A COVID-19 é uma doença que está sendo atualizada em tempo real, uma vez que cientistas do mundo todo se debruçam sobre a etiologia, tratamento e manejo dessa doença. Nos últimos meses as gestantes estão no foco das pesquisas. Venha entender o motivo!
Histórico:
Usualmente as gestantes não figuram entre os maiores percentuais de mortalidade quando acometidas pelo vírus Sars-Cov-2. Entretanto, sempre se buscou um olhar mais atento aos eventos adversos que uma infecção por COVID-19 poderia desencadear no feto e/ou na gestante. Entretanto, até que se aprofundassem mais os estudos sobre esse impacto, as recomendações para as grávidas eram as mesmas para o público em geral. Proteção individual, higiene das mãos, distanciamento social, uso de máscaras e etiqueta respiratória. Quando acometidas pelo vírus, deveriam manter o isolamento social em caso de sintomas leves e a busca por serviços de saúde em casos de sinais de agravamento como dispneia, cansaço a pequenos esforços e/ou febre.
Epidemiologia e vacinação:
Em nota técnica da Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à COVID-19, subordinada ao Ministério da Saúde, assinada em 06 de julho de 2021, são descritas as recomendações atualizadas, referentes a vacinação contra a covid-19 em gestantes e puérperas até 45 dias pós-parto. Além de trazer um panorama muito amplo sobre a situação dessa parcela da sociedade em relação à suscetibilidade à COVID-19.
As vacinas aprovadas para uso no Brasil, contra a COVID-19, não apresentam indicação expressa em suas bulas, sobre segurança, que permita seu uso ampliado em gestantes e puérperas, uma vez que nenhuma delas efetivou um estudo de fase 3 nesse grupo específico. Sendo os dados de segurança obtidos a partir de correlações com dados obtidos em estudos com animais. Por isso, a indicação de vacinação desse grupo deve ser exclusivamente médica e de análise individual, ponderando-se os riscos e benefícios para o binômio mãe-feto.
Gestantes acometidas pela COVID 19:
Fisiologicamente, durante a gestação, a mulher possui uma pré-disposição aumentada a eventos tromboembólicos. Durante a infeção pelo Sars_Cov_2, ocorre uma elevação do risco de eventos tromboembólicos em todas as infectadas. Dito isso, as gestantes possuem maior susceptibilidade a tromboembolismos quando acometida pelo COVID-19, que outros grupos de indivíduos.
Um estudo, brasileiro, publicado na revista “Fronties in Medicine” relatou um o caso de um feto que veio a óbito na 34ª semana de gestação, após sua mãe ser diagnosticada com COVID-19. A mãe foi diagnosticada com COVID-19, e como apresentou sintomas leves, foi orientada a permanecer em isolamento. Após o isolamento, a gestante voltou ao serviço de saúde, onde foi diagnosticada a morte fetal.
A causa do óbito foi uma trombose placentária. Análises histopatológicas verificaram a presença do vírus Sars-Cov-2 nos tecidos fetais, bem como na placenta e no cordão umbilical. Foi verificado, também, que o feto apresentava infecção pulmonar causada pelo vírus, apesar dessa não ser a causa da sua morte.
Não é possível afirmar que o evento tromboembólico que levou o feto a óbito tenha ocorrido em decorrência da contaminação da mãe pelo vírus, mas certamente o Sars-Cov-2 possui esse potencial. Por tanto, gestantes acometidas pela COVID-19, devem ser monitoradas, juntamente com seus fetos, durante todo o período de isolamento, a fim de garantir que o obstetra possa agir, rapidamente, em caso de risco à vida da mãe e/ou do feto.
Saúde mental de gestantes durante a pandemia do COVID 19:
A pandemia da COVID 19 trouxe um cenário totalmente novo no contexto do atendimento à gestante. Incertezas sobre a etiologia da doença, bem como suas implicações no binômio-mãe feto, fez com que muitas gestantes tivessem menos acesso à consultas de pré-natal.
O pré-natal, em alguns serviços de saúde, foi propositalmente mais espaçado, a fim de prevenir a infecção de gestantes, sobretudo nos picos de contaminação. Em outros casos, o pré-natal simplesmente não foi feito, pois a gestante estava com muito medo de se contaminar.
A gestação por si só, já é um momento sensível para a mulher, estar no meio de uma pandemia aumentou o nível de ansiedade e depressão, impactando negativamente a saúde global dessas mulheres.
O importante é entender que o cenário que agora se avizinha deve compreender que um acompanhamento médico será mais eficaz se puder ser adaptado ou flexibilizado, como a adoção de consultas online e atenção especial à saúde mental dessas gestantes.
Acompanhe nossas postagens e vamos crescer juntos!
Sabrina Cavalcanti
Aluna de Medicina -UNICEUB, Brasília-DF
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
BRASIL, Ministério da Saúde. Nota técnica Nº 2/2021-SECOVID/GAB/SECOVID/MS. Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à COVID-19. Gabinete
MARINHO, P. S; et al. Case Report: SARS-CoV-2 Mother-to-Child Transmission and Fetal Death Associated With Severe Placental Thromboembolism. Front. Med., 16 August 2021.
MENDONÇA, Rejane Cristina Fiorelli de; RIBEIRO FILHO, Jaime. Impacto da COVID-19 na saúde da gestante: evidências e recomendações. Revista Interdisciplinar Encontro das Ciências, v. 4, n. 1, p. 107-116, 2021.SILVA, Ana Luiza Miranda et al. Os impactos no pré-natal e na saúde mental de gestantes durante a pandemia de COVID-19: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Científico, v. 34, p. e8633-e8633, 2021.