Cisto da glândula de Skene: tudo o que você precisa saber sobre esse tema para sua prática clínica!
O cisto da glândula de Skene consiste em uma condição ginecológica rara que envolve o desenvolvimento de um cisto nessas glândulas.
A ocorrência de cistos nas glândulas de Skene é relativamente rara, e a literatura médica sobre a prevalência exata dessa condição é limitada. Estudos indicam que essas lesões representam uma pequena porcentagem das patologias ginecológicas, com poucos casos relatados em publicações médicas. Diagnostica-se a maioria dos casos em mulheres adultas, embora possam ocorrer em qualquer faixa etária.
Fisiopatologia da glândula de skene
A fisiopatologia da glândula de Skene envolve a compreensão de como essas glândulas funcionam normalmente, bem como os mecanismos pelos quais elas podem desenvolver patologias, como cistos. As glândulas de Skene, também conhecidas como glândulas parauretrais, consistem em pequenas glândulas exócrinas localizadas ao longo da parede anterior da vagina, em torno da abertura da uretra feminina.
Elas são homólogas à próstata masculina e estão envolvidas na produção de um fluido que contribui para a lubrificação uretral e vaginal.

Função normal das glândulas de skene
As glândulas de Skene secretam um líquido claro e alcalino que desempenha um papel na lubrificação da uretra, bem como na proteção contra infecções.
Essas secreções são importantes para a manutenção da saúde do trato urinário inferior e da vagina. Assim, ajudam a neutralizar o ambiente ácido da uretra e a combater patógenos.
Etiologia do cisto da glândula de skene
Um cisto da glândula de Skene ocorre quando há obstrução dos ductos das glândulas, impedindo a drenagem normal das secreções. Essa obstrução pode ser causada por vários fatores.
Infecções
Infecções urinárias ou vaginais recorrentes podem causar inflamação e subsequente obstrução dos ductos das glândulas
Trauma
Lesões na região perineal ou procedimentos cirúrgicos podem danificar os ductos glandulares
Alterações hormonais
Embora menos comum, mudanças hormonais podem afetar a função das glândulas e a composição das secreções, contribuindo para a obstrução.
Quando os ductos estão obstruídos, as secreções continuam a ser produzidas pela glândula, mas não conseguem ser liberadas, acumulando-se e formando um cisto. Esses cistos podem variar em tamanho e, dependendo de sua dimensão e localização, podem causar sintomas significativos.
Quadro clínico do cisto da glândula de skene
Os cistos da glândula de Skene podem ser assintomáticos, mas quando se tornam grandes ou infectados, podem levar a diversos sintomas, incluindo:
- Disúria
- Dispareunia: dor durante a relação sexual
- Dor pélvica
- Obstrução urinária.
Além disso, a infecção secundária do cisto pode resultar em abscesso, caracterizado por dor intensa, febre e inflamação significativa. Nesses casos, o tratamento urgente é necessário.
Diagnóstico
O médico geralmente pode detectar cistos ou abscessos na glândula de Skene durante um exame pélvico, desde que sejam grandes o suficiente para provocar sintomas.
No entanto, para confirmar o diagnóstico, pode-se utilizar uma ultrassonografia ou uma cistoscopia, que envolve o uso de um tubo flexível para visualizar a bexiga.
Exame físico
O exame começa com a inspeção visual da vulva e da área perineal para detectar anormalidades, como lesões, inflamações, ou secreções anormais. Portanto, o médico pode sentir essas formações ao examinar a região ao redor da abertura uretral e da parede anterior da vagina.
Um espéculo, um instrumento que separa as paredes vaginais, é inserido na vagina. Dessa forma, isso permite ao médico visualizar o interior da vagina e o colo do útero, verificando a presença de infecções, lesões, ou outras anormalidades. Durante essa parte do exame, pode-se coletar amostras para o papanicolau e outros testes laboratoriais.

Diagnósticos diferenciais do cisto da glândula de skene
Os cistos das glândulas de Skene podem apresentar sintomas semelhantes a outras condições ginecológicas e urológicas, o que torna importante realizar um diagnóstico diferencial cuidadoso.
Cisto de Bartholin
O cisto de Bartholin está localizado na região posterior da vulva, em comparação com os cistos de Skene, que estão mais próximos da uretra.
Além disso, em relação aos sintomas, podem causar dor e inchaço na área vaginal, especialmente ao caminhar ou sentar.
Cisto uretral
Os cistos uretrais localizam-se na uretra e frequentemente confundidos com cistos de Skene. Os sintomas incluem dificuldade para urinar, fluxo urinário fraco e dor. Dessa forma, o diagnóstico é confirmado por cistoscopia e ultrassonografia.
Tratamento do cisto da glândula de skene
Se os cistos da glândula de Skene causarem sintomas, faz-se a remoção geralmente no consultório médico ou em um centro cirúrgico. Assim, no consultório, é comum utilizar um anestésico local ou realizar uma marsupialização. Portanto, esse procedimento envolve fazer uma pequena incisão no cisto e suturar as bordas internas à superfície da vulva, criando uma abertura permanente para permitir a drenagem contínua.
Assim, realiza-se a marsupialização em um ambiente ambulatorial, e, em alguns casos, pode ser necessária anestesia geral. Para abscessos, deve-se administrar antibióticos orais por um período de sete a dez dias. Após o tratamento inicial com antibióticos, remove-se o cisto ou faz-se uma marsupialização.
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Referência bibliográfica
- Shah SR, Biggs GY, Rosenblum N, Nitti VW. Surgical management of Skene’s gland abscess/infection: a contemporary series. Int Urogynecol J. 2012;23(2):159-64.
- Miranda EP, Almeida DC, Ribeiro GP, Parente JM, Scafuri AG. Surgical treatment for recurrent refractory skenitis. Scientific World J. 2008;8: 658-60.
- Desmarais CM. Skene’s gland abscess: detection with transperineal sonography. J Diagn Med Sonogr. 2015;31(6):390-3.
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