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Hipertensão Arterial Sistêmica na atenção básica à saúde | Colunistas

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Introdução – O que é a hipertensão arterial?

A hipertensão arterial é uma condição multifatorial e sistêmica causada por alterações nas pressões sistólica e diastólica. É uma doença crônica não transmissível (DCNT) sendo considerada um grave problema de saúde pública mundial no século XXI.

Ela define-se pela elevação persistente da pressão arterial no qual a sistólica é maior ou igual a 140 mmHg e a diastólica é maior ou igual a 90 mmHg. Essas aferições da pressão devem ser realizadas seguindo corretamente a técnica e devem ocorrer em 2 momentos diferentes e na ausência do uso de medicações de efeito anti-hipertensivo, uma vez que essas podem mascarar os valores pressóricos, atrapalhando um possível diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS).

Existem 3 métodos para a realização dessas aferições o MAPA, ou MRPA e o AMPA:

  • MAPA: Monitorização ambulatorial da pressão arterial.
  • MRPA: Monitorização residencial da pressão arterial.
  • AMPA: Automedida da pressão arterial.

É importante ressaltar que a HAS é uma doença assintomática e silenciosa que quando não tratada pode evoluir com péssimo prognóstico sendo uma doença responsável por grande número de óbitos, de internações e de incapacitações.

A HAS possui fatores de risco multifacetados que envolvem questões genéticas, epigenéticas, sociais e ambientais, são eles:

  • A propria genetica; A idade; O sexo; A etnia; Questões envolvendo sobrepeso e/ou obesidade; Alta ingesta de sódio e potássio; Hábitos de vida sedentários; Consumo de bebidas alcoólicas; Menor escolaridade; Baixa renda familiar; Condições precárias de habitação; Alguns medicamentos e drogas ilícitas; Apneia obstrutiva;

A hipertensão arterial é uma doença da modernidade e sua prevalência ganha ,paulatinamente, mais relevância os dados aumentam ano a ano, estima-se que o número de pessoas com essa doença variam entre 22,3% e 43,9% da população brasileira, e que ultrapasse os 30% de acometidos na população mundial.

Segundo a Política Nacional de Atenção Integral à HAS e DM do Ministério da Saúde, o valor de 35% de enfermos foi utilizado para a população acima dos 40 anos. Essa doença tornou-se um grande fardo para os sistemas de saúde, no Brasil ao longo das últimas décadas 77% dos custos com hospitalizações de doença arterial coronária são representados por doenças cardiovasculares decorrentes de complicações causadas pela Hipertensão Arterial.

Determinantes de hipertensão arterial:

Fonte: Carey et al. 2008.

A hipertensão arterial possui como classificação a pré-hipertensão a HAS estágio 1, HAS estágio 2 e a HAS estágio 3.

  • A pré-hipertensão é aquela onde encontra-se a pressão sistólica entre 130 e 139 mmHg e a pressão diastólica entre 85 e 89  mmHg.
  • O estágio 1 é aquele onde encontra-se a pressão sistólica entre 140 e 159 mmHg e a pressão diastólica entre 90 e 99  mmHg.
  • O estágio 2 é aquele onde encontra-se a pressão sistólica entre 160 e 179 mmHg e a pressão diastólica entre 100 e 109  mmHg.
  • O estágio 3 é aquele onde encontra-se a pressão sistólica igual ou maior a 180 mmHg e a pressão diastólica igual ou maior a 110 mmHg.

Caso Clínico – Como a hipertensão faz-se presente na atenção básica?

B.O.B, 67 anos, pardo, natural e procedente de Jaboatão dos Guararapes, viúvo, motorista aposentado chega a unidade saúde da família Curado IV-II para sua consulta de rotina, desde os 45 anos de idade faz acompanhamento com o médico de família e comunidade para controlar sua hipertensão e seu diabetes, já precisou ser internado 2 vezes em decorrência de complicações de suas DCNT, mas desde então vem fazendo o acompanhamento corretamente. Chega a unidade de saúde sem queixas com a intenção apenas de conversar com a médica de família para saber como dar continuidade ao seu tratamento, contudo ao ter sua pressão aferida a médica percebe que ele está com uma urgência hipertensiva, sua PA está 180 mmHg por 120 mmHg, a médica preocupada com a situação fez uso de captopril e aguarda a estabilização do paciente. Após estabilizar o paciente, ela orienta sobre a urgência hipertensiva, vê os medicamentos em uso pelo paciente, renova o receituário e remarca o próximo encontro para 3 meses depois.

Urgência e Emergência Hipertensiva: São situações clínicas em que há elevação acentuada da pressão arterial, normalmente esses valores são iguais ou maiores que 180 na sistólica e que 120 na diastólica.

Na urgência hipertensiva não existe risco de lesão de órgãos alvos nem de morte iminente. Contudo na emergência hipertensiva, o risco de morte e as lesões estão presentes sendo essa um caso de maior risco que necessita de maior atenção da equipe médica. Ela pode ter sua manifestação em um evento cardiovascular, cerebrovascular ou renal, e em casos de gestantes como quadros de pré-eclampsia e eclampsia.

O prognóstico da urgência e da emergência hipertensiva é favorável desde que seja tratada e acompanhada da forma correta, nos casos onde isso não é feito estima-se que a letalidade chegue até 80%. É válido ressaltar que a sobrevida em 5 anos é maior em indivíduos com urgência hipertensiva do que com emergência hipertensiva, devido a gravidade dessa.

Fluxograma de crise hipertensiva:

Fonte: Adaptada de Whelton et al., 2018.

Conclusão

Logo, é visto que a hipertensão arterial é um grave problema de saúde pública da nossa sociedade, é uma doença que liga-se intrinsecamente a fatores da modernidade como má-alimentação, sedentarismo, consumo de álcool e drogas e situações de grande estresse.

É um distúrbio que não tem cura, contudo é possível tratar, acompanhar e controlar, vivendo bem com essa questão ao longo da vida, o tratamento farmacológico é de fácil acesso, principalmente na rede pública e o tratamento não farmacológico consiste nas mudanças de estilo de vida. O tratamento farmacológico pode ser feito de diversas maneiras, as mais comuns são:

  • A monoterapia em casos de pacientes pré-hipertensos de alto risco e  pacientes muito idosos ou frágeis, deve-se usar um dos medicamentos das classes dos beta bloqueadores de cálcio (BBC), dos inibidores da ECA (IECA), dos bloqueadores de receptores da angiotensina (BRA) e dos diuréticos tiazídicos (DIU);
  • Em seguida, se necessário, faz-se a combinação de dois fármacos, muito usadas em HAS estágio 1 de risco moderado ou alto e HAS nos estágios 2 e 3, nesses casos as combinações mais comuns são IECA ou BRA + BBC ou DIU
  • A combinação de três fármacos é usada quando a monoterapia ou a utilização de dois fármacos não atinge as expectativas, nesse caso a combinação é IECA ou BRA + BBC + DIU.
  • Por fim, se necessário pode-se adicionar uma quarta droga nos casos não controlados, a Espironolactona, nesse caso o médico de família e comunidade deve adicionar esse novo medicamento e fazer o referenciamento do paciente para um especialista para um melhor tratamento.

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

1. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020: Realização – Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA-SBC), Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

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