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Gastroenterologia

TGP (ALT): Interpretação Clínica e Indicações

A TGP (transaminase glutâmico-pirúvica), também conhecida como ALT (alanina aminotransferase), é uma enzima intracelular predominantemente hepática, sendo o marcador bioquímico mais específico para lesão hepatocelular na prática clínica. Avalia a integridade dos hepatócitos, com elevações indicando necrose ou inflamação hepática. É clinicamente relevante para diagnóstico, monitoramento e prognóstico de doenças hepáticas agudas e crônicas, como hepatites virais, doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) e hepatotoxicidade medicamentosa. Indicada para médicos generalistas, gastroenterologistas e residentes na investigação de síndromes hepáticas, sendo essencial na abordagem inicial de pacientes com suspeita de disfunção hepática.

Revisado pelo time especializado da Sanar

Dados rápidos

Material
Sangue venoso — tubo sem anticoagulante (tampa amarela ou vermelha)
Resultado em
4–8 horas (método cinético UV)
Código TUSS
40322237
Especialidade
Gastroenterologia / Clínica Médica

Quando solicitar este exame?

  • Investigação de hepatite aguda com icterícia, astenia e colúria CID B15
  • Monitoramento de hepatite crônica B ou C em terapia antiviral CID B18
  • Avaliação de doença hepática gordurosa não alcoólica em paciente com obesidade e resistência insulínica CID K76.0
  • Triagem de hepatotoxicidade por medicamentos como paracetamol, amiodarona ou estatinas CID K71
  • Acompanhamento de hepatite autoimune com fadiga e elevação de gamaglobulinas CID K75.4
  • Investigação de cirrose hepática compensada com ascite e esplenomegalia CID K74.6
  • Avaliação de colestase intra-hepática na gestação com prurido intenso CID O26.6
  • Monitoramento de hepatite alcoólica em paciente com consumo crônico e dor abdominal CID K70.1
  • Triagem de doença de Wilson em jovem com tremor e anel de Kayser-Fleischer CID E83.0
  • Avaliação de hepatite isquêmica pós-choque circulatório com hipotensão persistente CID K76.2

Como é feito o exame?

Variáveis pré-analíticas e interferentes

  • Hemólise da amostra — libera ALT eritrocitária, causando pseudo-elevação de até 10 vezes
  • Lipemia intensa — interfere na absorbância espectrofotométrica, podendo causar falsa redução
  • Icterícia marcada — bilirrubina elevada compete na reação enzimática, levando a subestimação
  • Armazenamento inadequado — degradação enzimática se mantido em temperatura ambiente >24h, reduzindo valores
  • Uso de anticoagulantes como EDTA ou heparina — inibem a atividade enzimática, resultando em falsa redução

Valores de Referência

Valores de referência do TGP (ALT)
Parâmetro Homens Mulheres Crianças Unidade
TGP (ALT) 10–40 U/L 7–35 U/L 5–30 U/L (1–12 anos) U/L

Como interpretar o resultado?

Tabela de interpretação do TGP (ALT)
Achado Interpretação Próxima conduta
Elevação leve (1,5–3x o limite superior) Sugere hepatite crônica, DHGNA ou hepatotoxicidade medicamentosa inicial Solicitar painel hepático completo, ultrassonografia abdominal e sorologias virais
Elevação moderada a grave (>5x o limite superior) Indica hepatite aguda viral, autoimune ou isquêmica Investigar com sorologias (hepatite A, B, C), autoanticorpos e gasometria arterial
Elevação desproporcional em relação à TGO (ALT > TGO) Padrão sugestivo de hepatite viral ou tóxica Avaliar história de exposição a vírus ou medicamentos hepatotóxicos
Normalização após elevação prévia Pode indicar resolução da hepatite aguda ou progressão para cirrose Monitorar com exames de função hepática e elastografia hepática
Valor persistentemente normal em paciente com doença hepática conhecida Pode refletir cirrose avançada com pouca massa hepatocelular remanescente Avaliar com exames de função sintética (albumina, TP) e imagem
Elevação isolada sem outros achados hepáticos Pode ser miopatia ou exercício físico intenso recente Dosar CK e mioglobina para descartar origem muscular

Diagnóstico Diferencial

Diagnóstico diferencial para TGP (ALT)
Alteração Hipóteses diagnósticas Exames complementares Especialidade
ALT > 1000 U/L Hepatite viral aguda, hepatite isquêmica, hepatite tóxica Sorologias virais, acetaminofeno sérico, ecografia Doppler hepático Gastroenterologia / Infectologia
ALT 100–300 U/L crônica DHGNA, hepatite C crônica, hepatite autoimune Elastografia hepática, sorologia HCV, autoanticorpos (ANA, LKM) Gastroenterologia
ALT elevada com bilirrubina normal Hepatite crônica compensada, miopatia CK, mioglobina, painel hepático completo Clínica Médica / Reumatologia
ALT normal com elevação de FA e GGT Colestase intra ou extra-hepática CPRE, RM colangiopancreatografia Gastroenterologia
ALT discretamente elevada em gestante Colestase gravídica, pré-eclâmpsia HELLP Ácidos biliares séricos, pressão arterial, proteinúria Obstetrícia / Gastroenterologia

Medicamentos e Interferentes

  • Estatinas (sinvastatina, atorvastatina) — hepatotoxicidade dose-dependente, eleva ALT em 1–3% dos usuários
  • Anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina) — induzem citocromo P450, causando hepatite idiossincrática
  • Suplementos de ervas (kava, chaparral) — toxicidade mitocondrial direta, elevação marcada
  • Corticosteroides em altas doses — esteatose hepática, elevação leve a moderada
  • Deficiência de piridoxina — reduz atividade enzimática, causando falsa redução

Contextos Clínicos Especiais

Gestante

Valores de referência podem ser 20–30% menores devido à hemodiluição fisiológica. Elevações > 100 U/L devem investigar colestase gravídica, pré-eclâmpsia HELLP ou hepatite viral aguda. A monitorização seriada é crucial para diferenciar alterações fisiológicas de patológicas.

Criança

Valores normais são mais baixos que em adultos, com variação por idade. Elevações persistentes podem indicar hepatite autoimune, doença de Wilson ou deficiência de alfa-1-antitripsina. A investigação deve incluir exames metabólicos e genéticos específicos.

Idoso

Pode haver redução fisiológica da ALT com o envelhecimento. Elevações devem ser interpretadas com cautela, pois doenças hepáticas podem se apresentar atipicamente. Maior risco de hepatotoxicidade medicamentosa devido a polifarmácia e alterações no metabolismo hepático.

Exames Relacionados

Condicionais Solicitar se...

Condições Clínicas Relacionadas (CID-10)

Perguntas Frequentes

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Diretrizes para coleta, processamento e interpretação de enzimas hepáticas. 2021.
  2. European Association for the Study of the Liver (EASL). Clinical Practice Guidelines on non-invasive tests for evaluation of liver disease severity and prognosis. J Hepatol. 2021;75(3):659-689. 10.1016/j.jhep.2021.05.025
  3. Kwo PY, Cohen SM, Lim JK. ACG Clinical Guideline: Evaluation of Abnormal Liver Chemistries. Am J Gastroenterol. 2017;112(1):18-35. 10.1038/ajg.2016.517
  4. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite Viral Crônica. 2020.
  5. Kaplan MM. Alanine aminotransferase levels: what's normal? Ann Intern Med. 2002;137(1):49-51. 10.7326/0003-4819-137-1-200207020-00012

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