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CID R12: Pirose

R12
Pirose

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Definição

A pirose, também conhecida como azia, é um sintoma caracterizado por uma sensação de queimação retroesternal ascendente, frequentemente descrita como uma sensação de ardor que se irradia da região epigástrica para o tórax, podendo atingir a garganta. É um dos principais sintomas da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), resultando do refluxo do conteúdo gástrico ácido para o esôfago, que, por sua vez, pode causar irritação da mucosa esofágica e desencadear a sensação de queimação. A pirose é um sintoma comum na população geral, com prevalência variável, e pode ocorrer de forma esporádica ou crônica, impactando significativamente a qualidade de vida quando persistente. Sua fisiopatologia envolve principalmente a disfunção do esfíncter esofágico inferior (EEI), que permite o refluxo, associada a fatores como aumento da pressão intra-abdominal, hérnia hiatal ou alterações na motilidade esofágica. A avaliação clínica é essencial para diferenciar causas benignas de condições mais graves, como esofagite erosiva ou complicações do refluxo.

Descrição clínica

A pirose manifesta-se como uma sensação subjetiva de queimação ou ardor retroesternal, tipicamente pior após refeições, ao deitar-se ou ao inclinar-se para frente. Pode ser acompanhada de regurgitação ácida, disfagia, odinofagia ou sintomas extraesofágicos, como tosse crônica, rouquidão ou asma. A intensidade varia de leve a grave, e a frequência pode ser ocasional ou diária, com impacto na qualidade de vida e no sono. A avaliação deve incluir história clínica detalhada, exame físico e, quando indicado, investigação complementar para excluir causas orgânicas.

Quadro clínico

O quadro clínico da pirose inclui sensação de queimação retroesternal, frequentemente pós-prandial, que pode irradiar para o pescoço ou garganta. Sintomas associados comuns são regurgitação ácida ou alimentar, dispepsia, plenitude gástrica e eructações. Sintomas de alarme, como disfagia, odinofagia, perda de peso não intencional, anemia ou hematêmese, sugerem complicações ou causas graves e exigem investigação urgente. A pirose pode ocorrer isoladamente ou como parte da síndrome de DRGE, com variações diurnas e noturnas que afetam o sono e atividades diárias.

Complicações possíveis

Esofagite erosiva

Inflamação e ulceração da mucosa esofágica devido à exposição crônica ao ácido, classificada por Los Angeles (graus A a D), podendo levar a sangramento ou estenose.

Estenose esofágica

Estreitamento do lúmen esofágico por fibrose secundária à esofagite crônica, causando disfagia progressiva e requerendo dilatação endoscópica.

Metaplasia de Barrett

Substituição do epitélio escamoso esofágico por epitélio colunar intestinal, uma lesão pré-maligna que aumenta o risco de adenocarcinoma esofágico.

Sintomas extraesofágicos

Complicações como tosse crônica, laringite, asma ou erosão dentária devido ao refluxo de conteúdo ácido para vias aéreas superiores.

Epidemiologia

A pirose é um sintoma prevalente, afetando aproximadamente 10-20% da população adulta semanalmente em países ocidentais, com variações regionais. A DRGE, sua principal causa, tem prevalência global estimada em 13-25%, sendo mais comum em adultos de meia-idade e idosos, com igual distribuição entre sexos, embora a gravidade possa ser maior em homens. Fatores de risco incluem obesidade, tabagismo, dieta ocidentalizada, gravidez e uso de medicamentos que relaxam o EEI. A incidência tem aumentado nas últimas décadas, possivelmente devido a mudanças no estilo de vida e envelhecimento populacional.

Prognóstico

O prognóstico da pirose é geralmente bom quando associada a DRGE não complicada, com resposta adequada a modificações de estilo de vida e terapia farmacológica. Em casos crônicos ou não tratados, pode evoluir para complicações como esofagite erosiva, estenose ou metaplasia de Barrett, com impacto na qualidade de vida e risco aumentado de malignidade. O manejo precoce e seguimento regular melhoram os desfechos, especialmente em pacientes com fatores de risco como obesidade ou tabagismo.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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