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CID N80: Endometriose
N800
Endometriose do útero
N801
Endometriose do ovário
N802
Endometriose da trompa de Falópio
N803
Endometriose do peritônio pélvico
N804
Endometriose do septo retovaginal e da vagina
N805
Endometriose do intestino
N806
Endometriose em cicatriz cutânea
N808
Outra endometriose
N809
Endometriose não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A endometriose é uma doença ginecológica benigna, crônica e estrogênio-dependente, caracterizada pela presença de tecido endometrial funcional (glândulas e estroma) fora da cavidade uterina. Essa condição afeta predominantemente mulheres em idade reprodutiva, com pico de incidência entre 25 e 35 anos, e está associada a dor pélvica significativa, infertilidade e impacto negativo na qualidade de vida. A fisiopatologia envolve múltiplos mecanismos, incluindo a teoria da menstruação retrógrada, metaplasia celômica, disseminação linfática ou vascular e alterações no sistema imunológico, que permitem a implantação e crescimento de células endometriais em locais ectópicos. A doença pode ser classificada em superficial, ovariana (endometriomas) e profunda, com infiltração de tecidos adjacentes, e sua progressão está ligada a processos inflamatórios locais, angiogênese e fibrose.
Descrição clínica
A endometriose apresenta um espectro clínico variável, desde formas assintomáticas até casos graves com dor incapacitante e infertilidade. Os sintomas mais comuns incluem dismenorreia progressiva, dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica não cíclica, sangramento uterino anormal e sintomas gastrointestinais ou urinários cíclicos, dependendo dos locais de implantação. A dor é frequentemente descrita como cólicas intensas que pioram com a menstruação e pode irradiar para as costas ou membros inferiores. Na endometriose profunda, há infiltração de estruturas como ligamentos útero-sacros, septo retovaginal, bexiga ou intestino, podendo causar constipação, tenesmo ou disúria. O exame físico pode revelar dor à palpação anexial, nódulos no fundo de saco posterior ou fixação uterina, mas em muitos casos o exame é normal.
Quadro clínico
O quadro clínico da endometriose é heterogêneo, com sintomas que podem incluir dismenorreia intensa e progressiva, dor pélvica crônica, dispareunia (dor durante ou após relações sexuais), infertilidade, sangramento menstrual abundante ou irregular, e sintomas intestinais (ex.: dor à evacuação, diarreia ou constipação cíclica) ou urinários (ex.: disúria, hematúria cíclica). Em casos de endometriose ovariana, pode haver massa anexial palpável. A endometriose extra-pélvica, embora rara, pode causar sintomas como hemoptise (pulmonar) ou cefaleia cíclica (sistema nervoso central). A intensidade dos sintomas não necessariamente correlaciona com a extensão da doença, e até 20-25% das mulheres podem ser assintomáticas.
Complicações possíveis
Infertilidade
Associada a alterações anatômicas, aderências pélvicas, disfunção tubária e microambiente peritoneal hostil à fertilização e implantação.
Dor pélvica crônica
Dor persistente que impacta significativamente a qualidade de vida, atividades diárias e saúde mental, muitas vezes resistente a analgésicos convencionais.
Aderências pélvicas
Formação de bandas fibrosas entre órgãos pélvicos, podendo causar obstrução intestinal, dor e distorção anatômica.
Comprometimento de órgãos adjacentes
Endometriose profunda pode infiltrar intestino, bexiga ou ureteres, levando a obstrução, sangramento ou disfunção orgânica.
Risco aumentado de câncer de ovário
Endometriose está associada a risco levemente aumentado de carcinoma epitelial de ovário, especialmente endometrioide e de células claras.
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A endometriose afeta aproximadamente 6-10% das mulheres em idade reprodutiva globalmente, com prevalência estimada de até 50% em mulheres com infertilidade e 70-90% naquelas com dor pélvica crônica. A incidência é maior em países desenvolvidos, possivelmente devido a fatores como menarca precoce, nuliparidade e adiamento da primeira gestação. Fatores de risco incluem história familiar, ciclos menstruais curtos (<27 dias), menarca precoce (<12 anos) e anomalias müllerianas. A doença é menos comum em mulheres multiparas e naquelas que usam contraceptivos orais prolongadamente. Subdiagnóstico é frequente, com atraso médio de 7-10 anos entre o início dos sintomas e o diagnóstico.
Prognóstico
O prognóstico da endometriose é variável, dependendo da extensão da doença, sintomas e resposta ao tratamento. A doença é crônica e recorrente, com taxas de recidiva de até 50% em 5 anos após tratamento cirúrgico. O manejo multimodal (farmacológico e cirúrgico) pode controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida, mas a cura definitiva é rara. A fertilidade pode ser recuperada com tratamento cirúrgico ou técnicas de reprodução assistida, embora a reserva ovariana possa ser comprometida por endometriomas ou cirurgias. A menopausa natural ou induzida geralmente leva à regressão das lesões, devido à diminuição dos estrogênios.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de endometriose é baseado na combinação de história clínica sugestiva, exame físico, exames de imagem e confirmação histológica. Critérios incluem: 1) Sintomas característicos (ex.: dismenorreia progressiva, dispareunia); 2) Achados no exame físico (ex.: nódulos dolorosos no fundo de saco posterior, fixação uterina); 3) Evidência de lesões suspeitas em ultrassonografia transvaginal (para endometriomas ou endometriose profunda) ou ressonância magnética pélvica; 4) Confirmação por laparoscopia com biópsia e visualização de lesões típicas (ex.: implantes negros, 'pólvora queimada', aderências). A classificação da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) é usada para estadiamento, mas não correlaciona bem com sintomas. Marcadores como CA-125 podem estar elevados, mas não são diagnósticos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Doença inflamatória pélvica (DIP)
Infecção do trato genital superior que causa dor pélvica, febre e corrimento, diferenciada pela presença de sinais infecciosos e resposta a antibióticos.
Presença de tecido endometrial no miométrio, causando dismenorreia e sangramento aumentado, diferenciada por achados de espessamento miometrial heterogêneo na ultrassonografia.
UpToDate. Adenomyosis: Pathogenesis, clinical features, and diagnosis.
Síndrome do intestino irritável (SII)
Distúrbio funcional gastrointestinal com dor abdominal e alteração do hábito intestinal, sem relação cíclica com menstruação.
Rome IV Criteria for Functional Gastrointestinal Disorders.
Cistos ovarianos funcionais
Cistos que causam dor pélvica aguda ou crônica, mas geralmente resolvem espontaneamente e não apresentam características de endometrioma na imagem.
ACOG Practice Bulletin No. 174: Evaluation and Management of Adnexal Masses.
Miomatose uterina
Tumores benignos do miométrio que podem causar sangramento e dor, diferenciados por achados de nódulos miometriais na ultrassonografia.
UpToDate. Uterine fibroids (leiomyomas): Epidemiology, clinical features, diagnosis, and natural history.
Exames recomendados
Ultrassonografia transvaginal
Exame de imagem de primeira linha para avaliação de endometriomas (cistos com conteúdo homogêneo e ecogenicidade baixa) e endometriose profunda com infiltração de ligamentos útero-sacros ou septo retovaginal.
Detectar lesões sugestivas de endometriose, guiar diagnóstico diferencial e planejamento cirúrgico.
Ressonância magnética pélvica
Exame de alta sensibilidade para mapeamento de endometriose profunda, especialmente em casos complexos ou com suspeita de envolvimento intestinal ou urinário.
Avaliar extensão da doença, planejar abordagem cirúrgica e excluir outras patologias.
Laparoscopia com biópsia
Padrão-ouro para diagnóstico, permitindo visualização direta das lesões, estadiamento e coleta de tecido para confirmação histológica.
Confirmar diagnóstico, estadiar a doença e realizar tratamento cirúrgico se indicado.
Dosagem de CA-125
Marcador sérico que pode estar elevado em endometriose moderada a grave, mas com baixa especificidade, podendo elevar-se em outras condições como câncer de ovário.
Auxiliar no monitoramento da doença ou na diferenciação com neoplasias, mas não para diagnóstico inicial.
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Supressão da ovulação e menstruação pode reduzir o risco de desenvolvimento ou progressão da endometriose em mulheres com fatores de risco.
Gravidez e lactação
Estados de amenorreia prolongada (gravidez e amamentação) diminuem a exposição a ciclos menstruais, podendo atenuar a progressão da doença.
Estilo de vida saudável
Manutenção de peso adequado e prática regular de exercícios físicos, que modulam os níveis de estrogênio e inflamação, potencialmente reduzindo o risco.
Vigilância e notificação
A endometriose não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas a vigilância é importante para monitorar complicações e impacto na saúde pública. Recomenda-se o registro em prontuários eletrônicos para acompanhamento de sintomas, tratamentos e desfechos. Em casos de endometriose profunda com envolvimento de órgãos, notificação pode ser necessária para planejamento cirúrgico multidisciplinar. Programas de saúde da mulher devem incluir educação sobre sintomas para diagnóstico precoce.
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Não, a endometriose é uma doença crônica sem cura definitiva, mas os sintomas podem ser controlados com tratamento farmacológico, cirúrgico e mudanças no estilo de vida, com melhora significativa da qualidade de vida.
A endometriose está associada a um risco levemente aumentado de certos tipos de câncer de ovário (endometrioide e de células claras), mas a maioria das mulheres com endometriose não desenvolve câncer; o risco absoluto é baixo e o acompanhamento regular é recomendado.
A endometriose pode causar infertilidade por meio de aderências pélvicas, distorção anatômica das tubas, alterações no microambiente peritoneal e disfunção ovulatória; tratamentos como cirurgia laparoscópica ou reprodução assistida podem melhorar as taxas de gravidez.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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