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Ginecologia e Obstetrícia

Progesterona sérica: Interpretação Clínica e Indicações

A progesterona sérica é um hormônio esteroide produzido principalmente pelo corpo lúteo ovariano após a ovulação, com produção adicional pela placenta durante a gestação e em menor grau pelas adrenais. Avalia a função lútea e a adequação da fase secretória do endométrio, sendo clinicamente relevante para confirmar a ovulação, monitorar a fase lútea em casos de infertilidade, avaliar a função do corpo lúteo e investigar distúrbios menstruais. É indicada para médicos ginecologistas, endocrinologistas e clínicos que acompanham pacientes com suspeita de anovulação, insuficiência lútea ou como parte da avaliação de casais inférteis. Sinônimos incluem P4, progesterona plasmática e dosagem de progesterona.

Revisado pelo time especializado da Sanar

Dados rápidos

Material
Sangue venoso — tubo sem anticoagulante (tampa amarela ou vermelha)
Resultado em
4–8 horas (método quimioluminescência)
Código TUSS
40322237
Especialidade
Ginecologia e Obstetrícia / Endocrinologia

Quando solicitar este exame?

  • Confirmação de ovulação em ciclos menstruais regulares ou irregulares CID N97
  • Avaliação da fase lútea em mulheres com infertilidade sem causa aparente CID N97
  • Monitoramento da função do corpo lúteo em ciclos estimulados para reprodução assistida CID N97
  • Investigação de sangramento uterino anormal na fase lútea CID N92
  • Avaliação de insuficiência lútea em mulheres com abortamentos recorrentes CID N96
  • Diferenciação entre ciclos ovulatórios e anovulatórios em síndrome dos ovários policísticos CID E28
  • Monitoramento da fase lútea em mulheres com amenorreia hipotalâmica CID E23
  • Avaliação da adequação da fase secretória em endometriose associada à infertilidade CID N80
  • Confirmação de ovulação em mulheres com disfunção tireoidiana não controlada CID E03
  • Investigação de hiperprolactinemia com suspeita de anovulação CID E22

Como é feito o exame?

Variáveis pré-analíticas e interferentes

  • Hemólise da amostra — interfere na leitura espectrofotométrica, podendo causar resultados falsamente elevados ou reduzidos
  • Lipemia intensa — causa interferência óptica nos métodos de quimioluminescência, levando a resultados imprecisos
  • Coleta em tubo com anticoagulante heparinizado — pode alterar a ligação proteica e afetar resultados em alguns métodos
  • Tempo prolongado entre coleta e processamento — degradação da progesterona se a amostra não for centrifugada e congelada adequadamente
  • Uso de gel separator em tubos — pode adsorver parte do hormônio, reduzindo resultados em concentrações baixas

Valores de Referência

Valores de referência do Progesterona sérica
ParâmetroHomensMulheresCriançasUnidade
Progesterona0,1–0,3Fase folicular: 0,1–0,7; Fase lútea: 2,0–25,0; Pós-menopausa: < 0,5Pré-púberes: < 0,5ng/mL

Como interpretar o resultado?

Tabela de interpretação do Progesterona sérica
AchadoInterpretaçãoPróxima conduta
Progesterona < 3 ng/mL na fase lútea (dias 21-23)Sugere anovulação ou insuficiência lútea Solicitar FSH, LH, estradiol e ultrassom transvaginal para avaliação ovariana
Progesterona 3–10 ng/mL na fase lúteaOvulação provável, mas possível insuficiência lútea limítrofe
Progesterona > 10 ng/mL na fase lúteaOvulação confirmada com função lútea adequada Manter acompanhamento se objetivo for confirmação de ovulação
Progesterona > 25 ng/mL em mulher não gestanteSugere cisto de corpo lúteo ou raramente tumor produtor Solicitar ultrassom pélvico e considerar dosagem de outros esteroides
Progesterona persistentemente baixa em múltiplos ciclosIndica anovulação crônica ou disfunção hipotalâmico-hipofisária Investigar com prolactina, TSH, FSH, LH e possível ressonância de sela túrcica
Progesterona elevada na fase folicularPode indicar cisto de corpo lúteo persistente ou produção adrenal aumentada Repetir dosagem no próximo ciclo e avaliar sintomas de hiperandrogenismo

Diagnóstico Diferencial

Diagnóstico diferencial para Progesterona sérica
AlteraçãoHipóteses diagnósticasExames complementaresEspecialidade
Progesterona baixa na fase lútea com ciclos regularesInsuficiência lútea, fase lútea curta, endometrioseUltrassom transvaginal seriado, biópsia endometrial, dosagem de LHGinecologia
Progesterona elevada na fase folicularCisto de corpo lúteo persistente, tumor ovariano produtor, hiperplasia adrenalUltrassom pélvico, dosagem de 17-OH progesterona, ACTHEndocrinologia
Progesterona indetectável em mulher em idade reprodutivaAnovulação crônica, menopausa precoce, amenorreia hipotalâmicaFSH, LH, estradiol, prolactina, TSH, ressonância de sela túrcicaEndocrinologia
Progesterona flutuante sem padrão cíclicoCiclos anovulatórios, disfunção hipotalâmica, medicamentosMapa hormonal seriado, ultrassom ovariano seriado, avaliação de medicamentosGinecologia
Progesterona adequada com infertilidade persistenteFator tubário, masculino, endometrial ou imunológicoHisterossalpingografia, espermograma, biópsia endometrial, exames imunológicosReprodução Humana

Medicamentos e Interferentes

  • Contraceptivos orais combinados — suprimem a ovulação e reduzem a progesterona endógena
  • Acetato de medroxiprogesterona — eleva a progesterona sérica por cross-reação em alguns métodos
  • Clomifeno — estimula a ovulação e pode elevar a progesterona na fase lútea
  • Anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína) — aumentam o clearance hepático, podendo reduzir níveis
  • Corticoides — podem suprimir o eixo HHA e reduzir a produção adrenal de progesterona

Contextos Clínicos Especiais

Gestante

Na gestação, a progesterona é produzida inicialmente pelo corpo lúteo e depois pela placenta, com níveis progressivamente elevados. Valores séricos não são rotineiramente utilizados para monitoramento de gestação de baixo risco, mas podem auxiliar na avaliação de ameaça de aborto ou gravidez ectópica quando associados ao beta-hCG. Na gestação múltipla, os níveis são significativamente mais elevados.

Menopausa

Após a menopausa, a progesterona sérica é tipicamente < 0,5 ng/mL devido à cessação da função ovariana. Valores persistentemente detectáveis devem levantar suspeita de produção adrenal aumentada ou, raramente, tumor produtor. Na terapia hormonal da menopausa, a progesterona é adicionada para proteção endometrial em mulheres com útero.

Exames Relacionados

Condições Clínicas Relacionadas (CID-10)

Perguntas Frequentes

Referências

  1. FEBRASGO. Manual de Orientação: Infertilidade Conjugal. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, 2021.
  2. Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Diagnostic evaluation of the infertile female: a committee opinion. Fertil Steril. 2015;103(6):e44-e50.
  3. Carr BR, Blackwell RE, Azziz R. Essential reproductive medicine. McGraw-Hill Education, 2005.
  4. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Diretrizes para coleta, transporte e processamento de amostras laboratoriais. 2020.

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