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CID E55: Deficiência de vitamina D
E550
Raquitismo ativo
E559
Deficiência não especificada de vitamina D
Mais informações sobre o tema:
Definição
A deficiência de vitamina D é uma condição clínica caracterizada por níveis séricos inadequados de 25-hidroxivitamina D (25(OH)D), resultando em comprometimento da homeostase do cálcio e fósforo, com consequente impacto na saúde óssea e sistêmica. A vitamina D, um hormônio esteroide lipossolúvel, é essencial para a absorção intestinal de cálcio e fosfato, mineralização óssea e modulação de funções imunológicas e celulares. A deficiência pode ser classificada como insuficiência (níveis de 25(OH)D entre 20-29 ng/mL) ou deficiência grave (<20 ng/mL), conforme diretrizes da Endocrine Society, e está associada a maior risco de osteomalácia em adultos, raquitismo em crianças e potencialmente a doenças cardiovasculares, autoimunes e neoplasias. Epidemiologicamente, é altamente prevalente globalmente, afetando cerca de 1 bilhão de pessoas, com fatores de risco como baixa exposição solar, pigmentação cutânea escura, obesidade, idade avançada e condições malabsortivas.
Descrição clínica
A deficiência de vitamina D manifesta-se clinicamente por sinais e sintomas relacionados à hipocalcemia e desmineralização óssea. Em adultos, a osteomalácia apresenta-se com dor óssea difusa, fraqueza muscular proximal e aumento do risco de fraturas. Em crianças, o raquitismo causa deformidades esqueléticas, como genu varum ou valgum, atraso no crescimento, dor óssea e hipotonia muscular. Sintomas inespecíficos como fadiga, cansaço e susceptibilidade a infecções podem ocorrer devido ao papel imunomodulador da vitamina D. A condição é frequentemente assintomática em estágios iniciais, sendo diagnosticada incidentalmente em exames de rotina.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a idade e gravidade. Em adultos: dor óssea difusa (especialmente em coluna, quadril e costelas), fraqueza muscular proximal (dificuldade para levantar de cadeiras ou subir escadas), fadiga, e fraturas por fragilidade. Em crianças: atraso no crescimento, dor óssea, deformidades esqueléticas (como rosário raquítico, bossa frontal, deformidades em membros), hipotonia muscular, atraso na dentição e marcha anormal. Sinais de hipocalcemia podem incluir parestesias, tetania, espasmos musculares e convulsões em casos graves. A apresentação pode ser insidiosa, com sintomas inespecíficos que dificultam o diagnóstico precoce.
Complicações possíveis
Osteomalácia
Amolecimento dos ossos devido à mineralização defeituosa, levando a dor, deformidades e aumento do risco de fraturas.
Raquitismo
Em crianças, causa deformidades esqueléticas, atraso no crescimento e complicações musculoesqueléticas.
Hiperparatireoidismo secundário
Resposta compensatória à hipocalcemia, podendo levar a maior reabsorção óssea e agravamento da osteopenia.
Fraturas por fragilidade
Aumento do risco de fraturas osteoporóticas, especialmente em idosos ou indivíduos com deficiência prolongada.
Comprometimento imunológico
Maior susceptibilidade a infecções e possível associação com doenças autoimunes, devido ao papel da vitamina D na modulação imune.
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A deficiência de vitamina D é uma das deficiências nutricionais mais comuns globalmente, afetando aproximadamente 1 bilhão de pessoas. A prevalência varia com a latitude, estação do ano, idade, etnia e fatores socioeconômicos. É mais alta em regiões com pouca exposição solar, idosos, indivíduos com pele escura (devido à menor síntese cutânea), obesos, gestantes e populações institucionalizadas. No Brasil, estudos mostram prevalências significativas, especialmente em idosos e mulheres pós-menopausa. A condição é subdiagnosticada devido à natureza insidiosa dos sintomas.
Prognóstico
O prognóstico da deficiência de vitamina D é geralmente favorável com tratamento adequado, incluindo suplementação e medidas de estilo de vida. A correção dos níveis de vitamina D pode reverter sintomas como dor óssea e fraqueza muscular em semanas a meses, e melhorar a densidade óssea em longo prazo. No entanto, em casos de deficiência grave ou prolongada, deformidades ósseas em crianças podem ser permanentes, e o risco de fraturas pode persistir se não houver intervenção precoce. Fatores como adesão ao tratamento, comorbidades e causa subjacente influenciam o outcome. A monitorização regular é essencial para prevenir recidivas.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se na dosagem sérica de 25-hidroxivitamina D (25(OH)D), conforme diretrizes da Endocrine Society: deficiência (<20 ng/mL ou <50 nmol/L), insuficiência (20-29 ng/mL ou 50-74 nmol/L) e suficiência (≥30 ng/mL ou ≥75 nmol/L). A confirmação inclui avaliação de sinais clínicos (como dor óssea ou deformidades), exames laboratoriais complementares (cálcio sérico baixo ou normal, fosfato sérico baixo, PTH elevado, fosfatase alcalina elevada) e, em casos selecionados, radiografias ósseas (mostrando osteopenia, fraturas ou alterações sugestivas de raquitismo/osteomalácia). A história clínica deve investigar fatores de risco, como exposição solar, dieta e comorbidades.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Osteoporose
Doença metabólica óssea caracterizada por redução da densidade mineral óssea e aumento do risco de fraturas, mas sem defeito de mineralização; diferencia-se pela dosagem de vitamina D e biópsia óssea.
UpToDate: 'Osteoporosis: Clinical manifestations, diagnosis, and evaluation'
Hiperparatireoidismo primário
Condição com PTH elevado e hipercalcemia, ao contrário da deficiência de vitamina D onde o PTH está elevado com hipo ou normocalcemia; a dosagem de cálcio sérico é crucial.
Endocrine Society Guidelines: 'Management of Primary Hyperparathyroidism'
Doença renal crônica com osteodistrofia renal
Apresenta alterações ósseas semelhantes, mas associadas a insuficiência renal e elevação de creatinina; a deficiência de vitamina D pode ser um componente, mas a etiologia é distinta.
KDIGO Guidelines: 'Chronic Kidney Disease-Mineral and Bone Disorder (CKD-MBD)'
Síndromes de má-absorção (ex: doença celíaca)
Podem causar deficiência de vitamina D secundária, mas apresentam sintomas gastrointestinais proeminentes como diarreia e perda de peso; a investigação deve incluir testes para malabsorção.
World Gastroenterology Organisation: 'Celiac Disease'
Hipofosfatemia familiar
Distúrbio raro com baixos níveis de fosfato e raquitismo resistente à vitamina D; diferencia-se pela dosagem de fosfato e resposta ao tratamento.
Orphanet: 'X-linked hypophosphatemia'
Exames recomendados
Dosagem de 25-hidroxivitamina D (25(OH)D)
Exame padrão-ouro para avaliar o status de vitamina D; útil para diagnóstico e monitoramento.
Confirmar deficiência ou insuficiência de vitamina D.
Cálcio sérico
Avalia os níveis de cálcio; frequentemente normal ou baixo na deficiência.
Detectar hipocalcemia associada.
Fosfatase alcalina
Enzima elevada em processos de turnover ósseo aumentado, como na osteomalácia ou raquitismo.
Avaliar atividade de doença óssea.
Paratormônio (PTH) intacto
Frequentemente elevado em resposta à hipocalcemia na deficiência de vitamina D.
Identificar hiperparatireoidismo secundário.
Radiografias ósseas
Podem mostrar osteopenia, fraturas, ou alterações como linhas de Looser em osteomalácia ou alargamento epifisário em raquitismo.
Avaliar complicações ósseas e confirmar diagnóstico em casos duvidosos.
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Promover síntese endógena através de exposição solar moderada, considerando fatores como horário, duração e proteção cutânea.
Suplementação profilática
Uso de suplementos de vitamina D em doses preventivas (ex: 400-800 UI/dia) para grupos de risco, como idosos, gestantes e indivíduos com pouca exposição solar.
Fortificação alimentar
Consumo de alimentos fortificados com vitamina D, como leite e cereais, para aumentar a ingestão dietética na população geral.
Vigilância e notificação
A deficiência de vitamina D não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas sua vigilância é recomendada em grupos de risco através de programas de saúde pública, como atenção primária e rastreamento em populações vulneráveis (ex: idosos, gestantes). A ANVISA regula a suplementação e fortificação de alimentos. Em contextos clínicos, a monitorização de níveis séricos em pacientes com fatores de risco é essencial para prevenção e manejo precoce.
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De acordo com a Endocrine Society, níveis de 25-hidroxivitamina D ≥30 ng/mL são considerados suficientes; entre 20-29 ng/mL indicam insuficiência, e abaixo de 20 ng/mL definem deficiência.
Sim, a hipocalcemia associada pode levar a parestesias, tetania e convulsões, além de possíveis links com fadiga e alterações cognitivas, embora mais estudos sejam necessários.
A obesidade está associada a menores níveis séricos de vitamina D devido ao sequestro no tecido adiposo, reduzindo a biodisponibilidade; indivíduos obesos podem necessitar de doses mais altas de suplementação.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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