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Empatia como base da educação médica | Colunistas

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“Tão importante quanto conhecer a doença que o homem tem, é conhecer o homem que tem a doença”.

Sir William Osler

MEDICINA

Etimologicamente,
medicina deriva do latim, “mederi”, o que significa “saber o melhor caminho” ou
“arte de curar”. Historicamente, a origem da medicina mescla-se à origem da
humanidade. Desde que houve o primeiro instinto de sanar a dor de outro, houve
medicina.

EMPATIA

Segundo
dicionários, empatia é a ação de se colocar no lugar do outro, sentir a dor do
outro. No contexto de saúde e doença, a empatia é fundamental para aliviar o
sofrimento do outro, para exercer a arte de curar. É preciso perceber a dor do
outro para saná-la.

Ademais, a medicina holística necessita do pré-requisito da empatia para ultrapassar os limites físicos da dor e alcançar as dores que não são vistas em exames, mas que também doem e somatizam. A empatia é a visão do invisível, é a preocupação e interesse pelo outro; é o meio pelo qual o médico poderá contribuir com o ideal de saúde preconizado mundialmente, o bem-estar.

Certamente,
o tema empatia pode parecer clichê e desinteressante para grande parte dos
estudantes de medicina. Parece muito mais importante dar atenção à anatomia,
histologia, prescrever corretamente e fazer cirurgia do que prestar atenção a
nós mesmos como pessoas e como profissionais.

É
o que se faz, certo? Um semestre de cada vez, ser aprovado em uma matéria de
cada vez e automatizar o processo.

Sobremaneira,
o ser humano atrás da figura de paciente ou de médico é deixado de lado, a
medicina se torna robótica e a população adoece mental e moralmente. Não só a população
geral, mas também a própria população médica.

Hipótese diagnóstica? Desumanização. Conduta? Empatia!

EMPATIA NA EDUCAÇÃO MÉDICA

Embora
não estejamos muito preocupados com isso enquanto estudantes, é algo que
precisa ser levado em consideração e os pesquisadores sabem disso.

Buscando
empathy AND medical students” nas bases de dados, temos 1405
publicações na PubMed e 1744 na BVS. Alguns artigos merecem destaque, como “Teaching
empathy to medical students: an updated, systematic review
” (Ensinar
empatia aos estudantes de medicina: uma revisão sistemática e atualizada) de
Batt-Rawden et al.

O que
é?

Os
autores destacam os 2 tipos de empatia encontrados na relação médico-paciente:
a empatia emocional e a empatia clínica ou cognitiva.

  • 1º tipo:
    qualificaria a resposta emocional intrínseca e passiva.
  • 2º tipo:
    “preocupação desapegada”, entender o outro sem invocar resposta emocional
    pessoal.

O
segundo tipo de empatia, de acordo com os autores, pode e deve ser ensinado e
aprendido, já que é algo cognitivo. Além disso, essa forma de empatia não
causará prejuízos emocionais aos estudantes e profissionais de medicina.

Como
avaliar?

No
estudo em questão, a empatia foi baseada, por exemplo, em:

  • Habilidades de comunicação;
  • Entrevista clínica com o paciente;
  • Aprendizagem baseada em problemas;
  • Treinamento de habilidades
    interprofissionais.

Por
que pensar nisso durante a faculdade?

Diversos
estudos comprovam que a empatia é diminuída entre os estudantes de medicina ao
longo do curso e da residência, o que pode ser comprovado pela análise prática
de calouros e internos.

Dessa
forma, é imprescindível que a empatia seja ensinada, na teoria e na prática,
durante os 6 anos de graduação, tendo em vista que é uma pauta para a formação médica.
É preciso formar profissionais com conhecimento técnico, mas que, sobretudo,
saibam lidar com o paciente.

O
Doutor Dráuzio Varela escreveu uma carta aos estudantes de medicina na qual
cita:

1
– “É fundamental ouvir as queixas dos doentes. Sem ouvi-las com atenção, como
descobrir o mal que os aflige?”

2
– “Procurem colocar-se na pele da pessoa enferma. Quanto mais empatia houver,
mais fácil será compreender suas angústias, seus desejos e seu modo de encarar
a vida. Não cabe ao médico fazer julgamentos morais, impor soluções nem decidir
por ela, mas orientá-la para encontrar o caminho que mais atenda suas
necessidades.”

Ele nos mostra a importância da empatia na prática clínica. Por isso é tão necessário seu ensino durante a formação profissional.

Como aplicar na prática?

Existem
os métodos populares de pensar na aplicação da empatia. Por exemplo, “o que
você gostaria que fizessem com você” ou “lembre que o paciente é o amor da vida
de alguém”.

São
pensamentos possíveis, porém, há formas mais práticas e técnicas de aplicar
empatia na relação médico-paciente. Doutor Celmo Celeno Porto exemplifica isso
no exercício da anamnese e do exame físico: olhar, ouvir, tocar.

Não
só realizar ectoscopia, mas enxergar o paciente à frente, sua expressão, sua
postura, suas particularidades. Ouvir além da ausculta técnica, ser um ouvinte,
escutar o que o paciente está sentindo, pelo que está passando. Tocar, realizar
o exame físico corretamente, respeitar o paciente, oferecer um aperto de mão.

É importante, também, ter empatia em relação às condutas, prescrever de acordo com a condição do paciente em aderir ao tratamento, informar diagnósticos de modo humano e se comunicar de forma inteligível.

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