Conheça algumas doenças da laringe que podem aparecer em alguns pacientes. Tire todas as suas dúvidas, boa leitura!
Doenças da Laringe
A laringe é a parte superior das vias aéreas inferiores, formada por uma estrutura musculoligamentar oca. É o órgão que estabelece a conexão entre a parte inferior da faringe e a parte superior da traqueia.
Tem uma estrutura valvular que permite a abertura e fechamento da via aérea inferior, além de ser responsável pela produção de som durante a fala. Fica localizada na linha mediana do pescoço, anteriormente à quarta, quinta e sexta vértebras cervicais.
No adulto, a laringe atinge cerca de 5 cm no sexo masculino, sendo um pouco menor no sexo feminino. A laringe infantil tem sua anatomia diferenciada da laringe de um adulto. Ela fica mais alta no pescoço, com a cartilagem cricoide ao nível da quarta vértebra cervical, permitindo que a epiglote fique em contato com o palato.

Imagem: Localização da laringe. Fonte: http://www.dgsotorrinolaringologia.med.br/APOST_LARINGE.html
A laringe tem grande mobilidade no pescoço, pela ação de seus músculos extrínsecos. No momento da deglutição, a movimentação para cima e para frente permitem o fechamento do ádito da laringe e abertura do esôfago, conduzindo o alimento para o trato digestivo e impedindo sua entrada nas vias respiratórias inferiores.
É formada por três cartilagens ímpares (cricoidea, tireóidea e epiglote) e três pequenas cartilagens pares (aritenóideas, corniculada e cuneiforme).
Cartilagem Cricoidea
A cartilagem cricoidea tem o formato de um anel de sinete e é a mais inferior das cartilagens, envolvendo completamente a via respiratória. Possui em sua face posterior a crista arqueada, local de inserção do esôfago.
Cartilagem Tireóidea
A cartilagem tireóidea possui duas lâminas, direita e esquerda, que se encontram anteriormente, formando a proeminência laríngea (pomo de adão), palpável no pescoço.
Epiglote
A epiglote é uma cartilagem em formato de folha que se fixa no osso hioide e na cartilagem tireoide. Quando está aberta, permite que o fluxo de ar adentre as vias respiratórias e, quando fechada, conduz os alimentos para o esôfago.
A cavidade da laringe tem formato tubular e é revestida por mucosa. Sua abertura superior (ádito da laringe) conecta-se com a parte anterior da faringe, e sua abertura inferior se conecta com a luz da traqueia. O movimento da epiglote fecha o ádito da laringe, porém a abertura inferior da laringe permanece aberta continuamente.
A cavidade laríngea é dividida anatomicamente em três partes. O vestíbulo é a câmara superior entre o ádito da laringe e as pregas vestibulares. A glote média é a parte média da cavidade, com formato delgado, localizada entre as pregas vestibulares e as pregas vocais. A cavidade infraglótica é a parte inferior, entre as pregas vocais e a abertura inferior da laringe.

Imagem: Inspeção da laringe. Fonte:http://www.auladeanatomia.com/respiratorio/sistemarespiratorio.htm
Disfonias Organofuncionais ou Lesões Fonotraumáticas
As lesões fonotraumáticas, também chamadas de lesões inflamatórias benignas da laringe, ocorrem por mecanismos de produção vocal, principalmente quando a fonação ocorre de forma abusiva súbita ou continuamente.
A vibração das cordas vocais pode levar a um trauma tecidual, gerando um processo inflamatório que evolui com uma lesão, ou até mesmo perpetuando ou agravando uma lesão pré-existente. As lesões mais comuns são os nódulos, os pólipos vocais e o edema de Reinke.
Algumas comorbidades, como rinite alérgica, asma, tabagismo e refluxo laringofaringeo estão associadas ao desenvolvimento de lesões laríngeas benignas, por efeito inflamatório. Essas lesões acometem mais pacientes com exposição ocupacional ao abuso vocal, como professores, atendentes de telemarketing e cantores. Os nódulos e o edema de Reinke são mais comuns em mulheres, enquanto os pólipos tem preferência pelo sexo masculino.
Nódulos
Os nódulos vocais são pequenas lesões, caracterizadas por áreas de espessamento epitelial bilateral e simétricas, localizadas entre o terço anterior e médio das pregas vocais. Possuem aparência esbranquiçada e opaca e movimentam-se durante a fonação. São inicialmente edematosos, sendo mais macios e flexíveis e, com o trauma contínuo, passam por um processo de hialinização e fibrose, tornando-se fibróticos e obtendo aspecto mais rígido e espesso.
É consenso que a principal causa de nódulos laríngeos é o fonotrauma, porém alguns outros fatores podem estar associados ao surgimento dos nódulos, como anomalias anatômicas da laringe, doença do refluxo gastroesofágico, distúrbios hormonais e fatores psicoemocionais. Portanto, sua origem é multifatorial.