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Eletrocardiograma (ECG): passo a passo para interpretar eletrocardiograma com segurança

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O eletrocardiograma (ECG) ocupa um papel central na prática clínica, sendo um exame rápido, acessível e de grande utilidade para a detecção de alterações cardíacas.

Desde sua criação até os avanços tecnológicos atuais, o método evoluiu significativamente, tornando-se uma ferramenta indispensável no diagnóstico médico. No entanto, interpretar um traçado de forma correta exige atenção e conhecimento, já que erros podem comprometer a segurança do paciente.

Por isso, este texto tem como objetivo apresentar um passo a passo estruturado, auxiliando o desenvolvimento de uma análise sistemática do ECG.

Passo a passo da interpretação do eletrocardiograma

Passo 1: identificação do paciente e configuração do aparelho

A interpretação do ECG deve começar pelos aspectos fundamentais. Primeiro, é indispensável conferir a identificação do paciente, incluindo sexo e idade, já que esses fatores podem alterar valores de referência.

Em seguida, é necessário verificar se o eletrocardiógrafo está configurado corretamente, geralmente em N e 25 mm/s, além de checar os filtros utilizados. Além disso, também é importante estar atento a possíveis artefatos, como troca de eletrodos ou ruídos técnicos, que podem comprometer a análise adequada do exame.

Passo 2: ritmo e frequência cardíaca

A avaliação do ritmo cardíaco no ECG deve começar verificando se os intervalos entre ondas P ou complexos QRS se repetem de forma constante, o que permite identificar se o ritmo é regular.

O ritmo sinusal, considerado normal, origina-se no nó sinoatrial e caracteriza-se pela presença de onda P positiva em D1, D2 e aVF. Alterações nesse padrão podem sugerir arritmias como fibrilação atrial, flutter atrial ou taquicardia atrial multifocal. Por exemplo, quando a onda P não está presente no ECG, isso pode indicar fibrilação atrial, enquanto a presença de ondas P com morfologias diferentes ou em formato de “dentes de serra” sugere a possibilidade de taquicardia atrial multifocal ou flutter atrial,

Quanto à frequência cardíaca, no ritmo sinusal normal, varia entre 50 e 100 batimentos por minuto. Seu cálculo pode ser feito dividindo-se 1500 pelo número de quadradinhos entre duas ondas P ou QRS consecutivos, ou utilizando a “regra dos quadradões”, que permite estimar valores aproximados. Em ritmos irregulares, a frequência deve ser obtida contando os batimentos em 6 segundos (30 quadradões) e multiplicando por 10.

A frequência cardíaca em ritmos irregulares deve ser estimada contando o número de batimentos registrados em 6 segundos (equivalente a 30 quadradões) e multiplicando o resultado por 10. Fonte: Sanar, 2019.

Passo 3: onda P

A onda P no ECG reflete a atividade elétrica dos átrios, permitindo identificar se o ritmo é sinusal ou ectópico. Sua primeira metade corresponde à ativação do átrio direito, enquanto a segunda metade está relacionada ao átrio esquerdo, havendo sobreposição entre ambos na fase intermediária.

A onda P reflete a ativação dos átrios: na primeira metade predomina o átrio direito, na segunda o átrio esquerdo, e na porção central ocorre a sobreposição das duas despolarizações. Fonte: Sanar, 2019.

Na análise, inicialmente avalia-se a amplitude da onda P:

  • Em D2, a onda P não deve ultrapassar 2,5 mm, pois valores maiores sugerem sobrecarga atrial direita.
  • Em V1, o limite é de 1,5 mm na porção positiva (átrio direito) e 1 mm na negativa (átrio esquerdo).

Em seguida, analisa-se sua duração, que não deve exceder 100 ms. Portanto, valores aumentados indicam atraso de condução intra ou interatrial, que pode estar ou não associado à sobrecarga atrial.

Passo 4: intervalo PQ

O intervalo PQ (ou PR) corresponde ao tempo entre o início da onda P e o início do complexo QRS, refletindo a condução do estímulo dos átrios até os ventrículos. Normalmente, varia de 120 a 200 ms (entre 3 e 5 quadradinhos). Esse intervalo representa a pausa fisiológica no nó atrioventricular, necessária porque o esqueleto fibroso do coração impede a passagem direta do estímulo.

Portanto, valores abaixo de 120 ms podem indicar a presença de vias acessórias, como na síndrome de Wolff-Parkinson-White ou na extinta síndrome de Lown-Ganong-Levine, embora também possa ser apenas uma variante normal. Já quando o intervalo ultrapassa 200 ms, caracteriza-se o bloqueio atrioventricular de 1º grau, que pode estar associado a alterações do nó AV ou mesmo ocorrer em indivíduos saudáveis.

Passo 5: complexo QRS

O complexo QRS representa a despolarização dos ventrículos e deve ser avaliado quanto a formato, duração, amplitude e eixo.

Quanto ao formato, é importante reconhecer padrões básicos como qRs ou rS, que ajudam a diferenciar exames normais de anormais.

Além disso, a duração normal do QRS é não deve exceder 120 ms. Portanto, valores maiores indicam atraso na condução ventricular, geralmente devido a bloqueios de ramo ou doenças miocárdicas.

A amplitude, por sua vez, deve ser de pelo menos 5 mm em uma derivação do plano frontal e 8 mm em uma do plano horizontal, sendo valores menores considerados de baixa voltagem.

O eixo cardíaco, definido principalmente pelo vetor de maior magnitude da despolarização ventricular, normalmente aponta da direita para a esquerda e de cima para baixo, situando-se entre –30º e +90º no ciclo de Cabrera (entre avL e aVF). Nesse contexto, desvios do eixo podem indicar alterações patológicas.

Passo 6: segmento ST

O segmento ST começa no ponto J, que marca o final do complexo QRS, e vai até o início da onda T, representando o início da repolarização ventricular, correspondente à fase de platô do potencial de ação cardíaco. Trata-se de uma fase de silêncio elétrico, pois todas as células miocárdicas estão em platô, e a onda T surge gradualmente à medida que ocorre a repolarização.

Comparação entre o ECG de superfície (acima) e o potencial de ação celular (abaixo), mostrando que o segmento ST, que vai do final do QRS ao início da onda T, corresponde à fase 2 (platô) do potencial de ação e está associado ao influxo de cálcio nas células ventriculares. Fonte: Sanar, 2019.

Normalmente, o ponto J está alinhado à linha de base do ECG ou apresenta até 1 mm de desnivelamento. Todavia, exceções ocorrem em V2 e V3, especialmente em homens jovens e atletas, onde o ST pode se elevar até 1,5 mm, chegando em alguns casos a 4 mm e prolongando-se até V6.

Exemplo de medição do ponto J ao final do complexo QRS, mostrando seu desnível em relação à linha de base (linha isoelétrica do intervalo PR). Quando o desnível ultrapassa 1 mm, considera-se anormal. Fonte: Sanar, 2019.

Passo 7: onda T

A onda T representa a repolarização ventricular e reflete a atividade elétrica das células epicárdicas, endocárdicas e M, que repolarizam em momentos diferentes. Normalmente, as últimas células a despolarizar (epicárdio) são as primeiras a repolarizar, gerando um vetor que produz uma onda T positiva na maioria das derivações.

A onda T normal é concordante com o QRS e assimétrica, e alterações em sua direção ou morfologia podem indicar isquemia ou outras condições cardíacas.

Passo 8: intervalo QT

O intervalo QT representa o tempo total de despolarização e repolarização ventricular, indo do início do complexo QRS até o fim da onda T, incluindo o segmento ST. Seus valores variam conforme sexo e idade, e a medição exige atenção a detalhes como a escolha da derivação (geralmente D2 ou V3-V5) e a identificação correta do final da onda T, muitas vezes traçado por uma linha tangente à sua porção final.

Apesar da onda U também fazer parte da repolarização, convencionalmente não é incluída na medição do QT, embora sua avaliação seja importante em síndromes específicas. Além disso, o intervalo QT deve ser corrigido pela frequência cardíaca.

Os valores normais do QT corrigido (QTc) são geralmente até 450 ms em homens e 460 ms em mulheres. Valores acima desses limites indicam QT prolongado, enquanto valores muito baixos, abaixo de 350 ms em homens e 360 ms em mulheres, indicam QT encurtado. Alterações do QT, seja prolongamento ou encurtamento, estão associadas a síndromes específicas que podem ter importantes implicações clínicas.

Passo 9: onda U

A onda U aparece em cerca de 25% dos ECGs e seu significado ainda não é completamente definido. Possivelmente reflete repolarização tardia de fibras de Purkinje, músculos papilares, forças eletromecânicas ou células M. O intervalo entre o final da onda T e o ápice da onda U é geralmente de 100 ms e não se relaciona com a frequência cardíaca.

Normalmente, a onda U apresenta a mesma polaridade da T, duração de cerca de 170 ms e amplitude de até 25% da onda T, com morfologia de subida rápida e descida lenta. Apesar de muitas vezes negligenciada, alterações na onda U, como inversão, têm grande relevância clínica, podendo aparecer em até 20% dos ECGs de pacientes com isquemia.

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Referências

  • SANAR. Manual de ECG. Sanar, 2019.

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