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Doenças da pleura: Clínica, diagnóstico e tratamento

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A pleura  é  uma  fina  membrana  que  cobre  a  superfície  interna  da  cavidade torácica e é  formada por uma camada de células mesoteliais sustentada por uma rede de tecido fibroelástico e conectivo.

Pode ser dividida em pleura visceral, a qual recobre  os  pulmões  e  todas  as  fissuras,  e pleura  parietal,  que  recobre  a  caixa torácica, o diafragma e as cavidades mediastinais.

Sob condições normais, ambas são separadas por uma fina camada de líquido lubrificante que transmite as forças respiratórias  entre  o  pulmão  e  a  parede  torácica. 

Quando  há  uma  quantidade anormal de líquido acumulada nesse espaço, tem-se um derrame pleural. Se houver acúmulo de ar nesse sítio, chama-se pneumotórax.

Manifestações Clínicas

Pequenos derrames pleurais geralmente são assintomáticos. Derrames maiores podem causar:

  • tosse;
  • dispneia;
  • dor  torácica,  geralmente  unilateral,  penetrante  e  com  piora  a  inspiração(comumente quando a pleura parietal está inflamada).

Pode  acontecer  de  o  derrame  ser  suficientemente  grande  para  contribuir  para uma insuficiência respiratória.

Ao exame clínico, observa-se:

  • diminuição ipsilateral da expansão torácica;
  • macicez a percussão torácica;
  • diminuição dos ruídos respiratórios à ausculta;
  • redução dos frêmitos tóraco vocais.

O  paciente  com pneumotórax geralmente  se  apresenta  com taquipneia  e  dor torácica aguda.

Ao exame clínico observa-se:

  • diminuição ipsilateral da expansão torácica;
  • desvio da traqueia em direção do hemitórax não
    afetado;
  • diminuição dos frêmitos tóraco-vocais;
  • som hiper-timpânico à percussão;
  • diminuição dos ruídos respiratórios à ausculta

Diagnóstico

Geralmente usa-se a radiografia de tórax como a primeira
escolha de exame de imagem  para  detectar derrame  pleural. O 
volume  do  líquido 
na  pleura  precisa 
ser maior que 250 ml para ser visualizado nesse exame.

Se houver um derrame pleural, observa-se   na   radiografia   em   PA   (postero-anterior) embotamento   do   ângulo costofrênico. Na   radiografia   lateral   do   tórax   pode-se   observar   uma   meia-lua posteriormente quando há um maior volume de líquido. O líquido do derrame pleural pode  se  acumular  nas  fissuras  pulmonares  maiores  e  menores  e  podem  parecer massas pulmonares,  que  são  chamadas  de pseudotumores.  Pode-se  realizar  uma radiografia  torácica  lateral  em  decúbito  para  determinar  se  o  líquido  está  livre  ou loculado.

Tomografia 
computadorizada  torácica também  pode 
ser  usada  e  esta
permite uma melhor caracterização de anormalidades pleurais e parenquimais. Para
caracterização do líquido realiza-se citologia aspirativa pleural, bastante
útil para o planejamento  do  tratamento.

 Para  determinar 
se  o  líquido 
pleural  é  um 
exsudato, basta que tenha uma das características do Critério de Light:

  • Proteína pleural / Proteína sérica >0,5;
  • DHL pleural / DHL sérica >0,6;
  • Teor de DHL > que 2/3 do valor limite
    superior da concentração sérica normal.

Para  diagnosticar  um  pneumotórax  usa-se  radiografia  de  tórax. Um pequeno pneumotórax  é  melhor  visualizado  no  ápice  pulmonar quando  o  paciente  está  em posição  ortostática. Uma radiografia  realizada  no  fim  da  expiração  é  bastante  útil para visualizar pequenos pneumotórax, já que durante a expiração a densidade do pulmão aumenta por conta da redução do volume e assim realça a diferença entre parênquima pulmonar e gás. Quando a radiografia é feita com o paciente em posição supina, o pneumotórax é mais visto na parte inferior da caixa torácica (sinal do sulco profundo). 

Tomografia  computadorizada  também  pode  ser  usada  e  com  esta  é possível obter uma estimativa mais acurada do tamanho do pneumotórax e também é  bastante  útil  para  avaliar  o  restante  do  parênquima  pulmonar  e  o  pulmão contralateral.

Tratamento

Em geral, para o tratamento do derrame pleural, deve-se
tentar tratar a causa subjacente. Derrames pleurais simples relacionados a
sobrecarga de líquido podem ser resolvidos com a diurese,mas pode ser
necessária a realização de toracocentese para alívio e diagnóstico.

Derrames 
pleurais  benignos  recorrentes 
devem  ser  tratados 
de  maneira agressiva e pode ser
necessário realizar toracocenteses repetidas e optimização do tratamento  medicamentosos  da 
causa  subjacente. 

Se  a  recorrência 
continuar  e houver sintomas de
dispneia, dor ou peso torácico, é justificado realizar toracostomia por tubo ou
a drenagem por toracoscopia com ou sem pleurosede química. Para a pleurodese,
como não se fabrica mais tetraciclina para este propósito, usa-se  alternativas 
igualmente  eficazes  como 
adoxiciclina  e  a 
minociclina,  assim como talco
estéril.

A toracoscopia ou toracotomia com pleurodese mecânica ou
pleurectomia é reservada apenas para derrames mais recalcitrantes. A  forma 
mais  adequada  de  ser  abordar 
um derrame pleural  maligno é  com uma combinação   de  
tratamento   da   doença  
subjacente   (se   possível)  
e   uma intervenção específica
para o derrame.

Para fins diagnósticos e terapêuticos, pode se realizar uma
toracocentese inicial. Caso o derrame reacumule, deve-se repetir o
procedimento  e  inserir 
um dreno  torácico ou  realizar 
uma drenagem  torácica
cirúrgica  assistida  por 
vídeo  (VATS).  Pode-se 
também  realizar  uma pleurodese química em  conjunto 
com  a  VATS, 
esta  técnica  também 
permite  a  obtenção 
de biopsia diagnóstica no casode derrames sem causa definida. Pacientes
com pequenos pneumotórax podem não precisar de tratamento e apenas  ser 
necessária  observação. 

Caso  o  pneumotórax 
ocupe mais  que  50%  do
hemitórax,  ou  o 
paciente  desenvolva  sintomas, 
está  indicado  a 
realização  de toracostomia  por 
tubo  e  sucção 
seguida  por  drenagem 
em  selo  d’água. 
Caso persista,   deve-se   suspeitar  
de   uma fístula   broncopleural e   pode-se  
realizar pleurodese  química  ou 
correção  cirúrgica  geralmente 
por  VATS.

 O  tratamento cirúrgico   também   está   indicado   em caso   de   vazamento   de   ar   prolongado, pneumotórax  de  tensão,  colapso  residual  do  pulmão  mesmo  com  tratamento  não cirúrgico, pneumotórax de 100%, risco ocupacional, pneumonectomia contralateral anterior.

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Referências

1.Townsend,  CM  et 
al.  Sabiston  Tratado 
de  Cirurgia. 18a  ed. 
Philadelphia:  Elsevier Saunders,
2010.

2.Longo,  DL  et 
al.  Harrison’s  Principles 
of  Internal  Medicine. 
19th  ed.  New 
York: McGraw-Hill, 2015.

3.Goldman, L.; Schafer, AI. Goldman’s Cecil Medicine. 25th
ed. Philadelphia: Elsevier Saunders, 2016.

4.McLatchie,  G.;  Borley 
N.;  Chikwe  J. 
Oxford  Handbook  of 
Clinical    Surgery.  4th 
ed. Oxford University Press, UK, 2013

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