Confira nesse resumo a introdução, anatomia, avaliação da via aérea, indicação da IOT, materiais básicos e a técnica da Intubação Orotraqueal.
- Introdução
A Intubação Orotraqueal é uma das técnicas mais antigas da medicina capaz de garantir uma via aérea definitiva. Em 1677, Robert Hooke, um cientista inglês, apresentou a técnica da intubação traqueal, que foi sendo aprimorada ao longo da história.
É um procedimento médico caracterizado introdução de um tubo específico pelo trajeto da via aérea superior (boca – laringe – traqueia) do paciente, utilizando o laringoscópio para visualização da laringe e cordas vocais, com posterior passagem do tubo pelo trajeto.
2. Anatomia
Conhecer a anatomia das vias aéreas superiores é fundamental para a realização correta da IOT.
- Boca: a cavidade oral é limitada na parte superior em sua porção anterior pelo palato duro e posteriormente pelo palato mole. Seus músculos inserem-se no osso hioide, no maxilar inferior e na apófise do ligamento estilo-hióideo.

- Nariz: é composto de ossos, cartilagens, tecido fibrogorduroso e pele. É divido pelo septo nasal em narina direita e esquerda, através das quais se alcança a fossa nasal direita e esquerda. Em suas paredes laterais, identificam-se os cornetos superiores, médios e inferiores, onde se determina o ponto de maior estreitamento das fossas nasais.

- Nasofaringe: localizada na região posterior onde as fossas nasais se unem. Compreende a região da coana nasal até o final do palato mole.
- Orofaringe: região que vai do final do palato mole até a inserção da base da língua. Nas paredes laterais da orofaringe, encontram-se as amídalas palatinas, limitadas pelos pilares amidalianos anteriores e posteriores.
- Laringofaringe: região que compreende da base da língua até a entrada da laringe, onde ocorre a separação das vias aérea e digestiva.

- Laringe: localiza-se anteriormente a quarta, quinta e sexta vértebras cervicais no adulto e nas crianças no nível das segunda e terceira vértebras cervicais. É composta por nove cartilagens, três pares e três ímpares (pares: aritenoides, corniculadas e cuneiformes; ímpares: tireoide, cricoide e epiglote).

- Traqueia: possui cerca de 2,5 cm de diâmetro e 10 a 13 cm de comprimento, no adulto, estendendo-se da laringe até a carina. No adulto, a traqueia forma com o brônquio principal direito um ângulo entre 20 e 25° e, com o brônquio principal esquerdo, entre 40 e 45°.

3. Avaliação da via aérea
Algumas características anatômicas são avaliadas para prever a facilidade de intubação do paciente. Existem duas escalas muito utilizadas com esse fim: classificação de Mallampati e Cormak.
A escala de Mallampati gradua em 1 à 4, sendo 4 a classificação com maior dificuldade para IOT.
| Classe 1: visualização do palato mole, úvula e pilares |
| Classe 2: visualização do palato mole e úvula |
| Classe 3: visualização do palato mole e base da úvula |
| Classe 4: não é possível identificar o palato mole |
A classificação de Cormak é baseada na visualização da laringe com o laringoscópio, sendo o grau IV considerado o mais difícil.
| Grau I: visualização da epiglote e cordas vocais |
| Grau II: visualização da epiglote e comissura posterior |
| Grau III: visualização somente da epiglote |
| Grau IV: não é possível visualizar o palato mole |
4. Indicações da IOT
As indicações mais comuns da IOT são:
- Rebaixamento do nível de consciência;
- Insuficiência respiratória;
- Trauma de face;
- Edema de glote;
- Atenuar o risco de aspiração do conteúdo gástrico;
- Facilitar a aspiração traqueal;
- Facilitar ventilação sob pressão positiva.
5. Materiais básicos
| Dispositivo bolsa-valva-máscara |
| Cânula de IOT com cuff |
| Fio-guia |
| Luvas |
| Laringoscópio |
| Seringa de 20 mL |
| Lubrificante |



6. Técnica
1 – Posicionamento do paciente (hiperextensão cervical com colocação de coxim)
2 – Seleção da cânula (7,5 a 8 para mulheres, 8 a 9 para homens) e teste do cuff.
3 – Introdução lenta do laringoscópio com a mão esquerda e deslocamento da língua para a esquerda até visualização da epiglote.

4 – Posicionamento da lâmina do laringoscópio na valécula.
5 – Elevação da valécula com o laringoscópio até visualização das cordas vocais.

6 – Introdução do tubo orotraqueal.
7 – Insuflação do cuff.

8 – Checagem da IOT: ausculta durante ventilação com dispositivo bolsa-valva.
Para avaliar o êxito da IOT, deve-se realizar auscultas gástrica e pulmonar na seguinte ordem:
- Estômago: determinar ausência de ruídos durante a ventilação, o que indicaria que o esôfago foi intubado.
- Base pulmonar esquerda: confirmar a presença de murmúrios caso o tubo esteja locado em algum brônquio-fonte (é mais comum que seja no direito, devido ao seu ângulo).
- Base pulmonar direita.
- Ápice esquerdo.
- Ápice direito.
Outro parâmetro para checar o êxito da IOT é o capnógrafo, que detecta a concentração de CO2 no ar exalado e envia essa informação para um monitor. Disponível apenas em unidades de terapia intensiva.
Confira o vídeo:
REFERÊNCIAS
Neto A., Dias R., Velasco I. Procedimentos em Emergências. FMUSP. 2ª Ed. Manole, 2016.
Geretto A., Tardelli M., Machado F., Yamashita A. Anestesiologia e Medicina Intensiva. Unifesp. Manole, 2011.