Introdução

As infecções do trato urinário, popularmente conhecidas como ITUs, estão entre as infecções bacterianas mais comuns nas mulheres adultas. Atualmente, estima-se que 1 em cada 2 mulheres passem por um processo de ITU pelo menos uma vez durante sua vida reprodutiva e nas mulheres pós-menopausa esse número sobe para 6 em cada 10 pacientes (Eriksson et al., 2010).
As ITUs costumam atingir, mais frequentemente a parte baixa do trato urogenital, sendo o principal alvo a uretra e em alguns casos envolve também a bexiga, contudo em alguns pacientes mais graves esses microorganismos avançam pelo trato genital alcançando a parte de rins e ureteres causando uma ITU da porção alta do trato urogenital.
As ITUs são uma das principais patologias responsáveis que levam as mulheres a procura de um médico, estima-se que por ano ocorram quase 7 milhões de visitas ao consultório médico onde a queixa principal e a ITU e 1 milhão de atendimentos nos serviços de urgência e emergência (Foxman,2003).
O processo patogênico da ITU ocorre quando existe uma alteração patológica na microbiota da região periuretral, com o surgimento e substituição das bactérias ali residentes por bactérias patogênicas, esse desequilíbrio ocorre principalmente devido a alterações imunes, como estresse, imunodeficiência, doenças auto-imunes ou por maus hábitos de higiene da região genital e anal, principalmente na limpeza após urinar ou defecar.
Dentre as bactérias envolvidas no processo da ITU, a que mais afeta as mulheres é a Escherichia coli. Ela é responsável, segundo alguns estudos, em 80% das infecções urinárias em todo o mundo.
Outros patógenos significativos que merecem ser citados são: Staphylococcus saprophyticus, Klebsiella pneumoniae e Proteus mirabilus, esses ocorrem em menor frequência em relação a E.coli, porém são de grande relevância médica após a exclusão da primeira. (European Association of Urology, 2017).
Os sintomas básicos de uma infecção do trato urinário, principalmente com o envolvimento de suas partes baixas são: urgência miccional, febre, hematúria, aumento da frequência urinária, noctúria, disúria e dor localizada (porção inferior do abdome). A de febre associada a sensibilidade e a dor localizada (hipocôndrio e/ou fossas ilíacas e flancos) com a presença de sinal de Giordano positivo vai nos mostrar o comprometimento do trato urinário superior.

Fatores de Risco para ITUs
Um dos principais fatores de risco para ITUs é o sexo feminino, devido a questões anatômicas pelo menor tamanho do canal uretral feminino comparado ao masculino e a proximidade do óstio da uretra com a vagina e com o ânus.
Outros fatores relevantes são os fatores comportamentais, como múltiplos parceiros sexuais, uso de espermicida no diafragma, novo parceiro sexual, não uso de preservativo, uso descontrolado de antibióticos, ITUs em idade precoce.
Fisiopatologia para ITU
A fisiopatologia para a infecção do trato urinário consiste no patógeno, normalmente oriundo da região anal, colonizar a região da uretra distal da genitália feminina e gradualmente ir ascendendo pelo trato genital, atingindo uretra, bexiga, ureteres e até os rins, causando o processo infeccioso. Em casos mais raros, contudo, além dessa via clássica de ascensão pelo trato urogenital, as bactérias patogênicas podem disseminar-se por vias hematogênicas ou linfáticas.
Classificação
Basicamente existem 2 classificações para as infecções do trato urinário, complicada e não complicada. A ITU Complicada ocorre principalmente em pacientes com diabetes, pacientes grávidas, com falência renal ou obstrução do trato urinário, com a presença de sonda vesical de demora, com disfunções anatômicas e pacientes com imunossupressão ou com transplante renal. No que lhe concerne, a ITU não complicada é aquela que atinge principalmente mulheres saudáveis, sem anomalias do trato urinário (estruturais e funcionais) e sem a presença de gravidez.
Uma variação importante das infecções do trato urinário é a ITUR, a infecção recorrente do trato urinário, essa segundo a Associação Europeia de Urologia, define-se com dois episódios de infecção urinária nos últimos seis meses ou três, ou mais nos últimos 12 meses e ela afeta um quarto das mulheres que já tem histórico de infecção urinária.
Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico consiste basicamente na história clínica da paciente seguida por um exame físico detalhado e se necessário a solicitação de alguns exames complementares, o principal objetivo dessa abordagem seria identificar a presença ou não de fatores de risco e estabelecer conduta e orientações para o manejo daquela paciente. Os exames urinários podem ser dispensáveis em casos de ITUs não complicadas, pois se tem já um conhecimento da natureza dos patógenos causadores do problema, contudo em pacientes com ITUR ou ITUs complicadas indica-se cultura de urina, antibiograma e sedimentação coronária quantitativa para uma melhor avaliação do caso.
O tratamento das infecções do trato urinário sintomáticas vai requerer o uso de antibióticos, os mais indicados são:

É válido ressaltar que em casos de qualquer critério clínico de gravidade, falha do tratamento ambulatorial, presença de doença concomitante grave e sinais de pielonefrites em pacientes não graves é necessária a hospitalização
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Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
1. Febrasgo – Tratado de Ginecologia – https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595154841/
2. Manejo e tratamento da infecção urinaria – Comissão municipal de controle de infecção em serviços de saude Contagem – MG (CMCISS) – http://www.contagem.mg.gov.br/arquivos/downloads/manejo_e_tratamento_de_infeccao_urinaria.pdf