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Evolução clínica da Covid-19 | Ligas

Evolução clínica da Covid-19 - Sanar Medicina

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Em dezembro de 2019, a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi alertada sobre a existência de um surto de pneumonia por coronavírus em Wuhan, na China. A OMS definiu a nova doença causada por coronavírus como COVID-19.

O coronavírus é um vírus de RNA envelopado, do gênero Betacoronavírus, distribuído entre aves, humanos e outros mamíferos (ROSA; SANTOS, 2020). Mais recentemente, passou a ser chamado de SARS-CoV-2 (do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2). Em 11 de março de 2020 foi considerada uma pandemia (BRASIL, 2020a).

Aspectos imunológicos da Covid-19

Segundo Shy e colaboradores (2020), a infecção pelo SARS-CoV-2 pode ser dividida em três estágios. O primeiro corresponde ao período de incubação com ou sem vírus detectável. O estágio II refere-se ao período sintomático não grave com a detecção do vírus e o estágio III é o sintomático respiratório grave com alta carga viral.

Durante os estágios I e II é necessária uma resposta imune endógena protetora e específica para debelar o vírus e impedir que a doença progrida para estágios graves.

Desta forma, é preciso que o indivíduo tenha bom estado de saúde e predisposição genética adequada. Quando essa resposta endógena protetora falha, há a propagação do vírus com dano celular em órgãos afetados, como os pulmões, induzindo inflamação por meio de macrófagos e granulócitos.

Nos casos graves, parece haver a Síndrome de Liberação de Citocinas (CRS) mediada por outros leucócitos que não as células T. A interleucina-6 (IL-6), o fator de necrose tumoral (TNF) e a interleucina-1 (IL-1) também atuam nessa fase inflamatória. A resposta imune ao dano no tecido pode evoluir para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) (SHY, et al., 2020). 

Período de incubação

O período de incubação dura em média de 5 a 6 dias, podendo variar de 0 a 14 dias após a exposição (BRASIL, 2020b).

Evolução clínica e laboratorial da Covid-19

A apresentação clínica se assemelha a sintomas leves de pneumonia viral e a gravidade da doença varia de leve a grave. Alguns indivíduos acometidos podem ser minimamente sintomáticos ou assintomáticos. Aproximadamente 80% dos pacientes apresentam doença leve, 14% doença grave e 5% forma crítica. Sugere-se que a gravidade da doença está associada à idade avançada e à presença de condições de saúde subjacentes (BRASIL, 2020a).

As experiências práticas mostram a evolução clínica da COVID-19 em algumas fases. Entretanto, o período em que cada fase ocorre é variável. Acredita-se, ainda, que a letalidade pode estar relacionada a fase da doença.

Em 80% dos casos, os sintomas são benignos: queda do estado geral, mal estar, anosmia, disgeusia, sintomas respiratórios, como coriza e sensação de resfriado prolongado, sem comprometimento grave ou risco de morte. Contudo, os 20% restante terão a doença, pelo menos, em grau moderado com acometimento do sistema respiratório. Destes, 5% necessitarão de internamento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Para compreensão didática, as fases podem ser divididas em quatro.

Primeira fase

 O paciente encontra-se na primeira semana da doença. A clínica observada é um estado gripal, com coriza, mal estar, febrícula e em alguns casos já é observado anosmia e disgeusia. Outros sintomas também podem ser percebidos, como diarreia e conjuntivite.

Nessa fase, os exames laboratoriais de rotina, gasometria arterial e saturação de oxigênio (SpO2) no sangue estarão normais. Pode haver linfopenia leve. Quanto aos exames de imagem, a maioria terá Tomografia Computadorizada (TC) de tórax sem alterações, a minoria pode apresentar Ultrassonografia (USG) de tórax com presença de linha B e, nesses casos, pode ser visto, na TC, alteração do tipo vidro fosco localizada.

Segunda fase

Ocorre por volta da segunda semana. Nesse momento há o surgimento de tosse seca, artralgia, mialgia e febrícula em torno de 37,5 a 37,8 °C. Se realizado exame laboratorial, há linfopenia com maior intensidade, ferritina e proteína C reativa (PCR) elevados, indicando inflamação, SpO2 mais baixa do que na fase anterior, porém, ainda acima de 93%. O dímero-D começa a alterar-se.

 No Raio X e USG de tórax, é observado um pouco mais de espessamento pleural e, na TC de tórax, será observado vidro fosco, mostrando a instalação da pneumonia. Nesse momento, o indivíduo pode evoluir com a resolução do caso, o que corresponde a maioria (80%), ou com o agravamento.

Terceira fase

 Embora não seja preciso o momento exato dessa fase, ela ocorre com o agravamento dos sintomas respiratórios entre o 8º e o 10º dia, com tosse e dispneia acentuadas e SpO2 menor que 93%. Há também elevação mais intensa de ferritina, PCR, desidrogenase láctica (LDH) e dímero-D. Há, ainda, elevação de IL-6 e, em alguns casos, plaquetopenia.

Nos achados de imagem, há maior delineamento do aspecto de vidro fosco e infiltrado bilateral com predomínio periférico (Figura 1). Também pode começar a surgir derrame pleural localizado.

Covid-19 - Imagens de TCAR de tórax (cortes axiais) demonstrando opacidades em vidro fosco multifocais e bilaterais, com predomínio periférico e posterior.
Figura 1: Imagens de TCAR de tórax (cortes axiais) demonstrando opacidades em vidro fosco multifocais e bilaterais, com predomínio periférico e posterior. Fonte: ARAÚJO-FILHO et al, 2020.

Quarta fase

A mudança da terceira para quarta fase é rápida. Nessa fase, o paciente encontra-se em um quadro mais crítico do que na fase anterior. Pode-se observar choque, febre acima de 38 °C, linfopenia, leucopenia, plaquetopenia, elevação de transaminases, elevação exacerbada de ferritina e dímero-D e distúrbio de coagulação. Em muitos casos, há também o comprometimento da função cardiovascular.

Confira o vídeo de evolução clínica de Covid-19:

Liga e autores:

Liga Acadêmica de Clínica Médica do Seridó

  • Ana Olívia Dantas;
  • Marianna Gil de Farias Morais;
  • Taisa Lorena Leite de Freitas Galdino;
  • Gerry Alex de Araújo Maia;
  • Anna Santana Pereira Rolim de Araújo;
  • Thaliny Batista Sarmento de Oliveira;
  • José Sebastião de Araújo Júnior;
  • Dorothy Bezerra Linhares.

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