Neste post falaremos sobre um tema que está se tornando preocupação crescente entre os cientistas: é possível que pacientes recuperados da COVID-19 mantenham um estado pró-trombótico em atividade após meses de recuperação.
Desde o início da pandemia, muitos estudos foram realizados e mostraram a evidente necessidade de anticoagular pacientes internados com COVID-19.
Embora permaneça ainda algumas lacunas, como dose exata e tempo preciso de tratamento, já é consenso a necessidade de amenizar o estado pró-trombótico gerado pela infecção do novo coronavírus.
O que ainda resta saber é se há necessidade de manter profilaxia antitrombótica após a alta hospitalar.
O que dizem os estudos até o presente momento
Algumas pesquisas mostraram que o estado de homeostase da coagulação dos pacientes internados por COVID-19 encontrava-se restaurado após a alta hospitalar.
No entanto, estudos mais recentes têm levantado dúvida a respeito do tema, já que nestes estudos havia evidências de anormalidades hematológicas mesmo após meses da alta do paciente.
Em um destes estudos, após 4 meses passados da infecção pelo SARS-CoV-2, 25% dos pacientes apresentavam elevações das concentrações de D-dímero.
E os pacientes sem necessidade de internação?
Outro questionamento que ainda carece de respostas é se há necessidade de profilaxia antitrombótica para pacientes que não necessitaram de internação hospitalar.
No mesmo estudo que mencionamos, aproximadamente 1 ⁄ 3 dos pacientes que tiveram COVID-19 foram manejados sem necessidade de internação hospitalar, e ainda assim apresentaram elevações de D-dímero após 4 meses da doença.
Qual importância prática destas descobertas?
Se os pacientes permanecem com estado pró-trombótico mesmo após recuperação e alta hospitalar, as implicações serão de grande interesse prático para os médicos.
Isto porque a instituição de profilaxia antitrombótica após a alta poderá beneficiar os pacientes que se recuperaram da COVID-19.
As potenciais consequências clínicas, os mecanismos por trás da sustentação do estado pró-trombótico e a melhor forma de abordar estes pacientes, são as próximas perguntas que o esforço dos pesquisadores se dedicará a responder.
Referências
Sustained prothrombotic changes in convalescent patients with COVID-19 – The Lancet Haematology