O CID é a base para registros clínicos, laudos e faturamento. Nosso sistema facilita a busca rápida e precisa do código certo, com sinônimos e filtros médicos atualizados.
Escolher o CID correto evita glosas e retrabalho. Com a nossa ferramenta, você encontra o código ideal em segundos, direto pela descrição clínica — sem abrir PDF ou manual extenso.
Use nosso buscador inteligente para encontrar o CID mais adequado com base no termo clínico, especialidade ou condição do paciente. Tudo validado com a CID-10 da OMS e atualizações nacionais.
CID R12: Pirose
R12
Pirose
Mais informações sobre o tema:
Definição
A pirose, também conhecida como azia, é um sintoma caracterizado por uma sensação de queimação retroesternal ascendente, frequentemente descrita como uma sensação de ardor que se irradia da região epigástrica para o tórax, podendo atingir a garganta. É um dos principais sintomas da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), resultando do refluxo do conteúdo gástrico ácido para o esôfago, que, por sua vez, pode causar irritação da mucosa esofágica e desencadear a sensação de queimação. A pirose é um sintoma comum na população geral, com prevalência variável, e pode ocorrer de forma esporádica ou crônica, impactando significativamente a qualidade de vida quando persistente. Sua fisiopatologia envolve principalmente a disfunção do esfíncter esofágico inferior (EEI), que permite o refluxo, associada a fatores como aumento da pressão intra-abdominal, hérnia hiatal ou alterações na motilidade esofágica. A avaliação clínica é essencial para diferenciar causas benignas de condições mais graves, como esofagite erosiva ou complicações do refluxo.
Descrição clínica
A pirose manifesta-se como uma sensação subjetiva de queimação ou ardor retroesternal, tipicamente pior após refeições, ao deitar-se ou ao inclinar-se para frente. Pode ser acompanhada de regurgitação ácida, disfagia, odinofagia ou sintomas extraesofágicos, como tosse crônica, rouquidão ou asma. A intensidade varia de leve a grave, e a frequência pode ser ocasional ou diária, com impacto na qualidade de vida e no sono. A avaliação deve incluir história clínica detalhada, exame físico e, quando indicado, investigação complementar para excluir causas orgânicas.
Quadro clínico
O quadro clínico da pirose inclui sensação de queimação retroesternal, frequentemente pós-prandial, que pode irradiar para o pescoço ou garganta. Sintomas associados comuns são regurgitação ácida ou alimentar, dispepsia, plenitude gástrica e eructações. Sintomas de alarme, como disfagia, odinofagia, perda de peso não intencional, anemia ou hematêmese, sugerem complicações ou causas graves e exigem investigação urgente. A pirose pode ocorrer isoladamente ou como parte da síndrome de DRGE, com variações diurnas e noturnas que afetam o sono e atividades diárias.
Complicações possíveis
Esofagite erosiva
Inflamação e ulceração da mucosa esofágica devido à exposição crônica ao ácido, classificada por Los Angeles (graus A a D), podendo levar a sangramento ou estenose.
Estenose esofágica
Estreitamento do lúmen esofágico por fibrose secundária à esofagite crônica, causando disfagia progressiva e requerendo dilatação endoscópica.
Metaplasia de Barrett
Substituição do epitélio escamoso esofágico por epitélio colunar intestinal, uma lesão pré-maligna que aumenta o risco de adenocarcinoma esofágico.
Sintomas extraesofágicos
Complicações como tosse crônica, laringite, asma ou erosão dentária devido ao refluxo de conteúdo ácido para vias aéreas superiores.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
A pirose é um sintoma prevalente, afetando aproximadamente 10-20% da população adulta semanalmente em países ocidentais, com variações regionais. A DRGE, sua principal causa, tem prevalência global estimada em 13-25%, sendo mais comum em adultos de meia-idade e idosos, com igual distribuição entre sexos, embora a gravidade possa ser maior em homens. Fatores de risco incluem obesidade, tabagismo, dieta ocidentalizada, gravidez e uso de medicamentos que relaxam o EEI. A incidência tem aumentado nas últimas décadas, possivelmente devido a mudanças no estilo de vida e envelhecimento populacional.
Prognóstico
O prognóstico da pirose é geralmente bom quando associada a DRGE não complicada, com resposta adequada a modificações de estilo de vida e terapia farmacológica. Em casos crônicos ou não tratados, pode evoluir para complicações como esofagite erosiva, estenose ou metaplasia de Barrett, com impacto na qualidade de vida e risco aumentado de malignidade. O manejo precoce e seguimento regular melhoram os desfechos, especialmente em pacientes com fatores de risco como obesidade ou tabagismo.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico da pirose é clínico, baseado na história típica de queimação retroesternal, sem necessidade de exames complementares em casos não complicados. Critérios como a Escala de Refluxo Gastroesofágico (GERD-Q) podem auxiliar na avaliação. Para confirmação de DRGE ou exclusão de causas orgânicas, utiliza-se endoscopia digestiva alta (EDA), que pode revelar esofagite erosiva (classificação de Los Angeles) ou complicações. A pHmetria esofágica de 24 horas é o padrão-ouro para quantificar o refluxo ácido, especialmente em casos atípicos ou refratários. Manometria esofágica avalia a função motora do EEI e esôfago.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Doença isquêmica cardíaca (angina ou infarto)
Dor torácica de origem cardíaca pode mimetizar pirose, especialmente em idosos ou diabéticos, exigindo diferenciação urgente com eletrocardiograma e dosagem de troponina.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia para Síndromes Coronarianas Agudas, 2020.
Esofagite infecciosa (ex.: candidíase, herpes)
Inflamação esofágica por agentes infecciosos causa odinofagia e queimação, comum em imunossuprimidos, diagnosticada por endoscopia com biópsia.
Guidelines da American College of Gastroenterology para Doenças Esofágicas, 2018.
Distúrbios motores do esôfago causam dor torácica não cardíaca e disfagia, diferenciados por manometria esofágica.
Consenso Latino-Americano de Motilidade Esofágica, 2019.
Úlcera péptica gástrica ou duodenal
Dor epigástrica queimante, frequentemente relacionada a alimentos, com possível irradiação, diagnosticada por endoscopia.
Diretrizes Brasileiras de Úlcera Péptica, 2017.
Síndrome do intestino irritável (SII)
Pode apresentar sintomas dispépticos sobrepostos, como desconforto abdominal, mas sem queimação retroesternal típica, baseado em critérios de Roma IV.
Critérios de Roma IV para Distúrbios Gastrointestinais Funcionais, 2016.
Exames recomendados
Endoscopia digestiva alta (EDA)
Exame de imagem para visualização direta da mucosa esofágica, gástrica e duodenal.
Diagnosticar esofagite erosiva, hérnia hiatal, úlceras ou complicações como estenose ou metaplasia de Barrett, especialmente em pacientes com sintomas de alarme ou refratários.
pHmetria esofágica de 24 horas
Monitoramento contínuo do pH esofágico para quantificar o refluxo ácido.
Confirmar DRGE em casos atípicos, avaliar correlação sintoma-refluxo e guiar tratamento em pacientes refratários ou pré-operatórios.
Manometria esofágica
Avaliação da pressão e motilidade do esfíncter esofágico inferior e corpo esofágico.
Diagnosticar distúrbios motores esofágicos, como hipotonia do EEI ou aperistalse, que podem contribuir para pirose.
Raio-X contrastado de esôfago, estômago e duodeno
Estudo radiológico com contraste baritado para avaliação anatômica.
Detectar hérnia hiatal, estenoses, divertículos ou alterações estruturais, útil quando endoscopia não é viável.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Procedimento cirúrgico para tratamento da DRGE refratária, envolvendo a envoltura da parte superior do estômago ao redor do EEI para reforçar a barreira antirrefluxo.
Dilatação esofágica
Intervenção endoscópica para alívio de estenoses esofágicas secundárias à esofagite crônica, melhorando a disfagia associada à pirose.
Ablação por radiofrequência
Técnica endoscópica para tratamento da metaplasia de Barrett, reduzindo o risco de progressão para adenocarcinoma em pacientes com DRGE de longa data.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Orientação sobre hábitos alimentares saudáveis, evitando excessos e alimentos irritantes, para prevenir episódios de pirose e progressão para DRGE.
Monitoramento de medicamentos
Avaliação de fármacos que podem relaxar o EEI (ex.: anticolinérgicos, benzodiazepínicos) e ajuste quando possível, sob supervisão médica.
Rastreamento em grupos de risco
Acompanhamento regular em pacientes com obesidade, hérnia hiatal ou história familiar de DRGE, para detecção precoce de complicações.
Vigilância e notificação
A pirose não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, pois é um sintoma e não uma entidade nosológica específica. No entanto, a vigilância em saúde deve focar na DRGE e suas complicações, como parte da atenção primária, com monitoramento de fatores de risco e educação em saúde. Em serviços especializados, recomenda-se registro de casos de esofagite erosiva ou metaplasia de Barrett para acompanhamento e prevenção de câncer esofágico, seguindo diretrizes como as da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Não, a pirose é frequentemente um sintoma benigno associado à DRGE ou hábitos alimentares, mas requer avaliação médica se persistente, acompanhada de sintomas de alarme como disfagia ou perda de peso, que podem indicar complicações ou condições graves.
O tratamento inicial com IBPs geralmente dura 4-8 semanas para controle sintomático e cicatrização de esofagite, podendo ser estendido ou ajustado conforme resposta e necessidade de manutenção, sob orientação médica para evitar uso prolongado indiscriminado.
Sim, em alguns casos, a pirose pode resultar de refluxo não ácido (ex.: bile) ou hipersensibilidade esofágica, onde a mucosa responde a estímulos normais, exigindo investigação com pHmetria e manometria para diagnóstico diferencial.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...