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Ginecologia e Obstetrícia

FSH e LH: Interpretação Clínica e Indicações

O FSH (hormônio folículo-estimulante) e o LH (hormônio luteinizante) são glicoproteínas secretadas pela hipófise anterior que regulam a função gonadal em ambos os sexos. Esses hormônios atuam no eixo hipotálamo-hipófise-gônada, estimulando a produção de esteroides sexuais (estradiol e testosterona) e a gametogênese. A dosagem sérica de FSH e LH é clinicamente relevante para investigar distúrbios da fertilidade, avaliar a reserva ovariana, diagnosticar menopausa, identificar puberdade precoce ou tardia, e diferenciar causas de hipogonadismo (primário vs. secundário). É indicada para pacientes com suspeita de disfunção gonadal, alterações menstruais, infertilidade ou sinais de hipogonadismo. Sinônimos incluem gonadotrofinas hipofisárias.

Revisado pelo time especializado da Sanar

Dados rápidos

Material
Sangue venoso — tubo sem anticoagulante (tampa amarela ou vermelha)
Resultado em
4–8 horas (método quimioluminescência)
Código TUSS
40322237
Especialidade
Ginecologia e Obstetrícia / Endocrinologia

Quando solicitar este exame?

  • Investigação de infertilidade feminina com ciclos menstruais irregulares ou anovulação CID N97
  • Avaliação da reserva ovariana em mulheres com idade avançada ou história de falência ovariana prematura CID E28.3
  • Confirmação diagnóstica de menopausa em mulheres com amenorreia e sintomas vasomotores CID N95.1
  • Avaliação de hipogonadismo masculino com redução da libido, disfunção erétil ou infertilidade CID E29.1
  • Investigação de puberdade precoce em crianças com desenvolvimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos (meninas) ou 9 anos (meninos) CID E30.1
  • Avaliação de puberdade tardia em adolescentes sem desenvolvimento puberal após os 13 anos (meninas) ou 14 anos (meninos) CID E30.0
  • Diferenciação entre hipogonadismo primário (hipergonadotrófico) e secundário (hipogonadotrófico) CID E23.0
  • Monitoramento de terapia de reposição hormonal ou indução da ovulação em tratamentos de fertilidade CID Z51.8
  • Investigação de síndrome dos ovários policísticos em mulheres com hirsutismo, acne e oligomenorreia CID E28.2
  • Avaliação de tumores hipofisários secretores de gonadotrofinas em pacientes com alterações visuais e disfunção gonadal CID D35.2

Como é feito o exame?

Variáveis pré-analíticas e interferentes

  • Hemólise da amostra — interfere na dosagem por liberação de hemoglobina, podendo causar resultados falsamente elevados ou reduzidos dependendo do método
  • Lipemia intensa — turbidez interfere na leitura espectrofotométrica, causando pseudo-elevação dos níveis hormonais
  • Coleta em horário inadequado — em mulheres, coleta fora da fase folicular (dia 2-5 do ciclo) altera os valores de referência, levando a interpretação errônea
  • Uso de anticoagulantes heparinizados — pode interferir na reação antígeno-anticorpo, resultando em subdosagem
  • Exposição da amostra a temperaturas extremas — degradação das gonadotrofinas ocorre se não refrigerada, causando resultados falsamente baixos

Valores de Referência

Valores de referência do FSH e LH
Parâmetro Homens Mulheres Crianças Unidade
FSH 1,5–12,4 mUI/mL Fase folicular: 3,5–12,5 mUI/mL; Ovulação: 4,7–21,5 mUI/mL; Fase lútea: 1,7–7,7 mUI/mL; Pós-menopausa: 25,8–134,8 mUI/mL Pré-puberdade: < 4,0 mUI/mL (ambos os sexos) mUI/mL
LH 1,7–8,6 mUI/mL Fase folicular: 2,4–12,6 mUI/mL; Ovulação: 14,0–95,6 mUI/mL; Fase lútea: 1,0–11,4 mUI/mL; Pós-menopausa: 7,7–58,5 mUI/mL Pré-puberdade: < 3,0 mUI/mL (ambos os sexos) mUI/mL

Como interpretar o resultado?

Tabela de interpretação do FSH e LH
Achado Interpretação Próxima conduta
FSH e LH elevados com estradiol baixo (mulheres) ou testosterona baixa (homens) Indica hipogonadismo primário (hipergonadotrófico), como falência ovariana prematura, síndrome de Turner ou síndrome de Klinefelter Solicitar cariótipo, dosagem de AMH (mulheres) e ecografia pélvica/testicular
FSH e LH baixos ou normais com estradiol baixo (mulheres) ou testosterona baixa (homens) Sugere hipogonadismo secundário (hipogonadotrófico), como síndrome de Kallmann, tumores hipofisários ou hiperprolactinemia Solicitar ressonância magnética de hipófise, dosagem de prolactina e outros hormônios hipofisários
FSH elevado (> 25 mUI/mL) e LH elevado em mulher pós-menopáusica Achado esperado na menopausa, confirmando depleção folicular ovariana Correlacionar com sintomas clínicos e considerar terapia de reposição hormonal se indicado
Relação LH/FSH > 2 em mulher com oligomenorreia e hirsutismo Sugere síndrome dos ovários policísticos (SOP), com hiperandrogenismo e anovulação Solicitar dosagem de testosterona livre, SHBG e ecografia pélvica
FSH e LH elevados em criança pré-puberal Indica puberdade precoce central ou periférica, exigindo investigação de causas orgânicas Solicitar dosagem de estradiol ou testosterona, idade óssea e ressonância magnética de encéfalo
FSH e LH baixos em adolescente sem desenvolvimento puberal Sugere puberdade tardia constitucional ou hipogonadismo hipogonadotrófico Avaliar idade óssea, história familiar e investigar causas de hipogonadismo secundário
FSH normal e LH elevado em homem com infertilidade Pode indicar disfunção de células de Leydig com produção inadequada de testosterona Solicitar dosagem de testosterona total e livre, espermograma e avaliação urológica
FSH elevado isoladamente com LH normal em mulher Sugere redução da reserva ovariana, como em insuficiência ovariana oculta Solicitar dosagem de AMH e ecografia pélvica para contagem de folículos antrais

Diagnóstico Diferencial

Diagnóstico diferencial para FSH e LH
Alteração Hipóteses diagnósticas Exames complementares Especialidade
FSH e LH elevados com hipoestrogenismo Hipogonadismo primário: falência ovariana prematura, síndrome de Turner, síndrome de Klinefelter Cariótipo, AMH, ecografia pélvica/testicular, dosagem de autoanticorpos ovarianos Endocrinologia / Ginecologia
FSH e LH baixos/normais com hipoestrogenismo Hipogonadismo secundário: síndrome de Kallmann, tumor hipofisário, hiperprolactinemia Ressonância magnética de hipófise, dosagem de prolactina, outros hormônios hipofisários (TSH, cortisol, GH) Endocrinologia / Neuroendocrinologia
LH elevado com FSH normal em mulher com hirsutismo Síndrome dos ovários policísticos, hipertecose ovariana, tumores produtores de androgênios Testosterona livre, SHBG, DHEA-S, ecografia pélvica Ginecologia Endocrinológica
FSH elevado isolado em mulher jovem Insuficiência ovariana oculta, reserva ovariana diminuída, exposição a toxinas gonadais AMH, ecografia pélvica para contagem de folículos antrais, dosagem de estradiol Ginecologia / Medicina Reprodutiva
FSH e LH elevados em criança Puberdade precoce central (idiopática ou orgânica), puberdade precoce periférica (tumores gonadais ou adrenais) Idade óssea, ressonância magnética de encéfalo, dosagem de estradiol/testosterona, ultrassonografia pélvica/adrenal Endocrinologia Pediátrica

Medicamentos e Interferentes

  • Anticoncepcionais hormonais combinados — suprimem a secreção de FSH e LH, resultando em níveis falsamente baixos
  • Terapia de reposição hormonal — altera os níveis basais, dificultando a interpretação do eixo gonadal
  • Glucocorticoides em altas doses — inibem o eixo hipotálamo-hipófise, reduzindo FSH e LH
  • Opioides crônicos — suprimem a secreção de GnRH, levando a hipogonadismo hipogonadotrófico com FSH e LH baixos
  • Antipsicóticos (especialmente risperidona) — causam hiperprolactinemia, que inibe a secreção de GnRH e reduz FSH e LH

Contextos Clínicos Especiais

Gestante

Durante a gestação, os níveis de FSH e LH são suprimidos devido à alta produção de estradiol e progesterona pela placenta. A dosagem não é indicada para avaliação gonadal nesse período, exceto em casos raros de tumores produtores de gonadotrofinas. Após o parto, a amenorreia lactacional também suprime FSH e LH, com retorno variável ao normal conforme a amamentação.

Idoso

Em idosos, ocorre aumento progressivo de FSH e LH devido ao declínio gonadal relacionado à idade (andropausa em homens e menopausa em mulheres). No entanto, valores muito elevados podem indicar patologias adicionais. A interpretação deve considerar comorbidades, uso de medicamentos (como opioides) e estado nutricional, que podem alterar os níveis hormonais.

Exames Relacionados

Condições Clínicas Relacionadas (CID-10)

Perguntas Frequentes

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Diretrizes Brasileiras para a Avaliação e Tratamento da Infertilidade Feminina. São Paulo: SBEM; 2021.
  2. Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Testing and interpreting measures of ovarian reserve: a committee opinion. Fertil Steril. 2020;114(6):1151-1157. 10.1016/j.fertnstert.2020.09.134
  3. Bhasin S, Brito JP, Cunningham GR, et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715-1744. 10.1210/jc.2018-00229
  4. Teede HJ, Misso ML, Costello MF, et al. Recommendations from the international evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome. Hum Reprod. 2018;33(9):1602-1618. 10.1093/humrep/dey256
  5. Lunenfeld B, Mskhalaya G, Zitzmann M, et al. Recommendations on the diagnosis, treatment and monitoring of hypogonadism in men. Aging Male. 2015;18(1):5-15. 10.3109/13685538.2015.1004049

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