Redação Sanar
CID T20: Queimadura e corrosão da cabeça e pescoço
T200
Queimadura da cabeça e do pescoço, grau não especificado
T201
Queimadura de primeiro grau da cabeça e do pescoço
T202
Queimadura de segundo grau da cabeça e do pescoço
T203
Queimadura de terceiro grau da cabeça e do pescoço
T204
Corrosão da cabeça e do pescoço, grau não especificado
T205
Corrosão de primeiro grau da cabeça e do pescoço
T206
Corrosão de segundo grau da cabeça e do pescoço
T207
Corrosão de terceiro grau da cabeça e do pescoço
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria T20 da CID-10 refere-se a queimaduras e corrosões localizadas especificamente na região da cabeça e pescoço, incluindo face, orelhas, couro cabeludo e pescoço. Queimaduras são lesões térmicas resultantes da exposição a fontes de calor, como fogo, líquidos quentes, vapor ou objetos quentes, enquanto corrosões são lesões químicas causadas por substâncias cáusticas, como ácidos ou bases, que levam à destruição tecidual por necrose de coagulação ou liquefação. Essas lesões podem variar em profundidade, classificadas como de primeiro grau (atingindo apenas a epiderme, com eritema e dor), segundo grau (envolvendo a derme, com formação de bolhas e dor intensa) ou terceiro grau (atingindo tecidos mais profundos, como hipoderme, músculos ou ossos, com aspecto esbranquiçado ou carbonizado e perda de sensibilidade). O impacto clínico é significativo devido ao potencial para comprometimento funcional (como dificuldade respiratória, se houver envolvimento de vias aéreas), estético e psicológico, além do risco elevado de infecções e cicatrização inadequada. Epidemiologicamente, queimaduras na cabeça e pescoço são comuns em acidentes domésticos, laborais ou por violência, com maior incidência em crianças e adultos jovens, e representam uma causa importante de morbimortalidade, exigindo manejo multidisciplinar em centros especializados.
Descrição clínica
Queimaduras e corrosões na cabeça e pescoço manifestam-se clinicamente com eritema, edema, dor, formação de bolhas ou necrose tecidual, dependendo da profundidade e extensão da lesão. Em queimaduras térmicas, observa-se pele avermelhada e dolorosa (primeiro grau), bolhas com exsudato seroso (segundo grau) ou áreas esbranquiçadas, marrons ou negras, indolores devido à destruição de terminações nervosas (terceiro grau). Corrosões químicas podem apresentar descoloração, ulceração ou escaras, com evolução rápida dependendo do agente causal. Sintomas associados incluem prurido, sensação de queimação e, em casos graves, comprometimento das vias aéreas superiores (como estridor ou dispneia), olhos (conjuntivite ou lesão corneal) ou ouvidos. A avaliação deve incluir a porcentagem de área queimada pela Regra dos Nove, sendo a cabeça e pescoço correspondentes a 9% da superfície corporal total em adultos.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a profundidade e extensão da lesão. Em queimaduras de primeiro grau, há eritema, dor leve a moderada e edema local, sem formação de bolhas. Queimaduras de segundo grau superficiais apresentam bolhas cheias de líquido claro, base vermelha e úmida, com dor intensa; as profundas podem ter base branca ou amarelada, com sensibilidade diminuída. Queimaduras de tercero grau exibem pele esbranquiçada, marrom ou negra, textura coriácea e indolor, devido à destruição de nervos. Corrosões químicas frequentemente mostram ulceração, escaras ou descoloração, com dor que pode ser imediata ou tardia. Sintomas gerais incluem febre, taquicardia e mal-estar em casos moderados a graves. Complicações agudas podem incluir obstrução de vias aéreas, choque hipovolêmico, infecção secundária (e.g., por Pseudomonas aeruginosa) e insuficiência respiratória. Sinais de alarme são estridor, dispneia, queimaduras circulares no pescoço ou envolvimento de olhos e orelhas.
Complicações possíveis
Infecção da ferida
Colonização por bactérias como Staphylococcus aureus ou Pseudomonas aeruginosa, levando a celulite, sepse ou gangrena.
Choque hipovolêmico
Devido à perda maciça de fluidos pelo extravasamento capilar, resultando em hipoperfusão tecidual e falência de órgãos.
Síndrome do compartimento abdominal
Aumento da pressão intra-abdominal em queimaduras extensas, comprometendo a perfusão visceral.
Queimadura inalatória
Lesão térmica ou química de vias aéreas, causando edema, obstrução e insuficiência respiratória.
Cicatrizes hipertróficas e contraturas
Formação de tecido cicatricial excessivo, levando a limitação funcional e estética, especialmente em áreas móveis como pescoço.
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Epidemiologia
Queimaduras e corrosões são causas significativas de morbimortalidade global. No Brasil, estima-se que ocorram cerca de 1 milhão de queimaduras anualmente, com a região da cabeça e pescoço envolvida em aproximadamente 20-30% dos casos. Crianças menores de 5 anos e adultos entre 20-40 anos são os mais afetados, com maior incidência em homens. Acidentes domésticos (e.g., com líquidos quentes) são a principal causa, seguidos por ocupacionais e por violência. A mortalidade varia com a extensão, sendo que queimaduras com mais de 40% da superfície corporal têm taxa de até 50% em países em desenvolvimento. Vigilância é essencial para prevenção.
Prognóstico
O prognóstico depende da profundidade, extensão, localização e presença de complicações. Queimaduras de primeiro e segundo grau superficiais geralmente cicatrizam em 1-3 semanas com mínimo sequela, enquanto as profundas e de terceiro grau podem exigir enxertia e resultar em cicatrizes permanentes. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, comorbidades (e.g., diabetes), queimaduras extensas (>20% da superfície corporal), envolvimento de vias aéreas ou infecção secundária. A mortalidade é elevada em queimaduras graves, mas o manejo em centros especializados melhora os desfechos, com sobrevida de até 90% em casos selecionados. Reabilitação precoce é crucial para minimizar incapacidades.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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