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Gastroenterologia

Fosfatase alcalina: Interpretação Clínica e Indicações

A fosfatase alcalina (FA) é uma enzima presente em diversos tecidos, com isoformas hepática, óssea, intestinal e placentária, sendo clinicamente relevante como marcador de colestase e doenças ósseas metabólicas. Avalia a atividade enzimática em processos como formação óssea e excreção biliar, sendo indicada para investigação de icterícia colestática, dor óssea, ou monitoramento de doenças hepáticas e ósseas. Sinônimos incluem FA sérica e alkaline phosphatase. Linguagem técnica para médicos, abordando sua utilidade na prática clínica diária.

Revisado pelo time especializado da Sanar

Dados rápidos

Material
Sangue venoso — tubo sem anticoagulante (tampa amarela ou vermelha)
Resultado em
4–8 horas (método colorimétrico ou cinético)
Código TUSS
40322237
Especialidade
Gastroenterologia / Reumatologia

Quando solicitar este exame?

  • Investigação de icterícia colestática com prurido e colúria CID K83.1
  • Avaliação de dor óssea em paciente com suspeita de doença de Paget CID M88
  • Monitoramento de osteomalacia em paciente com deficiência de vitamina D CID M83
  • Investigação de hepatopatia colestática em paciente com fadiga e elevação de bilirrubinas CID K74.3
  • Avaliação de metástases ósseas em paciente com neoplasia conhecida CID C79.5
  • Investigação de raquitismo em criança com deformidades ósseas CID E55.0
  • Monitoramento de colangite biliar primária em paciente com anticorpos antimitocondriais positivos CID K74.3
  • Avaliação de hiperparatireoidismo primário com hipercalcemia CID E21.0
  • Investigação de obstrução biliar por cálculo em vesícula biliar CID K80.5
  • Monitoramento de doença óssea renal em paciente com insuficiência renal crônica CID N18.9

Como é feito o exame?

Variáveis pré-analíticas e interferentes

  • Hemólise da amostra — interfere na leitura espectrofotométrica, podendo causar pseudo-elevação ou redução
  • Lipemia intensa — interfere na dosagem por turbidez, resultando em valores falsamente elevados
  • Icterícia marcada — bilirrubina elevada pode interferir quimicamente, alterando resultados
  • Uso de anticoagulantes como EDTA — inibe a atividade enzimática, causando falsa redução
  • Armazenamento inadequado — degradação enzimática se a amostra não for processada em até 24 horas

Valores de Referência

Valores de referência do Fosfatase alcalina
ParâmetroHomensMulheresCriançasUnidade
Fosfatase alcalina total40–129 U/L35–104 U/L150–420 U/L (até 12 anos, devido ao crescimento ósseo)U/L

Como interpretar o resultado?

Tabela de interpretação do Fosfatase alcalina
AchadoInterpretaçãoPróxima conduta
FA elevada (> 129 U/L em homens ou > 104 U/L em mulheres)Sugere colestase hepática, doença óssea metabólica, ou ambas Solicitar GGT e bilirrubinas para diferenciar origem hepática
FA normal com GGT elevadaIndica origem hepática provável, como colestase intra-hepática Investigar com USG abdominal e marcadores de colestase
FA elevada com GGT normalSugere origem óssea, como doença de Paget ou metástases Solicitar densitometria óssea e marcadores de remodelação óssea
FA levemente elevada (até 1,5x o limite superior)Pode ser fisiológica em adolescentes ou gestantes, ou indicar doença inicial Repetir exame em 4–6 semanas e correlacionar com sintomas
FA reduzida (< 35 U/L)Rara, pode indicar hipofosfatasia, desnutrição ou deficiência de zinco Avaliar níveis de cálcio, fósforo e zinco
FA muito elevada (> 3x o limite superior)Sugere doença óssea avançada ou obstrução biliar completa Investigar com TC de abdome e marcadores tumorais se indicado

Diagnóstico Diferencial

Diagnóstico diferencial para Fosfatase alcalina
AlteraçãoHipóteses diagnósticasExames complementaresEspecialidade
FA elevada com GGT elevadaColestase hepática (obstrutiva ou intra-hepática)USG abdominal, CPRE, marcadores de colestaseGastroenterologia
FA elevada com GGT normalDoença óssea (Paget, osteomalacia, metástases)Densitometria óssea, radiografias, marcadores ósseosReumatologia ou Ortopedia
FA elevada em criançaCrescimento fisiológico, raquitismo, hepatopatiaVitamina D, cálcio, fósforo, USG abdominalPediatria
FA elevada em gestanteAumento placentário fisiológico, colestase gravídicaBilirrubinas, ácidos biliares, monitoramento fetalObstetrícia
FA muito elevada (> 1000 U/L)Doença de Paget, obstrução biliar completa, metástases ósseas extensasCintilografia óssea, TC abdominal, biópsia ósseaReumatologia ou Gastroenterologia

Medicamentos e Interferentes

  • Anticonvulsivantes (fenitoína) — induzem enzimas hepáticas, elevando FA
  • Estrogênios — podem reduzir FA em algumas condições
  • Corticosteroides — em uso crônico, podem elevar FA por efeito ósseo
  • Álcool — hepatotoxicidade aguda ou crônica eleva FA hepática
  • Suplementos de zinco — deficiência reduz FA, excesso pode interferir

Contextos Clínicos Especiais

Gestante

A FA placentária eleva-se fisiológicamente, especialmente no terceiro trimestre, podendo dobrar os valores de referência. Diferenciar de colestase gravídica, que cursa com prurido e elevação de ácidos biliares. Monitorar com bilirrubinas e USG fetal se indicado.

Criança

Valores são naturalmente elevados devido ao crescimento ósseo, podendo atingir até 420 U/L. Investigar raquitismo se houver deformidades ósseas ou deficiência de vitamina D. Correlacionar com idade e estágio de desenvolvimento.

Idoso

Redução do turnover ósseo pode mascarar doenças como osteomalacia. Valores normais não excluem patologia óssea. Considerar sintomas como dor óssea e fraturas, e solicitar densitometria se necessário.

Exames Relacionados

Condições Clínicas Relacionadas (CID-10)

Perguntas Frequentes

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Diretrizes para dosagem de enzimas hepáticas. 2020.
  2. European Association for the Study of the Liver (EASL). Clinical Practice Guidelines: Cholestatic liver diseases. J Hepatol. 2021;75(1):201-219. 10.1016/j.jhep.2021.03.034
  3. American College of Rheumatology (ACR). Guideline for the Management of Paget's Disease of Bone. Arthritis Rheumatol. 2019;71(10):1595-1606. 10.1002/art.41031
  4. Harrison TR, Fauci AS. Harrison's Principles of Internal Medicine. 20th ed. McGraw-Hill; 2018. Capítulo sobre enzimas hepáticas e ósseas.

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