Fique atento às principais emergências psicológicas para ter a abordagem correta ao paciente.
Confira o artigo que preparamos, boa leitura!
Emergências Psicológicas
As vezes será difícil para o profissional de saúde conseguir diferenciar uma causa orgânica de uma causa psicológica. Precisamos reconhecer que cada pessoa irá reagir de uma determinada forma as situações da vida, devendo nunca ser julgada em função disso. Podemos reagir de maneiras distintas em cada situação, devendo ser papel do profissional de saúde reconhecer quando o paciente precisa de ajuda e não é capaz de solicitar por ela.
É importante sermos capazes de afastar alguns distúrbios metabólicos que podem ser a causa do comportamento anormal do paciente, seja em situações de suicídio quanto de agressividade. Assim, iremos realizar a investigação de hipoglicemia, hipóxia, abuso de álcool, drogas e o uso de medicações. Esses pacientes também podem ser vítimas de causas externas como um TCE, frio ou calor excessivo.
A seguir, listamos alguns pontos importantes para a condução das emergências psicológicas.
- Metas do atendimento
- Retorno ao comportamento normal;
- Minimização de incapacidade psicológica;
- Diminuição da intensidade da reação emocional;
- Evitar riscos físicos a vítima e/ou terceiros.
- Princípios básicos
- Todos temos limitações;
- Nossos sentimentos são legítimos e devem ser respeitados;
- A capacidade de enfrentar crises depende de cada indivíduo;
- Todos temos distúrbio emocional perante desastres psicológicos ou físicos;
- Crises não “melhoram” simplesmente.
Emergências Psicológicas: Suicídio
Suicídio é um problema complexo para o qual não existe uma única causa ou uma única razão. Ele resulta de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais.
É difícil explicar porque algumas pessoas decidem cometer suicídio, enquanto outras em situação similar ou pior não o fazem. Contudo, a maioria dos suicídios pode ser prevenida.
Suicídio é agora uma grande questão de saúde pública em todos os países. Capacitar a equipe de atenção primária à saúde para identificar, abordar, manejar e encaminhar um suicida na comunidade é um passo importante na prevenção do suicídio.
Epidemiologia
- Estima-se que um milhão de pessoas cometeram suicídio no ano de 2000 no mundo.;
- A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo;
- A cada 3 segundos uma pessoa atenta contra a própria vida;
- O suicídio está entre as três maiores causa de morte entre pessoas com idade entre 15-35 anos;
- Cada suicídio tem um sério impacto em pelo menos outras seis pessoas;
- O impacto psicológico, social e financeiro do suicídio em uma família e comunidade é imensurável.
Fatores de risco
Suicídio e transtornos mentais – Estudos, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, revelam dois importantes fatores relacionados ao suicídio. Primeiro, a maioria das pessoas que cometeu suicídio tem um transtorno mental diagnosticável. Segundo, suicídio e comportamento suicida são mais frequentes em pacientes psiquiátricos. Esses são os grupos diagnósticos, em ordem decrescente de risco:
- Depressão (todas as formas);
- Transtorno de personalidade (antissocial e borderline com traços de impulsividade, agressividade e frequentes alterações do humor);
- Alcoolismo (e/ou abuso de substância em adolescentes);
- Esquizofrenia;
- Transtorno mental orgânico;
Apesar de a maioria das pessoas com risco de suicídio presentarem transtorno mental, a maioria não procura um profissional de saúde mental, mesmo em países desenvolvidos. Assim, o papel da equipe de atenção primária à saúde torna-se vital.
Suicídio e doenças físicas – Alguns tipos de doenças físicas são associadas a um aumento das taxas de suicídio, como doenças neurológicas, cânceres, HIV e AIDS e doenças crônicas, sendo entre estas as com maior risco:
- Diabetes;
- Esclerose múltipla;
- Condições crônicas renais, hepáticas ou gastrointestinais;
- Doenças nos ossos ou articulações, com dor crônica;
- Doenças cerebrovasculares ou neurovasculares;
- Doenças sexuais.
Suicídio e fatores sociodemográficos e ambientais – Homens cometem mais suicídio que mulheres, mas mais mulheres tentam suicídio. A taxa de suicídio tem dois picos, um entre em jovens (15 – 35 anos) e outro em idosos (acima de 75 anos). Entre outras características, temos que pessoas divorciadas, viúvas e solteiras têm maior risco do que pessoas casadas, e as que vivem sozinhas ou são separadas são mais vulneráveis. Médicos, veterinários, farmacêuticos, químicos e agricultores têm taxas de suicídio maiores que a média. A perda do emprego, mais do que o fato de estar desempregado, é associada com o suicídio. Pessoas que se mudaram de uma área rural para urbana, ou diferentes regiões, ou países, são mais vulneráveis a comportamento suicida. Por fim, é importante lembrar que a maioria dos que cometem suicídio passaram por acontecimentos estressantes nos três meses anteriores ao suicídio, como:
- Problemas interpessoais: por exemplo, discussões com esposas, família, amigos, namorados;
- Rejeição: separação da família e amigos;
- Eventos de perda: perda financeira, luto;
- Problemas financeiros e no trabalho: perda do emprego, aposentadoria, dificuldades financeiras;
- Mudanças na sociedade: rápidas mudanças políticas e econômicas;
- Vários outros estressores como vergonha e ameaça de serem considerados culpados.
- O estado mental e o suicídio