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Exames ginecológicos que todo médico generalista precisa saber realizar

exames ginecológicos

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Entenda como os principais exames ginecológicos são realizados, a sua importância, fornecendo um cuidado integrado à paciente. Bons estudos!

Os exames ginecológicos são extremamente importantes para a saúde das mulheres. Eles ajudam a detectar precocemente alterações e doenças que podem afetar o sistema reprodutor feminino. Todo médico generalista que atende mulheres precisa estar apto a realizar e interpretar esses exames.

Anamnese direcionada prévia ao exame ginecológico

A anamnese ginecológica é fundamental para que todos os exames ginecológicos subsequentes sejam bem interpretados.

Ela consiste em tópicos mais direcionados à saúde da mulher, a fim de compreender a história pregressa de possíveis alterações. Além das perguntas direcionadas, os hábitos de vida e alergias devem ser questionados.

Identificação

A identificação da paciente inclui todas as informações pessoais correspondente à sua individualidade. Dentre essas informações, temos:

  • Nome completo;
  • Data de nascimento;
  • Idade;
  • Cor;
  • Estado civil;
  • Naturalidade;
  • Religião;
  • Grau de instrução;
  • Endereço e telefone de contato.

Essas informações em registro podem ser úteis para reunir informações para um estudo acerca de uma determinada condição.

Queixa principal e História da Moléstia Atual (HMA)

O que traz a paciente à unidade de saúde. Esse tópico, assim como em outras especialidades, deve ser curto. Além do motivo principal da consulta, deve contar o tempo desde o início do sintoma. A queixa principal deve ser descrita com as palavras da paciente.

Exemplo: “Coceira em região íntima, há 4 dias”.

A história da moléstia atual (HMA) deve explorar as características principais da queixa da paciente. Com isso, a evolução do sintoma, alterações associadas à ele, ingestão de medicações para melhora dos sintomas.

Antecedentes ginecológicos, sexuais e obstétricos

Cada um desses antecedentes devem ser descritos separadamente, explorando as principais informações acerca deles.

Nos antecedentes menstruais, pergunte sobre a menarca, padrão menstrual (intervalos, duração do ciclo, intensidade do fluxo). É importante questionar sobre a presença de síndrome pré-menstrual e seus sintomas, como cefaleia e mudanças de humor. Ainda, como foi a última menstruação e sua data (DUM).

Os antecedentes sexuais também devem ser explorados com cuidado. Quando foi a primeira relação sexual (coitarca), o número de parceiros e se no momento a vida sexual da paciente está ativa.

Ainda, é importante questionar sobre a libido e orgasmos, frequência dos coitos, e se ocorre alguma dor durante o evento. Por fim, eventos prévios de IST’s e o método contraceptivo usado também são informações valiosas.

Nos antecedentes obstétricos, o número de gestações, partos e abortos deve ser interrogado, sendo descrito da seguinte forma: (G/P/A). Como exemplo, se a paciente teve 2 gestações, mas apenas 1 delas culminou em parto, temos: (G2/P1/A1). Sobre o aborto, é válido entender se foi espontâneo ou provocado, lembrando à paciente sobre o sigilo médico.

As consultas pré-natal realizadas durante a gestação também devem ser questionadas, bem como possíveis intercorrências e complicações. Em caso de aborto, entender se foi realizada curetagem prévia. Ainda, se o pós-parto, amamentação ocorreram bem e quanto tempo duraram.

Exames ginecológicos de rotina: quais são eles?

Os exames ginecológicos de rotina recomendados para as mulheres incluem o exame de Papanicolau e o exame clínico das mamas.

O exame clínico das mamas é recomendado a partir dos 25 anos, sendo especialmente importante para mulheres com histórico familiar de câncer de mama. Trata-se de um exame de palpação das mamas pelo médico ou profissional de saúde. O objetivo dessa pesquisa é detectar eventuais alterações, como nódulos ou espessamentos.

Além desses exames, outros exames ginecológicos podem ser recomendados de acordo com a idade, histórico médico e condição de saúde da mulher. Exemplos incluem a ultrassonografia pélvica, a mamografia. Outro exame realizado é a densitometria óssea, reservado para pacientes menopausadas, geralmente, há 10 anos ou mais.

É fundamental que as mulheres consultem regularmente seu médico ginecologista, para avaliar a necessidade de realização de exames.

Orientações para iniciar os exames ginecológicos

Uma dúvida frequente das pacientes é sobre a necessidade de tricotomia para os exames ginecológicos. É importante que seja esclarecido que essa não é uma obrigação, sem impacto na qualidade do exame.

Antes do início dos exames ginecológicos, a paciente deve ser orientada sobre o que vai ser feito. É importante se certificar que não há dúvidas.

Encaminhe a paciente para uma sala a parte ou lavabo, para que ela troque de roupa, vestindo um avental. A posição do avental deve ser com a abertura para frente, permitindo que o exame da mama seja feito. Ainda, solicite a paciente que, caso sua bexiga esteja cheia, urine antes do exame.

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Avental descartável com abertura voltada para frente.

Os materiais para os exames devem ser separados antes, como a espátula de Ayre e a escova endocervical. Somado a eles, gaze e uma pinça Cheron, ou outra semelhante. Além deles, a lâmina e laudo devem também ser preparados previamente, em caso de coleta de material.

Separe um lençol para cobrir as partes íntimas da paciente no momento de realização do exame ginecológico.

Órgãos genitais externos (OGE): exame físico ginecológico

Para essa etapa, a paciente deve ser colocada em posição ginecológica. Peça a ela que se deite na maca e desça o quadril à quina da cama, pise, e afaste os joelhos. A paciente deve ficar confortável, e o examinador com máscara e luvas durante o procedimento. Podemos visualizar essa posição abaixo, no entanto lembre-se que o avental deve estar com a abertura para frente.

Exames ginecológicos
Figura 2: Posicionamento da paciente para realização dos exames ginecológicos.

A inspeção estática da vulva é a primeira etapa do exame ginecológico. Nesse momento, deve-se observar o trofismo da vulva, sua pilificação, coaptação e lesões. Olhar a simetria dos lábios externos e internos. Sob uma tração suave dos lábios externos, observar a região vestibular, lábios internos, clitóris e meato uretral.

Na inspeção dinâmica da vulva, pede-se a paciente que realize a manobra de Valsalva, observando eventual descida das paredes, colo ou perda urinária.

Órgãos genitais internos (OGI): exame físico ginecológico

Para inspecionar a vagina e colo uterino é necessário o exame especular. É nessa inspeção que o avaliador se certificará da necessidade de coleta de material para a citologia.

Deve ser selecionado o espéculo mais adequado e mantê-lo fechado. Explique à paciente sobre o procedimento e a sua importância. A introdução do espéculo deve seguir o seguinte passo a passo:

  1. Afastar lábios externos e introduzir o espéculo cuidadosamente;
  2. O espéculo deve estar ligeiramente inclinado na fenda vulvar à esquerda da paciente, também com uma inclinação para baixo;
  3. Á medida que é introduzido, realiza-se um movimento de rotação para horizontalizar as valvas;
  4. No caso de pacientes menopausadas, é interessante umedecer o espéculo com solução fisiológica para facilitar a introdução;
  5. Após introduzido, inicia-se a abertura das valvas, de modo lento e cuidadoso.

Aberto o espéculo, deve-se observar as características e alterações da parede vaginal, fundos de saco e colo uterino, bem como o fluxo genital.

Considerando a realização de coleta de material para o exame preventivo, usa-se a espátula de Ayre e a escovinha endocervical.

Exames ginecológicos
Figura 3: Espátula de Ayre e escova endocervical.

Com a borda recortada da Espátula, adaptar a parte protusa no orifício externo do colo, e realizar um movimento de 360º. Em seguida, introduzir a escova no canal endocervical realizando movimento giratório de 180º. Os materiais devem ser distribuídos na lâmina separadamente, como representado abaixo:

Exames ginecológicos
Figura 4: Distribuição do material coletado em preventivo.

Exame preventivo: um dos exames ginecológicos mais completos

Um dos exames mais comuns é o Papanicolau, também conhecido como exame preventivo.

Ele é indicado para mulheres a partir dos 25 anos aos 64 anos, segundo o Ministério da Saúde. Consiste na coleta de células do colo do útero para avaliar a presença de células anormais que possam indicar a presença de lesões pré-cancerígenas ou câncer de colo do útero.

É importante ressaltar que o exame preventivo deve ser realizado regularmente, a cada três anos para mulheres com resultado normal e, em casos específicos, com maior frequência.

Toque vaginal simples e combinado: como fazer?

O toque vaginal faz parte dos exames ginecológicos que podem ser feitos por qualquer generalista.

No toque vaginal simples, deve-se antecipar o exame à paciente, explicando a ela o que será realizado. A luva deve ser lubrificada e, em seguida, os lábios externos devem ser afastados, seguida pela introdução de 1 ou 2 dedos no canal vaginal.

Ao alcançar o fórnix, deve ser observado o tamanho, elasticidade, abaulamentos ou tumorações vaginais. Ainda, deve ser observada as características do colo uterino.

No toque vaginal combinado, o examinador deve combinar o toque simples e palpar o corpo uterino.

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Figura 5: Toque vaginal combinado.

Durante esse exame, deve solicitar a paciente que aperte os dedos do examinador, a fim de avaliar a tonicidade da musculatura. Também pode-se palpar os anexos, à direita e esquerda, quando possível.

Toque retal simples e combinado faz parte do exame ginecológico

O toque retal simples tem indicações quando há tumoração pélvica e para estadiamento do câncer genital.

Para realizá-lo, deve-se calçar luvas e lubrificar o dedo indicador. Realizar o toque avaliando o tônus do esfíncter anal, as paredes e o conteúdo da ampola retal. Ainda, vale investigar sobre eventual retocele.

Teste de Shiller: como é realizado?

O teste de Schiller, também conhecido como teste do iodo ou teste de Lugol, é um exame ginecológico realizado para detectar a presença de células anormais no colo do útero.

O procedimento é realizado durante um exame ginecológico de rotina, após a abertura do canal vaginal pelo espéculo, como vimos. Em seguida, uma solução de ácido acético é aplicada no colo do útero.

A solução de ácido acético age na mucosa cervical, fazendo com que as células normais fiquem esbranquiçadas e as células anormais fiquem com uma coloração acinzentada. O médico examina então o colo do útero em busca de áreas com essa coloração alterada, que podem indicar a presença de células pré-cancerosas ou cancerosas.

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Figura 6: Teste de Shiller.

O teste de Schiller é um exame simples, rápido e indolor, mas não é capaz de diagnosticar o câncer de colo do útero sozinho. Em caso de suspeita de anormalidades, pode ser necessário realizar outros exames complementares para confirmar o diagnóstico.

Colposcopia: a quem indicar esse exame ginecológico?

Outro exame muito importante é a colposcopia. Ele é indicado para mulheres que apresentam resultados alterados no Papanicolau.

O exame consiste na observação do colo do útero com um aparelho chamado colposcópio, que permite visualizar a região com mais detalhes. Caso sejam identificadas lesões suspeitas, pode ser realizada uma biópsia para confirmar o diagnóstico.

Em pacientes histerectomizadas, para prevenção do câncer vaginal, a coleta deve ser realizada com a extremidade lisa da espátula de Ayre.

Descrição do exame ginecológico com ou sem alterações

A descrição dos exames ginecológicos deve ser cuidadoso, conforme as etapas do exame de órgãos genitais externos (OGE) e internos (OGI).

PILIFICAÇÃO: ginecoide, androide ou tricotomizada;
MONTE DE VÊNUS: trófico ou hipotrófico;
VULVA: coapta, entreaberta ou hiante. Lábios simétricos, vestíbulo róseo, pálido ou hiperemiado. Clitóris com ou sem alterações, hímen roto ou íntegro. Carúnculas normais ou hipertrofiadas.

PAREDES VAGINAIS: com rugosidade mantida ou diminuída;
FLUXO VAGINAL: ausente ou presente e o tipo;
MUCOSA: rósea, pálida ou hiperemiada;
TESTE DE SHILLER:
negativo (corado), iodo claro, irregularmente corado, positivo (iodo negativo), ou corado com pontos de iodo clado.
VAGINA:
amplitude, elasticidade, se mantida ou não, se para dois dedos; superfície: lisa ou rugosa.
COLO DO ÚTERO
: Se móvel ou fixo; consistência: fibroelástica ou não.

Recomendações importantes para a sua paciente

Além desses exames, existem outros que podem ser indicados conforme a necessidade e os sintomas apresentados pela paciente.

É importante que todo médico que atenda mulheres esteja apto a realizar e interpretar esses exames, a fim de garantir a saúde e o bem-estar de suas pacientes.

Vale lembrar que, além dos exames, é fundamental incentivar a prática de hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada, atividade física regular e uso de preservativo nas relações sexuais.

O exame de ultrassonografia pélvica é outro exame comum na avaliação ginecológica. Ele é indicado para avaliar as estruturas do sistema reprodutor feminino, como ovários, útero e trompas. Pode ser realizado tanto por via abdominal quanto transvaginal, dependendo da necessidade.

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Perguntas frequentes

  1. Qual é a importância de se fazer exames ginecológicos?
    É importante prevenir o aparecimento de lesões no colo do útero, descobertas por meio dos exames ginecológicos.
  2. Quais são os instrumentos usados para coletar material da mucosa?
    A espátula de Ayre e escova endocervical.
  3. Além dos exames ginecológicos quais medidas podem ser tomadas para a saúde da mulher?
    É importante que a paciente seja incentivada a manter uma alimentação equilibrada e atividade física.

Referências

  1. Manual de Ginecologia. Margarida Santos Matos e colaboradores. Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
  2. Figura 2.
  3. Figura 4.

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