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Hepatite infantil A, B e C: como identificá-las?

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A hepatite infantil é uma das causas de doença hepática na população pediátrica brasileira, causando muitas apresentações clínicas, desde um perfil assintomático à morte.

Com isso, como profissional de saúde, é de vital importância que você, médico(a), saiba identificar uma criança com hepatite e acompanhá-la, mesmo que não apresente sintomas.

Hepatite A infantil

Apesar de a hepatite A ser causa relevante de morbidade e de possível mortalidade, costuma ser uma infecção de curta duração, ser autolimitada e oferecer imunidade duradoura.

A hepatite infantil tem como protagonistas vírus A – cujo material genético ´e RNA, da família dos picornavírus. Com isso, possui uma transmissão fecal-oral favorecida pelas suas características genéticas, com período de incubação de cerca de 28 dias. Assim, isso pode ser explicado pela grande estabilidade apresentada por esse vírus, resistindo a grandes variações de pH e enzimas do trato gastrointestinal.

A hepatite A é uma doença comum, se distribuindo por todo o mundo, especialmente em regiões de condições sanitárias precárias. Isso é reforçado pelos achados prevalentes do anti-HAV em regiões com esse perfil.

Referente ao contágio, a hepatite A é extremamente contagiosa, tendo sua transmissão por meio fecal-oral, direta ou indiretamente. Por esse motivo, os fatores de risco incluem o convívio familiar em agrupamentos – creches, orfanatos, no caso da HAV infantil.

Manifestações clínicas da hepatite A infantil

É importante frisar que, quanto mais jovem for o paciente, menos evidente é a infecção, diferente dos adultos.

Isso significa que crianças com menos de 2 anos frequentemente são assintomáticas, enquanto que, comparativamente, cerca de 2/3 dos pacientes adultos sintomáticos apresentam icterícia.

Em casos de crianças sintomáticas, terminado o período de incubação, inicia-se a fase prodrômica, durante duas semanas antes do início da icterícia. Nessa fase, são comuns sintomas como:

  • Febre;
  • Cefaleia;
  • Anorexia;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Distúrbios do paladar e olfato.

Alguns outros sinais podem surgir, embora sejam menos frequentes, como esplenomegalia, hepatomegalia dolorosa e sintomas respiratórios. Nas circunstâncias (raras) em que houver uma colestase mais exacerbada, além dos sinais e sintomas descritos, o paciente pode apresentar prurido e uma icterícia de pelo menos 12 semanas. Nesse caso, os achados laboratoriais podem indicar um aumento expressivo da:

  • Fosfatase alcalina;
  • Bilirrubina direta (> 10mg/dL);
  • Gamaglutamil-transferase.

Hepatite B infantil

A hepatite B infantil é especialmente relevante devido a sua persistência na população mundial, apesar da disponibilidade de uma vacina eficaz.

Assim sendo, a infecção pelo vírus da hepatite B continua sendo a principal causa de hepatite crônica, cirrose e hepatocarcinoma no mundo. No Brasil, o antígeno HBsAg aumenta no sentido sul-norte.

Em regiões de alta prevalência, a transmissão costuma ser vertical (mãe-filho) ou ainda horizontal (entre os familiares). Já nas regiões de baixa prevalência, predomina a transmissão por via sexual e parenteral (usuários de drogas injetáveis). Com isso, conclui-se que a transmissão do HBV se dá por fluidos corporais e sangue.

Trata-se de um vírus pertencente ao grupo dos hepadnavirus, possuindo como genoma o DNA.

Manifestações clínicas da hepatite B infantil

Assim como na hepatite A infantil, a apresentação clínica do paciente com HBV é muito variável, sendo muitos os casos assintomáticos ou autolimitados e por isso é difpicil discerni-las.

Em crianças pequenas, o quadro pode se apresentar com ausência de sintomas e anictérico.

Os sintomas desenvolvidos pelas crianças infectadas pelo HBV são semelhantes aos dos adultos, sendo os mais comuns a anorexia, náusea, icterícia e desconforto em quadrante superior direito. A tendência, porém, é que todos os sintomas desapareçam em cerca de três meses. Apesar disso, a fadiga pode persistir a depender das concentrações sérica de aminotransferases.

Ainda assim, existem particularidades encontradas comuns em determinadas faixas etárias infantis, como por exemplo:

  • Infecção crônica: mais comum em recém-nascidos em comparação a crianças pequenas;
  • Síndrome de Gianotti-Crosti: observada em lactentes e crianças pequenas com infecção aguda, caracterizada por acrodermatite papular de face, extremidades e tronco.
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Figura 1: Síndrome de Gianotti-Crosti (acrodermatite papular). Fonte: acervo de Moise L Levy, MD.
  • Crianças mais velhas/adolescentes: sintomas leves durante a infecção;
  • A hepatite fulminante é rara, sendo que a vacina contra o VHB não protege recém-nascidos ou indivíduos imunocomprometidos contra essa condição.

A infecção crônica cursa de forma assintomática, podendo ou não haver aumento de aminotransferases. É caracterizada pela persistência de HBsAg ou DNA-HBV no soro por mais de seis meses.

Hepatite C infantil

Diferente da hepatite A e B, a hepatite C infantil acomete mais outras faixas etárias do que a infantil e, por isso, as evidências da HVC nas crianças são mais escassas.

Ainda assim, compreendendo o vírus da hepatite C – pertencente à família Flavoviridae -, possui como genoma o RNA. Dentre os genótipos do vírus C, o mais comum no mundo é o tipo 1, embora as diferenças de apresentação clínica não varie muito de um tipo para outro.

A transmissão da hepatite C ocorre pela via parenteral ou vertical. Em estudos realizados com pacientes com HVC, observou-se uma expressiva porcentagem com antecedentes a exposição a transfusões ou hospitalizações repetidas.

Manifestações clínicas da hepatite C infantil

Na fase aguda da doença, a hepatite C não costuma apresentar sintomas.

Além disso, cerca de 80% dos pacientes que foram infectados por transmissão vertical evoluem para cronicidade, porém permanecendo assintomáticos.

Figura 2: Abordagem inicial de recém nascidos com mães portadoras de hepatite C crônica. Fonte: Hepatites Virais A, B e C em crianças e adolescentes.

É importante ressaltar que conhecer a causa da infecção é especialmente importante quando se trata da enfermidade crônica na criança. Isso porque o tratamento necessário pode contribuir para lesões hepáticas adicionais (hemoglobinopatias, cardiopatias, neoplasias, imunodeficiências).

Mesmo assim, a taxa de eliminação da infecção na infância é favorável, em especial naquelas entre 2 e 4 anos.

Perguntas frequentes

  1. Sabe-se que a hepatite A se associa às condições sanitárias que permeiam a vida dos infectados. Diante disso, qual a relação da redução de infecções na infância com reflexo na vida adulta?
    A redução da incidência da hepatite A na faixa etária pediátrica pode elevar o número de casos com mais morbidade e gravidade, por aumentar o número de adolescentes e adultos suscetíveis que deixaram de apresentar a infecção leve e muitas vezes, subclínica na infância. Esse fato torna a vacina da hepatite A importante e de indicação precisa na faixa etária pediátrica. (Fonte: Hepatites Virais A, B e C em crianças e adolescentes. Alexandre Rodrigues Ferreira. DOI: 10.5935/2238-3182.20140038).
  2. Qual é a profilaxia da hepatite viral B infantil?
    As crianças devem iniciar a vacinação em até 30 dias deverão receber três doses com intervalo de 60 dias entre elas.
  3. Quais fatores podem favorecer a transmissão vertical da hepatite viral C infantil?
    Durante a gestação a probabilidade de transmissão do vírus aumenta caso haja ruptura da placenta, possível ameaça de aborto e de parto prematuro, dilatação prolongada, monitorização prolongada invasiva do parto.

Referências

  1. Overview of hepatitis A virus infection in children. Rubén E Quirós-Tejeira, MD. UpToDate
  2. Hepatites Virais A, B e C em crianças e adolescentes. Alexandre Rodrigues Ferreira. DOI: 10.5935/2238-3182.20140038.
  3. Clinical manifestations and diagnosis of hepatitis B virus infection in children and adolescents. Annemarie Broderick, MB, BCh, MMedSc, FRCPI. UpToDate
  4. Hepatitis C virus infection in children. Ravi Jhaveri, MD. UpToDate

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