Por meio desse conteúdo, entenda tudo sobre as Doenças Perinatais e tire todas as dúvidas que você tem sobre o tema. Bons estudos!
Doenças Perinatais
O período perinatal compreende um intervalo que começa por volta da 20ª semana de vida intra-uterina e se estende até o 28º dia pós-neonatal. Nesse período, a criança passa por profundas modificações em seu organismo, principalmente no momento do parto, devido a grande alteração do meio ambiente em que passará a viver.
Isso se reflete nos diversos tipos de entidades nosológicas que devem ser consideradas neste período de desenvolvimento, especialmente no que se refere ao binômio mãe-filho e as enfermidades que podem advir de uma interação inadequada entre ambos.
Dentre o grupo de doenças perinatais abordadas nesse curso de neonatologia, encontra-se presente aqui uma maior descrição no que tange a doença hemorrágica do recém-nascido e a displasia do desenvolvimento do quadril.
Doenças Perinatais: Doença Hemorrágica do recém-nascido
A presença de sangramento no recém-nascido (RN) pode estar associada a quadros graves de infecção, doenças hematológicas ou deficiência de vitamina K. Para o tratamento correto, é necessário que se obtenha o diagnóstico preciso.
História
Todo RN que apresentar sangramento significativo necessita de investigação de seus mecanismos hemostáticos. A investigação inicial de um RN com sangramento deve ressaltar os seguintes pontos: história familiar de sangramento, história das gestações anteriores, história de doenças de coagulação na família, doenças maternas (principalmente infecções), drogas usadas na mãe e no neonato e certeza da administração da vitamina K no RN.
SE LIGA! Também é importante saber na história se foi realizado aspirado gástrico, já que quando realizado de forma inadequada, pode levar a lesão de mucosa com sangramento digestivo alto. A presença de líquido amniótico sanguinolento pode levar a diagnósticos errôneos de sangramento digestivo.
As crianças que são amamentadas ao seio devem ter suas mães investigadas para fissura mamária já que a deglutição de leite materno com sangue é um fator de confusão para diagnósticos de sangramento digestivo.
Além disso, a presença de situações de estresse deve ser valorizada, sendo comum a ocorrência de hemorragia digestiva em RNs internados em unidades de terapia intensiva neonatal, provocada por úlceras.
Exame físico
No exame físico, é importante observar primeiramente se o sangramento é localizado ou difuso e se o aspecto clínico é de uma criança doente ou saudável. Um RN saudável normalmente apresenta petéquias onde houve congestão venosa ou traumatismo no parto, e a presença de petéquias exclusivamente na face é consequência de circular de cordão ou apresentação de face. Essas petéquias comumente aparecem imediatamente após o parto, desaparecendo com o passar dos dias, não estando associadas com outros sangramentos.
O RN com doença plaquetária normalmente não parece doente, e ocorre um aumento gradual das petéquias, equimoses e sangramentos localizados. Nos casos de coagulação intravascular disseminada (CIVD), o sangramento aparece em vários locais e o RN apresenta-se com aspecto doente. No RN, não é comum a presença de hemartrose em casos de deficiência de fatores de coagulação.
Os RNs com mau estado geral são suspeitos de quadros infecciosos ou de CIVD. O RN em bom estado geral que apresenta sangramento tem diagnóstico provável de doença hemorrágica do RN, alterações plaquetárias ou deficiência dos fatores de coagulação. Quadros de hepatoesplenomegalia e icterícia sugerem quadro infeccioso e CIVD.
SAIBA MAIS: Em alguns casos de sangramento digestivo alto, em RN aparentemente saudável, o sangue pode ser de origem materna (deglutido na hora do parto, fissura mamária) e é considerada como uma pseudo-hemorragia do RN. Na simples inspeção do sangramento não é possível diferenciar se o sangue é de origem materna ou do RN. Para auxiliar no diagnóstico, é útil a realização do teste de Apt-Downey, que diferencia a hemoglobina materna da hemoglobina fetal.
Avaliação laboratorial inicial
Após ter sido feita a avaliação clínica, os exames laboratoriais iniciais devem ser solicitados. Os mecanismos de coagulação do RN são diferentes quando comparados aos do lactente e das crianças maiores, no qual, falando de RN, a adesividade plaquetária está diminuída, os fatores de coagulação estão com sua atividade reduzida e a formação de coágulos apresenta-se comprometida.
Para a investigação inicial, devem ser solicitados:
- Tempo de protrombina (TP);
- Tempo parcial de tromboplastina ativada (TTPa);
- International normalised ratio (INR);
- Fibrinogênio;
- Contagem de plaquetas;
- Teste de Apt-Downey.
VOCÊ SABIA? Para realizar o teste de Apt-Downey, deve-se misturar fezes ou material emético com água (1:5) e centrifugar a mistura. Depois, deve-se adicionar 1 mL de hidróxido de sódio em 5 mL do sobrenadante e esperar 5 minutos. A coloração marrom-amarelada indica hemoglobina de adulto, enquanto que a coloração rósea indica hemoglobina fetal.
Após os resultados, as próximas etapas de investigação que serão necessárias devem ser definidas. Lembrar que em RN do sexo masculino deve ser afastado o diagnóstico de hemofilia.
Valores laboratoriais dos fatores de coagulação
Os valores de TP e TTPa podem variar de laboratório para laboratório, dependendo do reagente empregado. Normalmente, os valores de TP e TTPa são similares entre prematuros de muito baixo peso e RNs a termo que não receberam vitamina K.
A melhor forma para coleta de sangue se faz por meio de uma punção venosa em que o sangue se deposita diretamente no tubo.
SE LIGA! A coleta de sangue em cateteres em que está sendo administrada heparina não deve ser realizada. Não é recomendado realizar o tempo de sangramento no RN por ser invasivo e não haver estudos que comprovem seu valor no diagnóstico das coagulopatias no RN.
Em RN com hematócrito elevado (acima de 60%), a proporção de anticoagulante nos tubos deve ser de 19:1, em vez de 9:1. O anticoagulante é calculado com base no volume de plasma. Dessa forma, no RN com hematócrito elevado, haverá excesso de anticoagulante para um volume pequeno de plasma, levando a resultados falsamente alterados. Os valores laboratoriais dos fatores de coagulação mais comumente usados encontram-se na tabela a seguir.