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Esteatose hepática não alcoólica: o que é, manifestações clínicas e mais

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A obesidade é um dos principais fatores predisponentes para o desenvolvimento de doenças metabólicas, entre elas a esteatose hepática não alcoólica (NAFLD, Non-Alcoholic Fatty Liver Disease). Considerada a manifestação hepática da síndrome metabólica, a NAFLD é uma condição de alta prevalência mundial, especialmente em populações obesas, com implicações metabólicas que aumentam o risco de morbimortalidade.

Entre os subtipos de NAFLD, destaca-se a esteato-hepatite não alcoólica (NASH, Non-Alcoholic Steatohepatitis), que representa a forma progressiva da doença.

Fisiopatologia da esteatose hepática não alcoólica

A NAFLD resulta do acúmulo de gordura (triglicerídeos) nos hepatócitos em decorrência do desequilíbrio metabólico. A obesidade, especialmente a visceral, está associada a um estado de resistência à insulina, o qual promove lipólise no tecido adiposo e aumento da liberação de ácidos graxos livres na circulação. Esses ácidos graxos são captados pelo fígado, levando ao acúmulo de gordura.

A progressão para NASH envolve mecanismos adicionais, como o estresse oxidativo e a disfunção mitocondrial. A inflamação hepática ocorre por meio da ativação de células de Kupffer e secreção de citocinas pró-inflamatórias, como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). A progressiva fibrose hepática é mediada por células estreladas ativadas, podendo culminar em cirrose e carcinoma hepatocelular em estágios avançados.

Implicações metabólicas da esteatose hepática não alcoólica

A NAFLD está intimamente relacionada à síndrome metabólica e é considerada um marcador de risco para doenças cardiovasculares. Pacientes com NAFLD apresentam maior prevalência de dislipidemia, hipertensão e diabetes mellitus tipo 2. A inflamação sistêmica crônica, característica dessa condição, contribui para aterosclerose e disfunção endotelial.

Prevalência no Brasil e no mundo

Estima-se que a NAFLD afete cerca de 25% da população mundial. Em populações obesas, essa prevalência pode chegar a 80-90%. No Brasil, estudos sugerem prevalência de NAFLD em torno de 30% na população geral e até 60% em indivíduos diabéticos. A alta prevalência de obesidade e sedentarismo no país contribui para esses números alarmantes.

A prevalência de NASH é menor, estimada entre 2-5% na população global, mas seu impacto é significativo devido ao risco elevado de progressão para cirrose e complicações hepáticas.

Diagnóstico esteatose hepática não alcoólica

O diagnóstico de NAFLD requer a exclusão de outras causas de doença hepática, como hepatite viral e consumo significativo de álcool.

  1. Métodos não invasivos: a ultrassonografia é amplamente utilizada para detectar esteatose hepática, mas não diferencia NAFLD de NASH. A elastografia transitória (FibroScan) pode ser úteis para avaliar fibrose
  2. Marcadores séricos: escores, como o NAFLD Fibrosis Score (NFS) e o escore FIB-4, ajudam a identificar pacientes com risco de fibrose avançada
  3. Bópsia hepática: apesar de invasiva, permanece o padrão-ouro para o diagnóstico diferencial entre NAFLD e NASH, bem como para a quantificação da fibrose.

Possibilidades de tratamento da Esteatose hepática não alcoólica

Intervenções no estilo de vida

O emagrecimento é a intervenção mais eficaz para tratar a NAFLD. Estudos mostram que uma redução de 7-10% do peso corporal melhora significativamente a esteatose e inflamação hepática. Dietas hipocalóricas e exercícios físicos regular são fundamentais.

Terapia farmacológica da Esteatose hepática não alcoólica

Atualmente, não existem medicamentos aprovados especificamente para NAFLD ou NASH. Entretanto, algumas opções farmacológicas incluem:

  • Pioglitazona: Indicado para pacientes com diabetes tipo 2, melhorando a sensibilidade à insulina e reduzindo a inflamação hepática.
  • Agonistas de GLP-1 (liraglutida, semaglutida): Demonstraram redução da esteatose e inflamação hepática, além de promover perda de peso significativa.
  • Vitamina E: Apresenta efeitos antioxidantes e melhora histológica em pacientes não diabéticos com NASH.

Abordagens cirúrgicas

A cirurgia bariátrica é eficaz para indivíduos com obesidade severa, resultando em redução drástica de peso e melhora significativa na esteatose, inflamação e fibrose.

Terapias experimentais

Novas moléculas, como agonistas duais e triplos de receptores metabólicos (tirzepatida e cotadutida), estão em estudo e demonstraram promissores efeitos hepáticos e metabólicos.

Conclusão

A NAFLD é uma condição de alta prevalência e impacto clínico, fortemente associada à obesidade e ao aumento das taxas de doenças metabólicas no Brasil e no mundo. Seu manejo requer intervenções precoces e multidisciplinares, visando prevenir a progressão para NASH, fibrose avançada e suas complicações. Avanços no entendimento da fisiopatologia e no desenvolvimento de terapias específicas são promissores para melhorar os desfechos nesses pacientes.

Referências

  1. Younossi ZM, Koenig AB, Abdelatif D, et al. Global epidemiology of NAFLD and NASH: a systematic review. Hepatology. 2016;64(1):73-84.
  2. Cotter TG, Rinella M. Nonalcoholic Fatty Liver Disease 2020: The State of the Disease. Gastroenterology. 2020;158(7):1851-1864.
  3. Ministério da Saúde, Brasil. Vigitel Brasil 2021: Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico.
  4. Chalasani N, Younossi Z, Lavine JE, et al. The diagnosis and management of nonalcoholic fatty liver disease: practice guidance. Hepatology. 2018;67(1):328-357.

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