ERITROPOIESE:
Eritropoiese é o processo no qual são formados os eritrócitos. Em condições normais de saúde, a eritropoiese ocorre no interior da medula óssea, através da diferenciação e multiplicação das células tronco. Essa produção é controlada por um hormônio chamado eritropoetina.
A produção e a maturação dos eritrócitos é um processo contínuo, que pode ser dividido em seis etapas sucessivas a partir da unidade formadoras de colônias, cada uma delas constituindo um tipo celular: rubriblastos, pró-rubrícitos, rubrícitos, metarrubrícitos, reticulócitos e eritrócitos. Quando a célula chega ao estágio de reticulócitos é que a medula óssea começa a liberar a célula para a circulação.
Os reticulócitos são células eritróides imaturas que exibem RNA residual. Eles são metabolicamente mais ativos que os eritrócitos maduros, possuindo aproximadamente 60% da hemoglobina de um eritrócito adulto e sendo liberados da medula óssea pela ação da eritropoietina.
Os reticulócitos podem ficar na medula óssea por dois a três dias e então são liberados no sangue periférico, devido à ação estimuladora da eritropoietina em resposta à hipóxia tecidual. Após serem liberados da medula óssea, os reticulócitos chegam ao estágio de eritrócitos em 24 a 48 horas na circulação ou no baço onde eles podem ser sequestrados temporariamente.
A contagem de reticulócitos é realizada para obter informação sobre a integridade funcional da medula óssea, porque reflete sua atividade eritropoética.
ERITROPOETINA:
A eritropoetina é o principal fator de crescimento que regula a produção de hemácias, é um hormônio glicoproteico, codificada por um gene com cinco éxons, que se encontra no braço longo do cromossomo 7 (em 7q21). A eritropoietina liga-se ao Receptor de Eritropoetina (EpoR) expresso especificamente em precursores eritroides, estimulando a sua proliferação e diferenciação, levando a um aumento da massa eritrocitária.
Principal fonte de eritropoetina no organismo é o tecido renal, provavelmente as células intersticiais peritubulares renais, que produzem cerca de 90% do hormônio, sendo os outros 10% produzidos por hepatócitos que rodeiam as veias centrais no fígado. A parcela produzida pelo rim é altamente sensível ao nível de oxigenação do sangue renal ou a outros mecanismos que causam redução da oxigenação dos tecidos renais, como a anemia. Logo, redução do oxigênio há um aumento da produção de eritopoietina para estimular a produção de eritrócitos.
A produção aumentada de eritropoetina associa-se tipicamente a situações de hipóxia renal, levando à elevação do hematócrito (policitemia secundária), como ocorre na doença pulmonar obstrutiva crônica, cardiopatia congênita cianosante, apneia do sono, hemoglobinopatia com aumento de afinidade pelo oxigênio, metemoglobinemia hereditária, tabagismo e hipóxia renal localizada. Também os indivíduos que vivem em altitudes elevadas estão submetidos a baixas tensões de oxigênio, determinando uma elevação da produção de eritropoietina e dos níveis médios de hematócrito.
Produção deficiente de eritropoetina ocorre em várias formas de anemia, como a anemia da insuficiência renal crônica, anemia das inflamações crônicas, doenças autoimunes, Aids e neoplasias. E possível que a menor produção de eritropoetina em muitas dessas doenças esteja associada à elevação de IL-1.
Ao avaliar os níveis de eritropoetina em um paciente com anemia é necessário comparar os resultados obtidos com o nível esperado para indivíduos com aquele hematócrito, e não com indivíduos normais. Como a produção de eritropoetina é muito sensível à redução da oxigenação renal, pacientes com anemia que têm níveis de eritropoetina equivalentes aos indivíduos normais têm, de fato, deficiência da produção de eritropoetina. Na prática médica, isso significa que muitos deles podem responder ao tratamento com eritropoetina recombinante.
RESERVAS NUTRICIONAIS:
A eritropoetina é de fundamental importância para a eritropoiese, mas outras substâncias também são essenciais para uma produção adequada de células vermelhas tais como folato, cobalamina e ferro. A deficiência de algum desses três nutrientes pode levar a uma diminuição na produção de eritrócitos e, subsequentemente, a redução no número de eritrócitos circulantes, causando anemia.
A deficiência de folato e cobalamina está relacionada ao desenvolvimento da anemia megaloblástica, em que ocorre a presença de hemácias macrocíticas e de reticulocitopenia. Nessa doença os eritrócitos são incapazes de maturar adequadamente, fazendo com que a medula óssea aumente o número de eritroblastos e megaloblastos imaturos que sofrem apoptose precocemente. O ferro é um componente essencial dos eritrócitos, uma vez que esse mineral está envolvido na síntese das protoporfirinas e da globina, para a formação de hemoglobina.
A deficiência de ferro é a causa mais comum de anemia (anemia ferropriva). A anemia ferropriva é causada por uma diminuição da oferta de ferro para a síntese de heme e, consequentemente, a formação de hemoglobina no desenvolvimento de células eritróides. A diminuição da hemoglobinização leva à produção de eritrócitos normais pequenos (microcíticos) e com quantidades reduzidas de hemoglobina (hipocrômicos).
A deficiência desses nutrientes pode ser devida a inúmeros fatores. No caso do folato e da cobalamina, as causas estão relacionadas a deficiências nutricionais, a defeitos genéticos, autoimunes ou metabólicos que envolvem o transporte e absorção das vitaminas. Com relação ao ferro sua deficiência no organismo também pode ser nutricional, defeitos nas proteínas de transporte, na sua absorção e devido à perda de sangue, que pode estar sendo causada por diversos motivos.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS:
BAETA, J. S.V. Influência da suplementação de ferro e vitaminas hematopoiéticas (vitamina B12 e ácido fólico) no tempo de recuperação do hematócrito em cães após doação de sangue. Minas Gerais, 2015 Disponível em: < https://www.locus.ufv.br/bitstream/123456789/7163/1/texto%20completo.pdf.>. Acesso em: 10 de out.2021
PARAISO, L. F. Efeito do exercício físico na estabilidade de membrana de eritrócitos. 2015. Disponível em: <EfeitoExercicioFisico.pdf (ufu.br)>. Acesso em: 10 de out. 2021
ZAGO, M.A; FALCÃO R.P.; PASQUINI, R. Tratado de Hematologia. São Paulo: Atheneu, 2013.