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Entenda como a doença de Haff pode afeta o corpo

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Tire todas as suas dúvidas sobre como a doença de haff pode afetar o corpo do paciente. Saiba mais!

Nos últimos meses, uma doença chamou atenção da mídia nacional. O caso recente ocorreu no Nordeste brasileiro, e ocasionou a morte de uma pessoa.

A suspeita é a de que a paciente teria contraído a doença da urina preta, também conhecida como Síndrome de Haff, após a ingestão de um peixe da espécie arabaiana. Você pode estar se perguntando, e agora, não vou poder comer peixe? Calma, vamos entender melhor o que ela é e como ela atinge o seu corpo.

Contextualização

A doença de Haff foi descrita pela primeira vez há menos de um século. Ela é uma doença emergente, caracterizada por sintomas de rabdomiólise associados com a ingestão de peixe, geralmente de água doce. Acredita-se que é causada por uma toxina que induz a degradação do tecido muscular. Embora, nenhuma toxina tenha sido identificada até o momento. O primeiro relato de um surto de doença de Haff no Brasil ocorreu em 2009.

Em 2020, o estado da Bahia notificou 13 casos da doença. Apesar disso, essa é uma condição relativamente rara no Brasil, com baixo número de notificações, cuja a importância tende a aumentar com o crescimento populacional. Isso porque o aumento demográfico leva a um incremento do consumo de peixes de água doce, particularmente oriundos da região amazônica.

Causas

Ainda são necessários outros estudos para identificar a toxina envolvida e o mecanismo que induz o seu aparecimento. Pois, as espécies de peixes de água doce e crustáceos citados em todos os relatos são diariamente ingeridas em todos os países em que foram descritos surtos, sem que ocorra o desenvolvimento da doença.

Apesar da etiologia não ser totalmente conhecida, uma possível causa envolve uma toxina biológica termoestável desconhecida que se acumularia no alimento. Devido à ausência de febre e pelo rápido início dos sintomas após ingestão de peixe cozido, acredita-se que as manifestações clínicas sejam causadas por uma toxina ou por substâncias que podem ser ingeridas por peixes e crustáceos, como arsênio, mercúrio ou organofosforados.

Alguns cientistas acreditam que isso pode ocorrer quando o peixe não é armazenado e tratado da forma adequada. Sendo interessante ressaltar que a substância não tem sabor ou odor, pois não é destruída pelo processo de cocção.

Sintomas que o paciente com Doença de Haff apresenta

A doença é caracterizada por mialgia intensa de início abrupto, que se inicia menos de 24 horas após a ingestão do peixe. E é associada a níveis elevados da enzima creatinofosfoquinase (CPK). Podendo haver nesses pacientes uma mioglobinúria com evolução para insuficiência renal aguda.

Essas alterações associadas a anormalidades na coagulação levam a lesão principalmente no fígado, sistema respiratório e trato gastrointestinal. Dessa forma, a musculatura estriada lesada vai gerar mialgia, fraqueza e rigidez em todo o corpo. Essa fraqueza acomete também a musculatura respiratória, levando à retenção de dióxido de carbono e a insuficiência respiratória.

Além das dores musculares e da urina escurecida, a doença pode gerar outros sintomas inespecíficos, como: náusea, vômito, dormência no corpo, vermelhidão na pele etc. É importante lembrar que o aparecimento dos sintomas pode ocorrer entre quatro e seis horas até dois ou três dias após o consumo do peixe. Isso também está diretamente ligado à quantidade de toxina ingerida.

Mas por que a urina desses pacientes fica preta?

Um dos sintomas que mais chamam atenção na Síndrome de Haff é a urina escurecida, ou também chamada de urina cor de café. Isso se dá em consequência da liberação de mioglobina no corpo. Essa é uma proteína, tóxica para os rins, e é liberada pelo próprio organismo em decorrência da necrose muscular.

Diagnóstico

É baseado no quadro clínico, história epidemiológica (questionando se houve a ingestão de peixe ou crustáceos nas 24 horas precedentes ao evento) e presença de níveis elevados de marcadores de necrose muscular, particularmente mioglobina e CPK.

O diagnóstico diferencial da doença deve incluir outras síndromes tóxicas nas quais ocorra rabdomiólise.

A doença de Haff deve ser considerada causa da rabdomiólise em todo paciente com alterações nos valores laboratoriais de marcadores de necrose muscular e histórico de ingestão de peixe ou crustáceo nas 24 horas antes do início dos sintomas.

Tratamento

A doença de Haff não possui tratamento específico. O tratamento deve ser voltado para a prevenção de graves efeitos metabólicos e renais, que podem levar a insuficiência renal aguda e outras causas de morbimortalidade.

Na ocorrência de casos suspeitos, recomenda-se dosagem de CPK e transaminases para observação da elevação dos níveis enzimáticos, que refletem o comprometimento muscular.

Além disso, o volume de diurese e o surgimento de colúria devem ser monitorados como sinal de alerta para o desenvolvimento de rabdomiólise.

 A função renal deve ser monitorada e o paciente deve receber hidratação venosa, além de não ser indicado o uso de anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico (AAS).

Notificação

Convém enfatizar a importância da notificação dos casos e da obtenção de amostras do alimento ingerido para identificação da toxina.

Informações sobre deslocamento para a área de ocorrência do surto, sintomas em contactantes, infecção viral prévia e consumo recente de peixe e crustáceos são de especial relevância para a investigação.

Conclusão

Nós sabemos que o consumo de peixes faz parte da nossa cultura, e está presente na culinária brasileira há séculos. Apesar da preocupação que a doença traz, essa é uma situação peculiar e relativamente rara, não sendo necessária a suspensão do consumo de peixe.

É importante estar atento ao local onde se compra ou consome o alimento, ele deve ser guardado na temperatura adequada.

Com aparecimento de qualquer sintoma descrito acima após 24 horas da ingestão de peixes ou crustáceos, busque imediatamente o serviço de saúde.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

  • TOLESANI JUNIOR, Oswaldo et al . Doença de Haff associada ao consumo de carne de Mylossoma duriventre (pacu-manteiga). Rev. bras. ter. intensiva,  São Paulo ,  v. 25, n. 4, p. 348-351,  Dec.  2013 .   Available from . access on  11  Mar.  2021.  https://doi.org/10.5935/0103-507X.20130058.
  • FENG, Gang et al . Doença de Haff complicada por falência de múltiplos órgãos após ingestão de lagostim: estudo de caso. Rev. bras. ter. intensiva,  São Paulo ,  v. 26, n. 4, p. 407-409,  Dec.  2014 .   Available from . access on  13  Mar.  2021.  https://doi.org/10.5935/0103-507X.20140062.
  • MARQUES ARAUJO, Barbara et al. Mialgia aguda epidêmica. Rev. Médica de Minas Gerais, Belo Horizonte, V. 27. Disponivel em: http://www.rmmg.org/artigo/detalhes/2107.  Acesso em: 11 de março de 2021.

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