As complicações pós-operatórias estão
relacionadas a diversos fatores, como estágio avançado da doença, erros
técnicos no pré ou pós-operatório, natureza das patologias, dentre outros. No
entanto elas podem ser prevenidas e minimizadas a partir do reconhecimento correto
e de algumas condutas no período pré, peri ou pós-operatório. Nesse texto,
abordarei as relevâncias de reconhecimento e conduta com feridas, infecções do
sítio cirúrgico, complicações respiratórias e térmicas no pós-operatório.
Feridas cirúrgicas
As feridas cirúrgicas possuem diversas
etiologias. Entretanto o importante para o seu cuidado é reconhecer a forma de
prevenção, evitando o acometimento do paciente, além do quadro clínico e
tratamento, para que, caso as feridas ocorram, o manejo seja rápido e
eficiente.
Veja a seguir uma tabela sumarizando esses achados:

Complicações respiratórias
Quase todos os pacientes apresentam diminuição da
capacidade residual funcional no pós-operatório. Isso pode ocorrer por conta de
diversos fatores, tais como: distensão abdominal, incisão dolorosa no tórax,
efeitos anestésicos, dentre outros. No entanto é necessário frisar alguns
acometimentos importantes que urgem intervenção médica.
Pneumonia
Conceito:
infecção de parênquima pulmonar.
Quadro clínico: paciente cursa com febre alta, confusão mental, secreção espessa com
tose, leucocitose e radiografia de tórax com infiltrados.
Tratamento: iniciar fisioterapia respiratória, enviar escarro para cultura e
administrar antibioticoterapia de amplo espectro. Quando os resultados da
cultura estiverem disponíveis, deve-se iniciar terapia específica.
Atelectasia
Conceito:
colabamento alveolar.
Quadro clínico: febre baixa e murmúrios vesiculares diminuídos ou abolidos na porção
inferior do pulmão.
Tratamento: fisioterapia respiratória.
Tromboembolismo Pulmonar
Conceito:
presença de um trombo na circulação pulmonar.
Quadro clínico: dispneia, taquipneia, taquicardia, hipoxemia e dor pleurítica.
Tratamento: terapia tromboembolítica medicamentosa ou endovascular.
Edema pulmonar
Conceito:
é associado ao acúmulo de líquido nos alvéolos. Na presença de líquido na luz
dos alvéolos a oxigenação não pode ocorrer, desencadeando hipoxemia.
Quadro clínico: aumento do esforço respiratório, incluindo elevação da frequência
respiratória e uso exagerado dos músculos da respiração.
Tratamento: intubação imediata, associada à administração cuidadosa de líquidos e à
monitoração invasiva com cateter de Swan-Ganz.
Complicações de termorregulação
Hipotermia
Queda de 2°C na temperatura corporal do paciente ou temperatura corporal < 35°C. A hipotermia está associada a um aumento de 2 a 3 vezes na incidência de isquemia no pós-operatório. Inicialmente, é importante a monitorização atenta da temperatura corpórea de um paciente em pós-operatório. Caso verifique-se o quadro, deve-se iniciar com a colocação de cobertores sobre o paciente, bem como equipamentos de corrente forçada quente. Importante a administração de fluidos aquecidos. Caso ocorra agravo, pode-se optar por lavagem peritoneal com líquidos aquecidos, equipamentos de infusão com reaquecimento e derivação cardiopulmonar.
Hipertermia maligna:
É uma crise hipermetabólica potencial fatal que se manifesta durante ou após a exposição de um anestésico deflagrador. Um sinal patognomônico dessa condição é a rigidez de masseter. Para reverter o quadro, é importante descontinuar o anestésico deflagrador e aplicar dantrolene, além da monitorização avançada do paciente.
Caso Clínico:
Paciente do sexo
masculino, 70 anos, procedente de Salvador (BA), procurou o pronto atendimento
do Hospital SanarMed com queixa de dor abdominal em região de flanco direito,
vômitos, febre, eliminação de fezes presentes. Refere que a dor abdominal
iniciou há 3 dias e melhorava com uso de analgésicos, porém evoluiu com aumento
da intensidade da dor há 24 horas e iniciou episódios de febre, não aferida. Sinal
de Blumberg presente e tomografia de tórax identificou apendicolito de
aproximadamente 3cm em apêndice retrocecal. Paciente foi submetido a
laparoscopia para apendicectomia, realizada no mesmo serviço, por apendicite
grau I. Com 24h de pós-operatório paciente refere dispneia intensa, ausência de
febre, tosse e, ao exame físico, apresenta diminuição de murmúrios vesiculares
na porção inferior do pulmão direito.
Esse quadro clínico é mais comum do que se
imagina. Paciente idoso é submetido a procedimento cirúrgico de rotina no
serviço e desenvolve uma complicação respiratória. Sem o conhecimento adequado
das possíveis complicações pós-operatórias, poderíamos partir para uma
oxigenação suplementar ou até um procedimento invasivo, como uma intubação
orotraqueal. No entanto, pela presença de um quadro clínico clássico de
atelectasia, pede-se encaminhamento precoce ao serviço intra-hospitalar de
fisioterapia respiratória, facilitando a resolução do caso.
Conclusão
Vale ressaltar que existem complicações
pós-operatórias sistêmicas, nos atentamos aqui para as mais comuns aos
procedimentos cirúrgicos mais usuais. Além disso, percebe-se que as complicações
pós-operatórias são muitas, porém, com estudo, é possível reconhecê-las e
elaborar condutas que revertam esses quadros, permitindo a continuidade do
bem-estar do paciente. Contudo, é sempre importante ressaltar os mecanismos de
prevenção que foram apresentados, evitando possíveis surpresas no tratamento do
paciente e nos gastos com a saúde.
Autor: João Victor Lopes Lima
Instagram: @morethanstudies
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
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