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Episclerite: como diferenciar de esclerite e conduzir o caso

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Episclerite é uma inflamação benigna e autolimitada da episclera, a camada de tecido conjuntivo localizada entre a conjuntiva e a esclera.

Apesar de sua apresentação relativamente comum e de curso leve, ela pode ser confundida com quadros mais graves, como a esclerite, uma inflamação profunda da esclera frequentemente associada a dor intensa e a doenças sistêmicas.

Portanto, distinguir corretamente essas duas condições é fundamental para evitar atrasos diagnósticos e intervenções inadequadas, especialmente porque a esclerite pode evoluir com complicações que ameaçam a integridade ocular e a visão.

Ao longo deste texto, serão abordados os principais aspectos clínicos da episclerite, com foco em sua diferenciação em relação à esclerite e na condução apropriada dos casos, destacando exames indicados e estratégias terapêuticas.

Anatomia ocular

A anatomia do globo ocular é essencial para a compreensão de doenças como a esclerite e a episclerite, uma vez que essas condições envolvem diferentes estruturas da parede ocular.

Anatomia ocular.

O olho adulto mede aproximadamente 2,5 cm de diâmetro e está quase totalmente protegido dentro da órbita, com apenas uma pequena porção exposta ao ambiente externo. A parede do globo ocular é formada por três camadas concêntricas.

A mais externa é a túnica fibrosa, que inclui a córnea na parte frontal e a esclera posteriormente. A esclera, estrutura espessa e opaca, representa a parte branca do olho, dando-lhe forma e proteção. Já a córnea é transparente e responsável pela refratação inicial da luz.

A camada intermediária é a túnica vascular ou úvea, que inclui a coroide, o corpo ciliar e a íris. A coroide, situada entre a esclera e a retina, é altamente vascularizada e pigmentada, sendo responsável por nutrir a retina e absorver o excesso de luz. O corpo ciliar contém os processos ciliares que produzem o humor aquoso, e o músculo ciliar, que atua na acomodação visual. A íris, por sua vez, regula a entrada de luz pela pupila e define a cor dos olhos com base na concentração de melanina.

A camada mais interna do olho é a retina, composta por uma camada pigmentada e uma camada neural. A retina abriga os fotorreceptores que convertem a luz em sinais nervosos, conduzidos ao cérebro pelo nervo óptico.

Compreender a anatomia do olho é fundamental para diferenciar esclerite, inflamação profunda e dolorosa da esclera, da episclerite, que acomete a camada mais superficial da túnica fibrosa, chamada epiesclera (localizada entre a conjuntiva e a esclera propriamente dita).

O que é episclerite?

A episclerite é uma inflamação aguda que acomete a camada de tecido frouxo entre a conjuntiva e a esclera, chamada episclera. Pode afetar um ou ambos os olhos e manifesta-se nas formas difusa, setorial ou nodular.

Embora a maioria dos casos de episclerite não tenha causa identificável, cerca de 30% estão ligados a doenças sistêmicas subjacentes. As mais comuns são doenças autoimunes e inflamatórias, como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, doença de Crohn, retocolite ulcerativa, espondilite anquilosante e outras vasculites, como granulomatose com poliangeíte. Em menor proporção, infecções como sífilis, herpes, doença de Lyme e febre da arranhadura do gato também podem desencadear o quadro inflamatório da episclera.

No que se refere à fisiopatologia, a episclerite resulta de uma inflamação não granulomatosa dos vasos sanguíneos da episclera. O processo envolve a ativação de células imunes locais, como linfócitos e macrófagos, que liberam substâncias inflamatórias responsáveis por vasodilatação, aumento da permeabilidade dos vasos e recrutamento de mais células inflamatórias.

Episclerite. Fonte: UpToDate, 2025.

O que é esclerite?

Por outro lado, a esclerite é uma inflamação grave e profunda da esclera, a camada externa e resistente do olho. Ela pode ocorrer de forma anterior (com apresentação difusa, nodular ou necrosante) ou posterior (também difusa ou nodular), e sua manifestação pode ser unilateral ou bilateral. Ademais, a gravidade do quadro varia, podendo comprometer significativamente a visão, especialmente quando associada a doenças sistêmicas.

A causa pode ser idiopática, mas, assim como a episclerite, muitas vezes está relacionada a condições autoimunes ou infecções. Também pode associar-se a tumores oculares (como melanomas de coroide) ou intervenções cirúrgicas e certos medicamentos, como os bifosfonatos usados para tratar osteoporose.

Do ponto de vista fisiopatológico, a esclera contém colágeno e elastina, semelhantes aos tecidos articulares, o que a torna propensa a inflamações em contextos reumatológicos. Além disso, por ser pouco vascularizada, depende dos vasos das camadas vizinhas para nutrição e remoção de resíduos, o que influencia tanto na fisiopatologia quanto no curso da doença.

Esclerite. Fonte: UpToDate, 2025.

Como diferenciar episclerite de esclerite?

A diferenciação entre esclerite e episclerite baseia-se principalmente na localização da inflamação, na intensidade dos sintomas e em exames clínicos específicos.

A esclerite afeta a esclera profunda, sendo geralmente mais grave, com dor intensa que pode irradiar, fotofobia, lacrimejamento e possível redução da visão. Já a episclerite envolve a camada mais superficial, a episclera, causando vermelhidão e desconforto leve, geralmente sem comprometimento visual, fotofobia ou secreção. Além disso, a dor na esclerite é mais severa, com sensibilidade à movimentação ocular, diferentemente da episclerite, em que a dor é leve ou ausente.

Ademais, um teste importante para a diferenciação clínica é a aplicação de fenilefrina 2,5%. Na episclerite, a vasodilatação desaparece com a instilação da fenilefrina, fazendo com que os vasos inflamados “clareiem”, enquanto na esclerite os vasos permanecem congestionados, mantendo a vermelhidão.

Diagnóstico da episclerite

Considera-se o diagnóstico de episclerite especialmente em pacientes que apresentam vermelhidão ocular súbita, irritação e lacrimejamento, geralmente sem dor significativa e com visão preservada.

O exame físico revela uma vermelhidão intensa da episclera devido à dilatação dos vasos superficiais, acompanhada de edema da episclera, sem alterações na esclera profunda. Para garantir precisão, recomenda-se o uso da lâmpada de fenda para distinguir episclerite de outras condições.

Além do exame ocular, realiza-se uma avaliação detalhada do histórico clínico e exame físico para identificar sinais ou sintomas de doenças sistêmicas associadas. Caso haja suspeita de envolvimento sistêmico, solicita-se exames laboratoriais e de imagem para investigar condições autoimunes, inflamatórias ou infecciosas.

Em situações em que a inflamação episcleral persiste e não responde ao tratamento, indica-se a realização de biópsia para confirmar o diagnóstico e descartar vasculites graves.

Condução da episclerite

A avaliação para condições associadas à episclerite varia conforme o histórico do paciente e se é um episódio inicial ou recorrente.

No primeiro episódio, além do exame oftalmológico completo, geralmente basta uma avaliação clínica geral para descartar outras doenças. Nesse contexto, pacientes com histórico e exame normais devem ser tranquilizados, pois a episclerite costuma ser benigna, e exames adicionais só são indicados em casos de recorrência ou surgimento de novos sintomas.

Por outro lado, quando há episclerite recorrente ou suspeita de doença sistêmica, exames laboratoriais básicos (como hemograma, perfil químico, análise de urina e marcadores inflamatórios) e testes sorológicos especializados são necessários para investigar possíveis doenças autoimunes ou infecciosas associadas. Além disso, encaminhamentos a especialistas, como reumatologistas, devem ocorrer caso haja suspeita de condições sistêmicas.

Tratamento medicamentoso

Quanto ao tratamento, a episclerite é geralmente autolimitada e não ameaça a visão, focando-se no alívio dos sintomas.

Inicialmente, recomendam-se lubrificantes oculares para conforto. Se os sintomas persistirem, podem ser usados anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) tópicos, desde que não haja comprometimento da superfície ocular. Em casos resistentes, corticosteroides tópicos de baixa potência são indicados, sempre com supervisão oftalmológica devido aos riscos de efeitos colaterais, como aumento da pressão intraocular e catarata.

Para casos que não respondem ao tratamento tópico, AINEs orais podem ser usados com cautela, considerando possíveis efeitos adversos gastrointestinais. O uso de corticosteroides orais é raro, reservado para episclerites nodulares persistentes.

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Referências

  • Dana, R. Episcleritis. UpToDate, 2025.
  • Jacobs, D. S. The red eye: Evaluation and management. UpToDate, 2025.
  • Lagina, A.; Ramphul, K. Esclerite. National Library of Medicine, 2023.
  • Rehman, I.; Hazhirkarzar, B.; Patel, B. C. Anatomy, Head and Neck, Eye. National Library of Medicine, 2023.
  • Schonberg, S.; Stokkermans, T. J. Episclerite. National Library of Medicine, 2023.

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