É definido como um conjunto de patologias que causam alterações na saúde do trabalhador – colocando em riscos a saúde física, mental ou social – desencadeadas por fatores relacionados ao ambiente de trabalho.
Depressão
Caracterizada por uma tristeza profunda, recorrente e aparentemente infindável (FIOCRUZ, 2015). Requer pelo menos 5 sintomas por um período mínimo de 2 semanas, como indecisão, tristeza, diminuição do interesse, do prazer, da concentração, podendo até ter pensamentos e ideias suicidas.
Embora a etiologia seja ainda desconhecida, sabe-se que é uma deficiência na sinalização de aminas biogênicas cerebrais, principalmente de serotonina, noradrenalina e dopamina. As aminas são responsáveis por produzir uma sensação de prazer e bem-estar, por isso, os fármacos utilizados no tratamento, como os antidepressivos, atuam aumentando a sinalização desses neurotransmissores.
O manejo das doenças psicossociais depende da gravidade e da especificidade de cada caso. Geralmente envolve psicoterapia, tratamento farmacológico, com benzodiazepínicos e antidepressivos tricíclicos.
Síndrome de Burnout
Síndrome psicológica composta de três dimensões: 1) Exaustão emocional; 2) Despersonalização; 3) Diminuição do envolvimento pessoal no trabalho.
A relação da Síndrome de Burnout ou do esgotamento profissional com o trabalho, segundo a CID-10, poderá estar vinculada a fatores que influenciam o estado de saúde e são riscos potenciais relacionados com circunstâncias socioeconômicas e psicossociais. Podem ser identificados grande envolvimento com o trabalho, desgaste emocional, insensibilidade ou afastamento excessivo do público, queixa de incompetência e falta de sucesso, associados a sintomas inespecíficos, como insônia, fadiga, irritabilidade, tristeza, desinteresse, apatia, entre outros.
Lesão por esforços repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT)
Grupo de doenças de origem multifatorial, que englobam: esforços repetitivos por períodos de tempo prolongados, postura inadequada e estresse. Pode evoluir tanto para incapacidade parcial, como permanente, resultando em aposentadoria por invalidez.
São afecções que atingem estruturas nervosas e musculotendíneas, localizadas geralmente nos membros superiores (pescoço e regiões escapulares), mas também podem acometer a coluna e os membros inferiores.
Caracteriza-se por um quadro de dor crônica, sensação de formigamento, dormência, fadiga muscular por alteração dos tendões, musculatura e nervos periféricos. O tratamento poderá ser iniciado com a administração de anti-inflamatórios não esteroidais e realização de fisioterapia.
Surdez Temporária ou Definitiva
Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) é a perda provocada pela exposição por um tempo prolongado ao ruído. Configura-se como uma perda auditiva do tipo neurossensorial, geralmente bilateral, irreversível e progressiva ao tempo de exposição. (CID 10)
O diagnóstico é realizado pela história da exposição ambiental, otoscopia e audiometria. A chance de desenvolvimento aumenta quando o indivíduo é exposto acima de 85dB por oito horas diárias.
Após instalada, o déficit auditivo é irreversível, ou seja, mesmo cessando a exposição ao ruído, não há regressão da PAIR. A prevenção é a única estratégia a ser adotada.
Catarata
Principal patologia laboral dentro da classificação de desgaste visual. É ocasionada pela opacificação do cristalino, na maioria dos casos é bilateral, podendo levar à cegueira. Relaciona-se à exposição de radiação ionizante, ultravioleta, infravioleta e a altas temperaturas, afetando principalmente trabalhadores da metalurgia e siderurgia.
Sintomas como visão nebulosa, embaçada, confusa, dupla e sensibilidade à luz são comuns e o comprometimento parcial ou total depende do tempo e da exposição.
Pode ser tratada com o uso de lentes corretoras e caso não seja resolutiva, é indicada a cirurgia extracapsular, com implante de lente intra-ocular.(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001)
Asma Ocupacional
Obstrução reversível do fluxo aéreo com hiperreatividade brônquica e inflamação das vias aéreas, podendo ser mediada por reação imunológica ou não.
Os pacientes queixam-se de falta de ar, aperto no peito, chiado e tosse, acompanhados de rinorreia, espirros e lacrimejamento, relacionados com exposições ocupacionais, como vapor e poeira.
A curva de Peak Flow é o melhor método, sendo útil para monitorar a limitação ao fluxo aéreo na presença e ausência de fatores de risco. Porém, o método traz interferências, com o uso esporádico de medicações, como corticosteróides e broncodilatadores.
A terapia é realizada com corticosteróides, broncodilatadores e brometo de ipratrópio, além do afastamento do trabalhador.
Dermatose Ocupacional
Alteração das mucosas, pele e seus anexos que seja direta ou indiretamente causada, mantida ou agravada por agentes presentes na atividade ocupacional ou no ambiente de trabalho. (ALI, 2001)
As causas de dermatoses ocupacionais podem ser divididas em indiretas que são: idade, etnia, umidade, temperatura, dermatoses preexistentes, vapores, gases, poeiras, e de proteção inadequada e as diretas: agentes biológicos, físicos e químicos que atuam diretamente sobre o tegumento.
O tratamento, nas formas localizadas, é feito com compressas de água boricada e cremes à base corticóide. Nas crônicas, com lesões descamativas, prefere-se corticóide sistêmico, assim como, nas lesões extensas, com adição de anti-histamínicos para redução do prurido.
Pneumoconiose
As doenças respiratórias ocupacionais são consequências da exposição às substâncias nocivas no ambiente de trabalho. O risco de ocorrência depende da substância inalada no ar ambiente, da concentração, das suas características físico-químicas, do tempo e carga de exposição.
Estão relacionadas, principalmente, a trabalhadores de locais como: mineradoras, metalúrgicas, madeireiras, construção civil e ramo agrícola.
Fatores de risco associados são: tabagismo, poluição do ar, fatores genéticos e doenças crônicas prévias.
Silicose
Trata-se do depósito de sílica nos bronquíolos e alvéolos, com consequente processo inflamatório, iniciando-se como uma alveolite, evoluindo para a fase de formação fibrótica.
Na fase inicial o paciente é assintomático. Posteriormente, surgem quadros de dispnéia progressiva, hipoxemia e distúrbio ventilatório restritivo. Fecha-se o diagnóstico a partir do quadro clínico, história ocupacional e radiografia apresentando lesões pulmonares sugestivas.
Asbestose
Caracterizada pelo depósito de amianto com consequente diminuição da hematose e redução da elasticidade pulmonar pelo processo fibrótico. O quadro clínico é caracterizado por dispnéia progressiva e ausculta pulmonar apresentando estertores crepitantes em velcro.
Não há tratamento específico, sendo indicado apenas o controle da sintomatologia, medidas de apoio e preventivas.
Autora: Bianca Santos Simões
Instagram: @biancasants
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
REFERÊNCIAS
ALCHORNE, Alice de Oliveira de Avelar. et al. Dermatoses Ocupacionais. Anais Brasileiros de Dermatologia – online. 2010, v. 85, n. 2, pp. 137-147. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0365-05962010000200003>. Acesso em: 02 de out. de 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Pneumoconioses. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Saúde do Trabalhador; 6. Protocolos de Complexidade Diferenciada).
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Perda auditiva induzida por ruído (Pair). Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Editora do Ministério da Saúde, Brasília, DF, n.5, Série A, 40 p, 2006.
FERNANDES, Ana Luisa Godoy. et al. Asma ocupacional. Jornal Brasileiro de Pneumologia – online. 2006, v. 32, pp. S27-S34. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1806-37132006000800006>. Acesso em: 15 de out. de 2021.
PEREIRA G. G. Lucélia. Depressão, o mal do século XXI: Possíveis diagnósticos e tratamentos. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Especialização em Farmacologia da Universidade Federal de Minas, Minas Gerais. Minas Gerais, 30 p, 2015.