Os impactos da pandemia do novo coronavírus foram altíssimos na área da saúde. Clínicas e hospitais precisaram mudar completamente suas rotinas de funcionamento. Para atender o maior número de pacientes e as recomendações dos órgãos competentes. Com isso, já são mais de 1 bilhão de procedimentos médicos não realizados desde o início da pandemia no Brasil.
Os dados são do Conasems (Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde). E se referem a rede pública de saúde.
Os impactos também foram sentidos pelos planos de saúde. De acordo com o Mapa Assistencial da Saúde Suplementar, houve uma redução de consultas médicas (25,1%), de internações (14,7%), de exames diagnósticos de câncer (-28,3%) e vários outros atendimentos.
Para além dos dados, o fato é que essa situação chama atenção para dois pontos. O perigo que os pacientes correm das doenças se agravarem. E a demanda reprimida para o próximo ano, principalmente na rede pública.
Afinal, mesmo com a retomada gradual das cirurgias eletivas e consultas especializadas, a demanda já é altíssima.
Cenário atual de atendimento de saúde no Brasil
Os atendimentos que foram suspensos na pandemia estão sendo retomados gradativamente nos estados brasileiros. Devido ao avanço da vacinação e a queda no número de internações por Covid-19. Mas o cenário não é dos melhores.
Há uma fila de espera por 130 mil cirurgias eletivas e 345 mil consultas com especialistas. Isso apenas no município de São Paulo. De acordo com uma reportagem da Folha de S. Paulo.
As suspensões ocorreram pela necessidade de priorizar o uso de medicamentos para pacientes de covid-19 internados nas UTIs. Relaxantes musculares, anestésicos e bloqueadores entraram nessa conta.
Pesquisas de clínicas especializadas de Mogi das Cruzes (SP) apontam a situação preocupante do tratamento de câncer. Uma parcela considerável de pacientes estão com receio de retomar os tratamentos. A motivação para esse comportamento é o medo de se contamina pela Covid-19.

Os tratamentos de prevenção, principalmente a realização de exames preventivos, também foram deixados de lado.
43% das pessoas reduziram idas ao médico e realização de exames. O dado é fruto de uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e pela Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL.
Segundo o estudo da SBPC/ML e da CBDL, entre os exames mais adiados ou feitos em menor frequência são:
- Sangue (30%)
- Mamografia (27%)
- Preventivo de colo de útero e urina (24%)
- Eletrocardiograma (23%).
Os exames que tiveram sua rotina de realização menos alterada foram Raio X, Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada (90%).
Os descuidos com a saúde já trazem resultados desfavoráveis. É o que explica Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, presidente da SBPC/ML, ao portal R7.
“Pacientes chegando aos hospitais com quadros avançados de infarto. Acidente vascular cerebral, processos infecciosos, ou até mesmo vindo a falecer em domicílio”, pontuou Carlos Eduardo.
Impactos financeiros da pandemia na área de saúde
As contas econômicas das mudanças devido a pandemia já começaram a surgir. Os hospitais, clínicas e laboratórios devem buscar recuperar os recursos perdidos nos próximos meses.
A queda na realização de procedimentos foi de 59,8% em relação a 2019. É o que apontou a pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para a Saúde (Abraidi).
92% dos empresários fornecedores de insumos para o setor de saúde tiveram que fazer ajustes para enfrentar a crise. É o que mostrou o levantamento, que analisou 300 empresas. A queda no faturamento durante o ano de 2020 foi de, em média, 50,8% em relação ao ano anterior.
Os planos de saúde também sofrem com os impactos da pandemia, principalmente com relação as coberturas empresarias. Afinal, a taxa de desemprego aumentou consideravelmente na pandemia.
Além disso, teve também reajuste de planos de saúde individuais (-8,19%) em 2021. Ou seja, redução na mensalidade dos planos de saúde. Situação que é fruto da a queda das despesas assistenciais no ano anterior.
Qual o futuro da área de saúde diante deste cenário?
Os maiores desafios da saúde brasileira serão enfrentam as síndromes pós-covid e o agravamento das doenças prevalentes. Claro, em um contexto epidemiológico mais favorável.
Em entrevista ao R7, o médico sanitarista Walter Cintra Ferreira Junior fez uma análise de como enfrentar esses desafios. Para ele, será necessário uma força-tarefa no sistema de saúde. Para identificar os pacientes, fazer triagem, repriorização de casos e criar condições para eventualmente realizar mutirões, além de mobilizar recursos.
E em relação a retomada total dos atendimentos, a previsão é que acontece no início do ano que vem. Segundo uma avaliação de Mauro Junqueira, secretário-executivo do Conasems. O secretário levou em conta que dentro deste período toda população estará vacinada.
Já existem projetos em curso para controlar a alta demanda pós-retomada. Um deles é o do Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde). Cujo o objetivo é contribuir para regulação de filas de espera de consultas especializadas.
Além de tudo isso, é provável que aconteça um encolhimento no número de operadoras de saúde ativadas. Grande parte por causa de fusões e aquisições.
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