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Hesitação vacinal e o retorno do sarampo: desafios para o pediatra e o papel do programa nacional de imunizações

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Hesitação vacinal: confira o artigo do Dr. José Antônio Faria, médico pediatria e coordenador da pós em pediatria da Sanar!

O sarampo, uma das doenças infecciosas mais contagiosas, tem ressurgido globalmente, impactando países que haviam alcançado sua eliminação. Este fenômeno está estreitamente ligado à hesitação vacinal, caracterizada pela recusa ou adiamento da vacinação, apesar da disponibilidade dos serviços de imunização.

A vacinação contra o sarampo e outras doenças imunopreveníveis é essencial para garantir a saúde pública, especialmente no Brasil, onde o Programa Nacional de Imunizações (PNI) desempenha papel crucial na proteção das crianças.

O ressurgimento do sarampo: uma ameaça global

Dados recentes mostram um aumento alarmante nos casos de sarampo em todo o mundo. Em 2023, mais de 10 milhões de pessoas contraíram a doença, com aproximadamente 108 mil mortes registradas. Nos Estados Unidos, os casos de sarampo em 2024 quase dobraram em comparação ao ano anterior, com a maioria dos estados não atingindo a cobertura vacinal de 95% necessária para prevenir surtos.

No Brasil, após um longo período sem transmissão, 2025 marcou o retorno de casos de sarampo no Estado do Rio de Janeiro, sinalizando uma preocupação crescente entre pais e profissionais da saúde.

O que é hesitação vacinal e quais são seus fatores contribuintes?

A hesitação vacinal é um fenômeno complexo, multifatorial, que contribui significativamente para o ressurgimento de doenças controladas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os principais fatores incluem:

  • Perda da percepção de risco para doenças que estavam sob controle, como o sarampo.
  • Desabastecimento de vacinas e problemas logísticos nos postos de saúde.
  • Horários de vacinação incompatíveis com a rotina das famílias.
  • Complexidade do calendário vacinal, que exige múltiplas visitas aos postos.
  • Informações falsas sobre a segurança e eficácia das vacinas.

A pandemia de COVID-19 agravou ainda mais o cenário, pois causou uma sobrecarga nos sistemas de saúde e aumentou o receio da população em frequentar unidades de saúde, impactando negativamente as taxas de vacinação.

Queda nas coberturas vacinais no Brasil: o impacto no controle de doenças

Historicamente, o Brasil apresentou altas taxas de cobertura vacinal. Contudo, a partir de 2016, observou-se uma queda significativa. Em 2015, as coberturas vacinais estavam em torno de 97%, mas caíram para 75% em 2020. As vacinas que mais sofreram quedas foram a BCG (38,8%) e a Hepatite A (32,1%).

Essa redução nas coberturas vacinais aumentou o risco de reintrodução de doenças erradicadas, como o sarampo, e favoreceu a formação de bolsões de suscetíveis em diversas regiões do país, tornando mais difícil o controle dessas doenças.

O papel do programa nacional de imunizações (PNI) para evitar a hesitação vacinal

O PNI, criado em 1973, é um dos maiores programas de imunização do mundo e é responsável por grande parte do sucesso do Brasil na erradicação de doenças como a varíola e o controle da poliomielite. Com mais de 38 mil salas de vacinação, o programa oferece vacinas de forma gratuita para a população.

Apesar dos desafios enfrentados, o PNI continua sendo uma ferramenta essencial para garantir a saúde pública. A retomada das altas coberturas vacinais depende de ações coordenadas entre os governos federal, estadual e municipal, além do engajamento de profissionais de saúde e da sociedade civil, em especial o pediatra, que tem um papel importante ao indicar e reforçar a segurança das vacinas para as crianças e adolescentes.

Como contribuir para diminuição de hesitação vacinal?

Para combater a hesitação vacinal e melhorar as coberturas vacinais, é essencial:

  1. Educar a população sobre a importância da vacinação.
  2. Facilitar o acesso às vacinas, com horários flexíveis e logística eficiente.
  3. Desmistificar informações falsas relacionadas à vacinação.
  4. Reforçar o papel do pediatra na orientação sobre a importância da vacinação.

Conclusão

A luta contra o sarampo e outras doenças imunopreveníveis depende da colaboração entre profissionais de saúde, governos e a população. A vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção e controle dessas doenças, garantindo a proteção das crianças e a saúde pública do Brasil.

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Autor

  • Dr. José Antônio Faria: Doutor em ciências pelo departamento de Endocrinologia e Metabologia da USP.  Fez residência médica em pediatria e endocrinologia pediátrica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. 

Referências bibliográficas

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. O Desafio das Coberturas Vacinais e o Fenômeno da Hesitação. Documento Científico nº 159, 24 de junho de 2024. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2024/agosto/14/24539e-DC-_DesafCobertVacina_e_FenomHesitacao.pdf
  2. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Imunizações (PNI). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/pni

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