve-se recomendar dieta com baixa ingesta de gordura e alta ingesta de proteína.

Quando a abordagem clínica do tratamento é insuficiente e/ou observa-se sinais de malignização da doença, a cirurgia deve ser indicada – nesse caso, a gastrectomia total.

Diagnóstico diferencial de síndromes de gastrite incomuns

Como vimos, a maior parte das síndromes de gastrite incomuns tem origem ou estão fortemente associadas a outros distúrbios ou doenças gastrointestinais. Por isso, os diagnósticos diferenciais mais comuns às essas síndromes são:

  • Infecção por H. Pylori;
  • Doença de Crohn;
  • Gastrites associadas a vasculites;
  • Gastrite induzida por estresse.

É válido lembrar que cada um dos tipos de gastrite incomuns que apresentamos nesse artigo precisam ser diferenciadas. Para isso, marcadores mais específicos que cada uma delas possuem como a deficiência de vitamina B12, por exemplo, devem ser observadas.

Gestão a longo prazo dos casos de síndromes de gastrite incomuns

A gestão dos casos de qualquer uma das condições que compõem a síndrome de gastrite incomum deve ser baseada primeiramente no diagnóstico etiológico. Contudo, de forma geral, é preciso tratar os sintomas enquanto os resultados dos exames não estiverem disponíveis.

Após identificar a causa etiológico e iniciar o tratamento adequado, é preciso garantir um acompanhamento longitudinal regular para verificar aspectos como adesão terapêutica e eficácia do tratamento.

Um outro ponto importante é a recomendação de modificações no estilo de vida, principalmente se o paciente possui histórico de tabagismo ou etilismo, visto que ambas as condições podem agravar o quadro inflamatório e ter repercussões em outros sistemas.

Para isso, pode ser necessário o envolvimento de outros profissionais para estabelecer uma abordagem multidisciplinar que inclua acompanhamento nutricional, psicológico e atividade física, por exemplo.

Por fim, é necessário estar atento a outras condições e comorbidades que o paciente apresente e que possa sofrer interferência pelo tratamento da gastrite.

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Referências

  • JAMESON, L. J et al. Medicina Interna de Harrison. 20 ed. Porto Alegre: AMGH, 2020.
  • GOLDMAN, L; AUSIELLO, D. Cecil Medicina. 23 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
  • JENSEN, P. J. Metaplastic atrophic gastritis. Uptodate. Set, 2022.
  • FELDMAN, M; LAMONT, J.T. Granulomatous gastritis. Uptodate. Jan, 2023.
  • BROWNELL, J. Protein-losing gastroenteropathy. Uptodate. Out, 2023.

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