Confira um artigo completo que falamos sobre os Glicopeptídeos para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.
Boa leitura!
Antimicrobianos
Alguns antimicrobianos interferem seletivamente na síntese da parede celular bacteriana – uma estrutura que as células dos mamíferos não possuem. A parede celular é composta de um polímero denominado peptideoglicano, que consiste em unidades de glicano unidas umas às outras por ligações peptídicas cruzadas.
Os membros mais importantes do grupo são os antimicrobianos β-lactâmicos (discutidos em outro Material), além de outras classes que também atuam sobre a síntese da parede celular, como os glicopeptídeos, representados pela vancomicina e pela teicoplanina, e os lipopeptídeos, representados pela daptomicina. As oxazolidinonas, representadas pela linezolida, inibem a síntese de proteínas.
Glicopeptídeos
A vancomicina é um antibiótico glicopeptídico tricíclico produzido por Streptococcus orientalis. A teicoplanina também é um antibiótico da classe dos glicopeptídeos produzido por Actinoplanes teichomyetius. Possui similaridade com a vancomicina quanto a estrutura química, mecanismo de ação, espectro de atividade e via de eliminação, isto é, principalmente renal.
Mecanismo de ação dos Glicopeptídeos
A vancomicina e a teicoplanina inibem a síntese da parede celular de bactérias sensíveis, através de sua ligação de alta afinidade à extremidade terminal D-alanil-D-alanina de unidades precursoras da parede celular. Em virtude de seu grande tamanho molecular, são incapazes de penetrar na membrana externa de bactérias gram-negativas. Os glicopeptídeos são geralmente bactericidas contra cepas sensíveis, à exceção de enterococos.
Espectro de atividade e resistência
A vancomicina possui atividade contra um amplo espectro de bactérias gram-positivas, como S. aureus, S. epidermidis e estreptococos. Bacillus spp., incluindo B. anthracis, espécies de Corynebacterium (difteroides), a maioria das espécies de Actinomyces e as espécies de Clostridium também são sensíveis. Praticamente todas as espécies de bacilos gram-negativos e micobactérias são resistentes à vancomicina.
A teicoplanina é ativa contra estafilococos sensíveis e resistentes a meticilina. Também são sensíveis Listeria monocytogenes, Corynebacterium spp., Clostridium spp., cocos gram-positivos anaeróbicos, estreptococos não viridans e viridans, S. pneumonia e enterococos. Algumas cepas de estafilococos, coagulase-positivas e coagulase-negativas, bem como enterococos e outros microrganismos que são intrinsecamente resistentes a vancomicina (ex: Lactobacillus spp. e Leuconostoc spp.), são resistentes a teicoplanina.
As cepas de enterococos antigamente exibiam sensibilidade uniforme a glicopeptídeos. Cepas de enterococos resistentes a glicopeptídeos, principalmente Enterococcus faecium, surgiram como importantes patógenos nosocomiais em hospitais nos EUA. Os determinantes da resistência a vancomicina em E. faecium e em E. faecalis localizam-se em um transposon que constitui parte de um plasmídeo conjugativo, permitindo sua rápida transferência entre enterococos e, potencialmente, outras bactérias gram-positivas. Tipicamente, essas cepas são resistentes a múltiplos antibióticos, incluindo estreptomicina, gentamicina e ampicilina, eliminando de forma eficaz estes fármacos como agentes terapêuticos alternativos.
A resistência dos enterococos a glicopeptídeos resulta de uma alteração do alvo D-alanil-D-alanina em D-alanil-D-lactato ou D-alanil-D-serina, que se liga precariamente a glicopeptídeos, devido a ausência de um local crítico para a ponte de hidrogênio. São necessárias várias enzimas dentro do grupo gênico van para que ocorra alteração deste alvo. Foram descritos vários fenótipos de resistência a glicopeptídeos.
S. aureus e estafilococos coagulase-negativos podem expressar uma sensibilidade reduzida ou “intermediária” a vancomicina, ou resistência de alto nível. Infecções causadas por cepas de resistência intermediária a vancomicina não têm respondido a esta droga clinicamente e em modelos animais. Ciclos anteriores de tratamento e níveis baixos de vancomicina podem predispor os pacientes a infecção e insucesso no tratamento em caso de cepas de resistência intermediária. Essas cepas costumam ser resistentes a meticilina e a múltiplos outros antibióticos; seu surgimento constitui uma preocupação principal, visto que até pouco tempo a vancomicina foi o único antibiótico a que estafilococos eram confiavelmente sensíveis.
SE LIGA! Com o aparecimento de cepas resistentes, é importante retardar o aumento de bactérias resistentes a vancomicina, como por exemplo o Enterococcus faecium e o Enterococcus faecalis, restringindo o uso desta droga para ao tratamento de infecções graves causadas por microrganismos gram-positivos resistentes aos beta-lactâmicos ou para pacientes com infecções gram-positivas que tenham grave alergia aos beta-lactâmicos.